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Páginas soltas...

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03
Abr18

Um Mundo na parede!

gaivotazul

Passo para lá dos portões e do gradeamento e entro numa outra realidade. Aqui, o tempo conta-se de outra maneira. Não em segundos e minutos ditados pelo ponteiro de um qualquer relógio. Aqui o tempo conta-se a partir do momento em que páras de o contar.

Contorno o primeiro pontão. O chão de betão dá lugar a um chão de terra batida parcialmente coberto por vegetação rasteira e selvagem. Os sentidos acordam, despertados pelos inúmeros cheiros. Sinto o sol que me brinda com o seu sorriso no rosto, o vento que me afaga o cabelo e me envolve num abraço, o chão por baixo dos pés que me convida a seguir em frente, e o cheiro, esse cheiro a mar, a sal que se cola a nós como uma segunda pele. O cheiro da ferrugem e da tinta acrílica acabada de aplicar nos cascos das embarcações que repousam ao sol, em terra firme. Ouço o som da leve ondulação que agita os botes ancorados, o som das cordas e amarras que oscilam ao sabor da rebentação, os cabos das velas que embatem nos mastros, o canto das gaivotas que reclamam o seu território.

Aqui e ali detenho-me para registar um ou outro pormenor. A fotografia nem sempre consegue captar a essência do que os meus olhos registam. A fotografia ou a fotógrafa... Resignada, desisto e guardo a imagem pretendida só para mim e nas minhas expectativas.

Observo o alinhamento das embarcações que na água repousam, o ponto de ancoragem que a passagem do tempo não conseguiu quebrar, as formas de vida que sobre uma rocha conseguiram imperar, os homens que trabalham afincadamente no restauro e manutenção das suas embarcações como se estas fossem extensões de si mesmos. Provavelmente são. Tantas são as horas que não se contam passadas a bordo. As aventuras e desventuras nelas vividas, as (in)confidências trocadas. 

Não os fotografo. Gostaria de o fazer e de tentar captar a emoção dos seus rostos duros. Talvez com tempo...

Vou percorrendo os trilhos marcados pelos passos anteriores aos meus. Sinto-me feliz.

A Felicidade pode não ser algo permanente, mas tem valor acrescido quando é feita de pequenos momentos.

Numa velha âncora enferrujada flores silvestres fizeram dela o seu canteiro. Encontraram nela a sua segurança. É uma imagem linda. A força de uma âncora contrastando com a delicadeza das flores. Uma vez mais a forma como a luz incide não é a ideal e não consigo captar a sua beleza.

Prossigo. Chego a uma parede. Fim do caminho?!? Não. Pelo contrário. Apenas o início de mais uma viagem.

Descobri um Mundo numa parede.

 

IMG_1052 (2).JPG

 

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