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Páginas soltas...

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18
Jun18

Não é assim tão difícil de entender

gaivotazul

Não é assim tão difícil de entender.

No exercício das minhas funções, ao fim de semana, perguntam-me com frequência se gosto do que faço. À resposta afirmativa e convicta, chovem perguntas.

"Se não é indiscrição, o que é que faz?"; "Se me permite a questão, tem alguma formação superior?"; "Mas... que idade é que tem?"; "Mas tem alguma coisa a ver com a casa?"; "Mas, gosta mesmo?!?"; "Mas...".

Os "mas" sucedem-se. A todos procuro responder.

 

Não é assim tão difícil de entender.

Sim, gosto muito do que faço. Pelo menos na maior parte do tempo.

Gosto de sentir que nas duas horas que passam ali, faço a diferença na vida das pessoas.

Que entram com um sorriso e saem com um ainda maior. Que entram carrancudas e saem mais leves. 

Que presto um serviço. Que atendo à individualidade de quem entra. Que respeito o seu tempo e espaço mas que estou atenta e disponível.

Gosto porque se trabalha verdadeiramente em equipa. Porque o elogio que se recebe é extensível a todos.

Gosto porque o trabalho se reveste de objetivos concretizáveis a curto prazo. Porque em cada turno se tem a oportunidade de começar do zero. Não é um trabalho que fique pendente nem se prolonga no tempo.

Além disso, tenho sempre a música por companhia. Não me coíbo de cantar quando pela aparelhagem passo. Os clientes, alguns, notam e sorriem.

 

Não é assim tão difícil de entender.

Cresci nesta "casa" e corre-me no sangue este gosto de se ser quem se é, quando se faz o que somos.