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Páginas soltas...

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22
Dez17

Mostrei-te as minhas...

gaivotazul

Não tenhas medo! Aceitar-te-ei como és. Respeitarei o teu passado, compreenderei o teu presente, abraçarei o teu futuro. Descalça as tuas luvas de renda e deixa que veja as tuas mãos (im)perfeitas. As tuas calosidades, as tuas cicatrizes, as tuas manchas. Deixa que te toque e te sinta como és. Sim, são bonitas as tuas luvas. Protegem-te, talvez até te aqueçam. Mas também te impedem de tocar e de sentir. Criam uma barreira, ainda que por vezes imperceptível, e distanciam-te de quem te quer próximo. Não tenhas medo. Revela os teus sentimentos, dá a conhecer os teus pensamentos. Podem-te parecer negros. Mas também negra é a noite antes dos primeiros raios da manhã. E que importa? Saberei escuta-los ainda que não os compreenda. Também as minhas "mãos" têm cicatrizes, também os meus sentimentos me parecem (im)puros. E que importa? A mim já não me importa... Quero voltar a tocar e a sentir. Quero despir estas "luvas de renda" que encobrem quem sou. Tirei as minhas. Deixei-as cair no chão. Estou exposta. Tenho receios. Mas estou como sou - imperfeita, e sou como estou - desprovida de agasalhos que me protegem mas que me escondem. Mostrei-te as minhas mãos. Será que me mostras as tuas?

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