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Páginas soltas...

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02
Mai18

Cheiros que nos despertam... e perduram.

gaivotazul

Despertei aos primeiros raios da manhã com o sol a beijar-me o rosto. Sorri, mesmo antes de abrir os olhos. Espreguicei-me saudando o dia.

Descalça, senti as tábuas corridas do chão de madeira debaixo dos pés. Ainda estão frias, mas não tão frias que não as possa pisar. Percorri o soalho até à janela de madeira, desgasta pela passagem do tempo, com a tinta a descamar deixando os seus veios a nu. Abri-a de par em par deixando entrar o ar fresco da manhã e o aroma do campo.

Não resisto. Os aromas do campo despertam os meus sentidos e convidam-me a abraçar este dia. Saio porta fora, em direção ao jardim. Abro os braços, estico os dedos e toco mas pétalas das flores que me rodeiam. Flores campestres. Flores selvagens. Flores delicadas. Papoilas, Margaridas, Malmequeres, Mimosas e Rosmaninho.

Num canto, os lençóis recém estendidos esvoaçam com a brisa que se faz sentir, trazendo no ar o cheiro a sabão clarim.

Tudo nesta casa tem o cheiro da minha infância. O cheiro da cera aplicada no soalho, o cheiro a lavanda nas gavetas, a sabão clarim na roupa, a Feno de Portugal na pele. O café da avó, o bolo de maçã e canela, a laranja acabada de apanhar, o ramo de flores silvestres na jarra da cozinha cuidadosamente colocada em cima da bancada.

Se fechasse os olhos julgaria estar ainda a dormir. Não estou. Por isso, vou abrir os olhos e aproveitar este dia e estes cheiros que me abraçam. Talvez se colem em mim na pele. E perdurem. Do mesmo modo que estão colados na alma. E perduram.

 

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(Foto da autoria de BM)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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