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Páginas soltas...

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21
Mai21

Desafio de escrita 3.0

Tema 2 - Afinal havia outro... fogão

gaivotazul

Aromas de ervas mil enchem o ar.

Faz tempo que não cozinho. Sempre ajudou a clarear ideias.

Instintivamente reúno os ingredientes que irei necessitar.

Não preciso medir ou pesar, a mão não me falha.

Anos a fio em torno do fogão fizeram de nós cúmplices.

Lamurias, lamentos, dúvidas, esperanças e lembranças, tudo partilhámos.

 

Hoje olhei a imagem refletida no espelho e não me reconheci.

Acenei-lhe e ela sorriu-me de volta.

Vislumbres de uma vida preenchida, de uma vida feliz!

Imagens tão nítidas que negaria terem-se passado sessenta anos.

Abracei-me. Ainda vivo em mim! 

 

Ocasionalmente passeio-me pelo passado.

Ultimamente agarro-me ao Aqui e Agora.

Tudo é efémero! A começar por mim.

Recuso-me a aceitar a noite eterna.

Obstinada, regresso ao comando daquele que sempre me pertenceu.

 

Frequentemente dou por mim a divagar. Resisto.

Organizo mentalmente os próximos passos.

Gestos rotineiros ensaiados e repetidos até à perfeição (ou exaustão)

Alguém bate à porta. É novamente a Saudade a chegar.

Oiço o que tem para contar. Algo me diz que desta vez veio para ficar. 

IMG_6581.JPG

 

07
Mai21

Desafio de escrita 3.0

Tema 1 - Foi o que ouvi

gaivotazul

Numa noite de inverno,

promessas de algo eterno.

Junto à lareira a crepitar, 

senti o coração palpitar.

Enquanto isso, lá fora o vento uivava

e a chuva, solidária, cantava.

 

Na manta que me aconchegava,

em lembranças navegava.

Eram ternas as palavras

que ao ouvido sussurraras.

Sentimentos outrora velados,

segredos agora desvendados.

 

Rompia a aurora, o lume adormecia.

Ao longe um galo cantava,

enquanto um cão ladrava.

E na torre da igreja batia,

anunciando a alvorada,

o sino da abadia.

 

Vencida a preguiça,

era hora do torpor abandonar.

A chuva já parara,

por entre as nuvens o sol despontara.

Saí para caminhar,

sentir a vida a acordar.

 

Eram vozes abafadas, sonoras gargalhadas

que de uma janela me chegavam.

Eram risos cristalinos, de espíritos vespertinos,

que noite após noite se entregavam.

Eram pássaros a chilrear e gatos a ronronar,

Crianças a brincar e idosos a conversar.

 

Enquanto por ali andei, tudo isto escutei.

Já o sol ia alto, quando finalmente me deitei...

Mantive a janela aberta, para o som deixar entrar,

qual canção de embalar, deixei-me pelo sonho navegar.

Ver a imagem de origem

 

07
Mai21

Quem conta um conto acrescenta um ponto...

os desafios da Abelha

gaivotazul

(Dando continuidade ao desafio aqui lançado, e ao convite dirigido pela Maria...)

 

Já vos disse. Por baixo desta carcaça velha, sou um coração mole. Mas odeio as pessoas. A bem da verdade, só cá p’rá gente que ninguém nos ouve, odiar e amar são duas faces da mesma moeda. Já o dizia a minha mãezinha. Que Deus a guarde.

Acho que no fundo no fundo, odeio aquilo em que me tornei. Esta solidão que me consome.

No final das contas, o que tenho eu de meu? Nada! Só este atarracado e velho estaminé como eu.

O último ano foi duro, muito duro. Esta pandemia privou-me de tudo. Até das pessoas com quem diariamente refilo e que “odeio”.

É esse o meu papel na sociedade. Sou o velho rezingão que ladra ladra mas não morde. Que refila com o choro das criancinhas por não suportar ouvi-las chorar e que, como tal, tem sempre um chupa-chupa pronto p'ra lhes dar. Que resmunga com o jornal de mão em mão mas que todos os dias faz questão de comprar. Que entredentes contesta cada copo de água solicitado mas que mantém na prateleira por cima da pia cuidadosamente alinhados e prontos a servir.

Odeio pessoas, porque odeio delas depender e sentir a dor da sua ausência.

Para que este desafio possa ter continuidade, convido a MJP a escrever em Liberdade.

03
Mai21

A Mãe de minha Mãe...

gaivotazul

Envergava a escuridão da noite mas irradiava a luz do Sol e o seu calor.

O seu regaço era um porto de abrigo onde aportar em dias de borrasca ou tempestade.

Quando a bonança se instalava, também nele era bom repousar.

Seus longos cabelos, entrançados pela brisa em noites de luar, mantinha cativos em intrincada rede de emalhar.

A mesma malha que nas águas profundas abraçava cardumes de prata que emprestavam seu brilho ao firmamento.

A simplicidade do seu caminhar conferia-lhe a graciosidade das andorinhas que também de negro trajavam.

A humildade em que crescera exalava de cada um dos seus poros a essência de uma grandiosidade ímpar.

Nas suas mãos o sabor a sol e a sal.

E no olhar, esse verbo chamado Amar!

 

 

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