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Páginas soltas...

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27
Mar21

A resposta da Chama!

gaivotazul

Como a chama de uma vela

Ao sabor da brisa dancei

Por vezes ténue, outras forte.

Sem nunca perder o norte

A tua vida iluminei

Dando cor à nossa tela.

 

Lembro agora com carinho

Todas as vezes em que nessa mesma escuridão

Partilhámos lágrimas e sorrisos.

Todas as pedras do caminho

Todos os sinais de avisos

Ultrapassámos mão na mão;

 

Tudo aquilo que vivemos

Jamais será esquecido

Mesmo seguindo caminhos diferentes

A nossa amizade conservemos.

O acordo entre nós estabelecido

Em noites frias manter-nos-á quentes.

 

À deriva, jamais ficaremos.

Neste mar que é a vida

A bom porto chegaremos!

 

Nesta Casa mora um Poeta por quem nutro um carinho especial. As palavras que connosco partilha, por vezes parecem falar de nós, outras tantas para nós. Atribuímos-lhes diferentes significados mas não lhes somos indiferentes. Nem poderíamos ser pois são palavras que nos falam ao Coração.

Por aqui tenho encontrado pessoas de uma generosidade ímpar. Que dão de si, do seu tempo, que distribuem palavras de incentivo, revelando a sua simpatia e empatia. Que nos encorajam a perseguir os sonhos e não nos deixam esmorecer.

Malik é uma dessas pessoas! E este poema que hoje vê a luz do dia é uma forma de agradecer a sua poesia. Uma resposta à sua Chama

 

21
Mar21

Pois se esse é o seu lugar!

gaivotazul

Terá de fazer sentido?

Terá que rimar?

Poderá este sentimento ser contido?

Poderá ser deixado a vogar?

 

Nunca tive a pretensão,

De por palavras expressar,

O que vai neste coração,

O que sinto ao (não) te abraçar.

 

Se bate descompassado,

Se no peito se aperta,

É um reviver do passado,

Que os sentidos desperta.

 

Aprendi a fugir,

Para deixar de sentir!

Hoje reabres a ferida,

Que jorra a toda a brida.

 

Desta vez, porém

São palavras que brotam.

Que nada nem ninguém detém,

E que jamais se esgotam.

 

Se terá de fazer sentido?

Não, apenas ser assentido!

Se terá que rimar?

Só se assim o desejar!

Se poderá ser contido?

Contido, mantido, desmentido...

Se poderá ser deixado a vogar?

Pois se esse é o seu lugar! 

                                                                             

20
Mar21

Todos chegámos até Aqui!

gaivotazul

Todos chegámos até Aqui!

Partimos de bases e pressupostos diferentes - uns mais diferentes do que outros. Com diferentes bagagens - uns viajam leves, outros trazem a bagagem de uma vida.

As razões que nos levaram a iniciar esta caminhada, podem ser mais ou menos semelhantes - pouco importa. Todos chegámos até Aqui!

Para uns a estadia será breve, para outros estender-se-á no tempo, pelo tempo necessário e (com)sentido. Será um porto de abrigo, um refúgio, ou a porta da liberdade e a evasão.

Nesta "Casa" com muitos quartos, cabem todas as formas de expressão. A fotografia, a música, o desenho, a escrita, em prosa ou em verso,  num registo mais intimista em jeito de diário, ou num registo mais cómico, criativo ou informativo, onde todas as temáticas têm lugar (a moda, a saúde, a educação, o desporto, a política, a atualidade, a ficção e a realidade, e tudo o mais que Aqui queiram incluir).

Em alguns dos quartos já nem pedimos licença para entrar. Afinal, um hóspede só é hóspede equanto não escolhe Aqui morar. Depois? depois torna-se "familiar".

Noutros quartos ainda batemos à porta, porta essa que apenas entreabrimos não querendo importunar.

Alguns inquilinos partiram... por vezes revisitamos os quartos dos que deixaram as chaves na porta, apaziguando a saudade. Mas todos os dias novas janelas de novos quartos são abertas para deixar entrar a luz e acolher quem Aqui chega.

Todos chegámos até Aqui!

Ignoro quantos textos, quantas músicas, quantas imagens são diáriamente publicadas...

Seguramente não será fácil cuidar da manutenção de uma casa assim. E ainda assim, de vez em quando, quem desta "casa" cuida consegue colocar em evidência uma ou mais janelas para que nelas incida diretamente a luz do Sol.

A semana passada, o meu quarto mereceu um cuidado adicional. Algo pelo qual só me posso sentir honrada e grata. Grata a quem desta "casa" cuida, mas principalmente a quem diáriamente me visita e na sua generosidade enche o meu quarto de flores e de palavras que são telas com que as paredes decoro.

Este texto, é para todos e para cada um de vocês. Uma vez chegados Aqui, Obrigada! por comigo partilharem, paredes-meias, esta Casa. 

 

 

 

 

19
Mar21

Era uma vez uma mulher que quando acordou do coma só miava

gaivotazul

Era uma vez uma mulher que quando acordou do coma só miava...

Chegara numa manhã em que a tranquilidade fora repentinamente sacudida. As notícias chegavam dispersas e com grande imprecisão.  Para o quem, como, porquê... ninguém parecia deter as respostas.

Os pacientes iam entrando em catadupa, uns pelos próprios pés, outros transportados em braços e macas improvisadas. O caos instalara-se e todos pareciam impotentes perante os olhares perdidos e confusos dos que ali chegavam.

Fora a última a chegar. As buscas já haviam sido canceladas pelo que encontrá-la debaixo dos escombros no último instante havia sido por si só um milagre.

Fora um pequeno gato cinzento quem dera o alarme. Miava incessantemente recusando-se a abandonar o local.

Os exames neurológicos e a tomografia nada revelavam. Tirando as escoriações e os hematomas no rosto, nada indicaria que tinha estado no local daquele trágico evento. Para todos, era como se simplesmente dormisse, tranquila e serenamente. 

Haviam-se passado meses desde que despertara. Desde então, deambulava pelos jardins do claustro do antigo mosteiro, hoje convertido em hospital, apreciando as verdes árvores em flor e acariaciando as delicadas pétalas que despontavam.

Nos primeiros dias só miava. Os exames, mais uma vez, nada revelavam. A explicação para tão insólita condição permanecia uma incógnita.  Aos poucos, remetera-se ao silêncio e desistira de tentar que a compreendessem. Mas no seu silêncio aparente, encarnava o papel de toda uma vida e cantava. Afinal, representar Grizabella, havia sido sempre o seu sonho. E "cantá-la", era tudo o que sabia fazer...

" Daylight, I must wait for the sunrise
I must think of a new life
And I mustn't give in"

Cat Soul de Laura Agusti

 

A "nossa" Ana desafiou-nos, e em boa hora o fez. Obrigada, Ana! 

 

 

 

 

12
Mar21

De mãos dadas...

gaivotazul

A sala era pequena e escura. Carteiras dispostas em duas filas, sem intervalos entre elas, dificultando a saída e entrada. Uma espécie de "entras mas já não sais" mas que facilitava as conversas paralelas ditas em surdina e o váivem de recados rabiscados em pedaços de papel.

Em tempos teria servido de arrumos. Depois foi convertida e apelidada de "sala audiovisual". A única coisa que a distinguia das demais era uma televisão colocada num canto superior de uma das paredes, obrigando-nos a escorregar pela cadeira abaixo para aliviar o desconforto no pescoço. 

A disciplina era-nos ainda estranha, e a matéria discorrida pelo professor uma língua desconhecida. Por vezes parecia somente um debitar de frases feitas desprovidas de grande significado ou repletas de "lógica da batata". Ainda assim, naquela sala pequena e escura, a voz do professor soava grave e séria. Uma voz a que nos fomos habituando e aprendendo a apreciar. Gradualmente as frases feitas convertiam-se em sabedoria e ficavam cravadas em nós. Disse-nos certo dia: "a nossa nossa liberdade termina onde começa a do outro" (uma frase que hoje sei ser atribuída ao filósofo Herbert Spencer). Primeiro estranhámos, "então para o outro ser livre eu não o posso ser?". Depois entranhámos, "a minha liberdade não pode pôr em causa a liberdade do outro".

Cedo aprendi que a Liberdade e a Responsabilidade andam de mãos dadas. Os privilégios de que dispomos devem ser honrados, cuidados e respeitados. Tal como todas as coisas boas que amamos e valorizamos, sob pena de se deteriorarem, estragarem, partirem, perderem.

Se esta forma de encarar a Liberdade me permite fazer tudo o que quero? Não! Porque por vezes o que "quero" tem implicações para o outro. Em consciência não o poderia fazer. A tal Responsabilidade que não larga a mão.

Se no exercício da minha Responsabilidade me sinto livre? Sim! Indubitavelmente, sim. 

Vivemos tempos conturbados, únicos, especiais. Tempos que acarretam limitações, mas limitações que decorrem da nossa responsabilidade individual e coletiva e não da supressão da nossa liberdade. A Liberdade como a concebo, nada nem niguém a pode tirar. E porque a Liberdade me confere asas, partilho convosco as palavras do samba-enredo de 1989 que tantas vezes cantei antes mesmo de lhes apreender o sentido.

"Liberdade, liberdade!
Abra as asas sobre nós 
E que a voz da igualdade
Seja sempre a nossa voz"

 

IMG_0599.JPG

 

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Há pessoas que são generosas por natureza, pessoas que têm o coração grande e os braços abertos, pessoas que acolhem, que dão colo e casa. Pessoas que não nos conhecendo estendem a mão e dizem "Bem-vindo(a)! A minha casa é a tua casa!".

A MJP é uma dessas pessoas. Na sua generosidade, estendeu-me um convite para que escrevesse sobre "Liberdade". Um texto que publicou no seu blogue Liberdade aos 42, e que muitos de vós tiveram a amabilidade de ler e de comentar. Pela oportunidade que me foi concedida, a minha Gratidão. Pelo carinho dos que por aqui passam e deixam um pouco de si, o meu muito Obrigada! 

 

 

 

10
Mar21

Simplesmente, soube!

gaivotazul

Quando o viu na montra, soube imediatamente que era o seu.

Nunca idealizara o seu vestido. Tão pouco desfolhara revistas em busca daquele que viria a ser o seu vestido.

Nunca gostou de surpresas pelo que, mandar fazer sem saber qual seria o resultado final, estava fora de questão.

Também não gostava da ideia de entrar e sair de loja em loja num despe e veste sem fim.

Diziam-lhe que se apressasse, que  já não iria a tempo. "Como assim, não há tempo?!?", pensava. 

Acreditava na predestinação, numa força maior que tudo e todos. Acreditava no Amor.

Quando a altura chegou, não precisou de pesquisar ou pensar por onde começar. Simplesmente sabia, sem saber como mas sabia.

Tinha o nome da sua avó, a loja! Da sua avó que partira antes de poder ver a sua primeira neta dar mais um passo na concretização do sonho. De algum modo, parecia-lhe que também a Estrela da sua outra avó, que não assistira ao seu nascimento mas que sempre se fizera notar, lhe indicava o caminho.

E foi assim, sem ser preciso procurar, que ao virar da esquina encontrou o que não precisou procurar.

Branco, simples, de uma renda delicada, onde o único apontamento de cor era uma faixa em rosa-velho. E para ela, essa faixa, encerrava os sonhos da menina que fora e que sempre, para sempre, viveria dentro de si.

2020031316033691849590.jpg

 

 

Texto inspirado no Desafio Caixa Lápis de Cor  

 

 

 

 

07
Mar21

Não parti...

gaivotazul

 

Não parti. Não poderia partir. Prometi não o fazer. Muito menos sem uma palavra ou aviso. Se reparares, não parti. Continuo onde sempre estive. No meu canto, no meu silêncio, onde (te) espero. Serena como a maré da primeira luz da manhã, quebrando-me como o mar revolto da tarde, que se aquieta quando a noite cai. Faz tempo que nenhum acorde toca por aqui, e a luz não chega com a mesma intensidade. De olhos postos na linha que nos juntou, quedo-me... Sobejam-me respostas para as questões que não formulas. Ignoro as questões para as quais tardam as respostas. Na certeza de que Não parti.

 

06
Mar21

Pés descalços

gaivotazul

Pés descalços, desprovidos de calçado ou meias, em contacto direto com a terra, sentem a areia escura por entre os dedos fazendo cócegas enquanto avanças por entre as árvores deste pedaço de pinhal que te pertence.
Conheces cada recanto, cada tronco, cada ramo e galho ao qual te agarrares. As pinhas, as "agulhotas" e a caruma que cobrem este pedaço de chão são tuas. São a tua arma de arremesso contra os potenciais invasores do teu território secreto e simultaneamente o teu tesouro. Algo só teu e que ninguém te pode tirar. (Se ao menos os que te rodeiam conseguissem ver o valor que esses simples elementos da natureza encerram e que Tu, esperançosa e sábia criança, consegues neles reconhecer...)
Destemido, sobes ao cimo de uma árvore. Da tua Árvore. De onde avistas a linha do horizonte. (Fico extasiada ao observar o que o teu olhar de menino consegue enxergar.) Voas alto e projetas o teu futuro...
Do alto da tua árvore, contemplas o sol no azul do céu, a linha em que este toca o mar, a espuma suja do mar revolto na areia branca, a mescla que surge quando esta se funde com a areia escura do teu pinhal...
"Estamos todos ligados"... Algo que tu cedo aprendeste.
Em breve serão horas de descer, mas sabes que poderás sempre voltar ao teu refúgio. Ao teu pedaço de chão. A este pinhal que é só teu.
Mãos e pés "sujos" de terra, joelho esfolado e rosto "escravunçado", regressas a casa com a certeza de que um dia, tudo o que contemplas lá de cima, será teu!

 

Imagem daqui 

 

03
Mar21

Uma Alma em tons de Azul

gaivotazul

 

 

Colara-se-lhe ao corpo como uma segunda pele.

Independentemente do que fizesse, do que dissesse ou lhe dissesssem, de dia para dia impregnava-se mais e mais.

Começara por ser só uma sensação, estranha, leve... como um presságio que nos assola às primeiras horas da manhã depois do despertar de um sonho.

Não partiu e foi ficando. Entranhando-se mais e mais.

Já não era só uma sensação. Crescera e germinara até se transformar num estado de alma.

Uma alma que se cobrira de azul, como o claro azul daquele olhar que não mais tornaria a ver.

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Nota: Texto inspirado do desafio lançado pelaFátima Bento.

 

03
Mar21

Está ainda para chegar!

gaivotazul

Está ainda para chegar!

É com esta convicção,

sem espaço para grande reflexão,

que neste desafio vou mergulhar.

 

São palavras atrás de palavras,

memórias superficialmente revisitadas. 

Ideias fragmentadas...

 

Presunçoso seria indicar o ano em que nasci.

Em jeito de homenagem, talvez, o ano em que te conheci.

Há ainda aquele ano em que à aventura parti,

e o outro em que o sabor da amargura conheci.

 

Uns anos mais tarde a maioridade

e pouco depois, a mudança de cidade.

O inicio do namoro, o casamento, a maternidade,

e tantas outras datas cheias de personalidade.

 

Se fosse aqui refletir sobre a razão do meu existir,

O tanto que conquistei, o que ficou por dizer...

Melhor será pensar no tanto que vou fazer,

No tanto que vou viver.

 

O melhor ano da minha vida vou afirmar,

Está ainda para chegar! 

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