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Páginas soltas...

Páginas soltas...

31
Mai19

...

gaivotazul

Uma janela de portadas brancas de madeira, com lascas de tinta que a maresia reclamou para si.

Janelas abertas de par em par com cortinas brancas que esvoaçam e deixam entrar o cheiro a sal e sabor a mar.

Um trilho que conduz os pés descalços por entre dunas de areia e caniçais. Areia fina e branca pontuada por agulhas de pinheiros, caruma.

Um areal a perder de vista que contemplo partindo da mesa azul recuperada. Uma mesa que alguém deitou fora e não soube valorizar.

Em torno da qual nos reunimos agora  e damos as mãos. Sentados em velhos bancos que o tempo afagou.

Contemplando toda uma vida que não chegámos a reclamar para nós.

E agora, agora a música parou.

 

 

23
Mai19

...

gaivotazul

Quebrar o silêncio...

Quebrar o silêncio seria porventura correr o risco de me quebrar novamente quando a cola com que toscamente colei os meus cacos ainda não secou.

 

Quebrar o silêncio seria voltar a correr riscos quando ainda estou a aprender a andar lado a lado com eles.

 

Por vezes esqueço-me. Esqueço-me que não estou inteira e que talvez nunca mais venha a estar.

Esqueço-me do medo e do vazio e por instantes volto a ser eu. Flutuo, danço, canto, sorrio.

Por instantes, quase quebro o silêncio.

Pudesse eu gritar ao mundo quem sou... mas o medo... e como poderia eu voltar a ficar a coberto da noite, na segurança que só o silêncio me pode dar...

 

 

11
Mai19

Cantei-me a mim!

gaivotazul

Durante meses, ouvi o teu álbum vezes sem conta. Memorizei a tua capa e a ordem das canções, decorei a letra de cada uma das tuas músicas, aprendi a antecipar cada um dos teus acordes.

 

Há álbuns que contam histórias. Têm de ser ouvidos pela ordem com que foram delineados. Não se podem saltar capítulos. E a tua história, é uma história que oiço uma e outra vez.

 

Cantei contigo na rua, sentada no arrebate de uma porta. Cantei contigo na areia, com o mar por companhia.

 

Cantei-te nas cidades em que vivi e naquelas por onde passei.

À luz da lua ou do sol, de um foco artificial ou a coberto do escuro, cantei-te e cantei contigo.

 

Tornei minhas as tuas palavras, atribui-lhes o meu sentido. Sem dar por isso... cantei-me a mim.

 

10
Mai19

...

gaivotazul

Esta manhã, zangada, de rosto fechado, com uma corrente de grilhões, era eu o reflexo de uma manhã que ainda não se libertara das cores da noite.

 

Aos habituais não me apetecia falar. Escudei-me na música. Nao é de bom tom, bem sei. Mas não fora o som e a zanga teria extravasado e atingido quem estava em meu redor.

 

Num casulo improvisado fui executando os meus afazeres. Na solidão experimentei maior eficácia. E na consciência de tal mais só me senti.

 

Rompeu o Sol. Seria de pensar que desejava a sua companhia. Mas não. A sua luz revelava aos outros o que na penumbra tentei esconder. 

A viagem fez-se rápida. Não me deu tempo. Coloquei a máscara e não olhei em frente mas foi por aí que segui.

 

 

10
Mai19

E deixo-me ficar...

gaivotazul

Mergulho nas tuas palavras. Quanto mais me embrenho, menos a luz do dia me ofusca. A pouco e pouco cessam os ruídos da noite e encontro o meu refúgio.

Nas águas das tuas páginas posso flutuar ao sabor da corrente ou apanhar um rápido sem saber onde me levará.

Revisito lugares onde nunca fui, em que nunca estive. Reconheço pessoas que nunca vi na vida, com quem nunca  me cruzei.

Reencontro-me comigo e deixo-me ficar.

 

03
Mai19

'Atão Coração?

gaivotazul

Era sempre assim, desse teu jeito doce e despreocupado, que me brindavas com um abraço apertado e um beijo no topo da cabeça. Até ao dia. Até ao dia em que anunciaste a tua partida e levaste contigo a chave que te havia dado. A "chave do meu coração", dizias a brincar.

É sempre assim que te recordo. Desse jeito doce e despreocupado de quem não liga a expectativas alheias e convenções sociais.

E quando o abraço afrouxava olhavas-me nos olhos e perguntavas:

- 'Atão Coração?

 

 

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