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Páginas soltas...

Páginas soltas...

27
Set18

Nunca te conheci... Nunca te conhecerei!

gaivotazul

Nunca te conheci. Sabia o teu nome, quem eras mas não quem eras... Aliás, duvido que mesmo os que te conhecem saibam quem és. 

Incompreendido! Sempre o foste. Pelo menos por muitos. Mesmo pelos que te eram mais chegados. Por outro lado, também pouco esforço empregaste para te fazeres compreender.

Era entre as paredes, por ti pintadas de preto, do teu quarto que encontravas o teu lugar no mundo. Nelas colocavas todas as cores como se fossem folha em branco.

 

Nesse teu mundo, a sós, tendo-te somente a ti por companhia, embrenhaste-te cada vez mais fundo na descoberta de quem eras.

A pouco e pouco, expandiste as paredes negras do teu quarto. Foste ousando mostrar quem eras sem te preocupares a quem o mostravas. Despiste-te de receios (in)fundados e expuseste-te ao olhar critico dos outros. "Que critiquem" - pensarás... Positivas ou negativas, construtivas ou destrutivas quem as tece apenas hipotetisa sobre quem possas ser. Continuas sem te dar a conhecer.

Hoje, na terra que te viu nascer, partes da tua obra estão expostas para escrutínio público. Tornaste-te o que muitos apelidam de "artista autodidata" - que a ti nunca ninguém disse por onde seguir e o que ou como fazer. Artista! O termo para nomear quem nunca conheci. Quem nunca saberei quem é por muitas biografias que porventura se venham a escrever. És assim como as paredes por ti pintadas de preto. Um buraco sem fim onde cabe tudo o que possamos pensar. 

 

Ao observar as tuas telas expostas, reconheço o talento e a arte. Visualizo um egocentrismo que imagino ser real. Interpreto um sofrimento interno com alguma ideação suicida. Uma atração pelos mistérios da vida e da morte. Que a aceitação de uma depende do reconhecimento da outra. Uma aparente leviandade com que retratas a segunda. Talvez a tua forma de valorizar a primeira.

 

Como vês, sei o teu nome e quem eras. Jamais saberei quem és. Como tal, nunca te conhecerei. 

 

 

20
Set18

...

gaivotazul

Quero escrever. Para o fazer tenho primeiro de silenciar os meus pensamentos. No mínimo conferir-lhe alguma ordem. Permitir que se façam ouvir. Um de cada vez.

Coloco a música a tocar. Enquanto os seus acordes enchem o ar a mente começa lentamente a serenar-se. Como o corpo cansado que se aquieta e acomoda no colchão. 

Divago. Permito que as minhas emoções naveguem um pouco à deriva. Não me sinto preparada para assumir o comando do leme. Não ainda. Confio que encontrarão o caminho a seguir. Permito que por agora fluam por onde lhes aprouver. Ainda que não as consiga decifrar. São minhas. Com todas as suas variantes. Capazes de passar de um extremo ao outro num segundo. Da calma à fúria. Da passividade ao ataque. Mais difícil o inverso.

Aquieta-se a mente ao ponto de quase se sentir despojada de pensamentos. 

 

A melodia mudou. É agora expressa pelas cordas de uma guitarra que segreda baixinho a sua história. Ou pelo menos a história que a alguém ouviu contar. Prende toda a tua atenção. Termina rápido de mais deixando-te com a insatisfação resultante. Pedes-lhe mais. Imploras pela sua companhia. Pela sua voz. Não importa o que te diga. Queres sentir mais do que entender. O coração vê para lá das palavras que não sabes dizer. 

A súbita vontade de chorar. A lágrima reprimida. O sentimento refreado. O pensamento contido.

Pudéssemos nós ser as notas cantadas nas cordas daquela guitarra. 

Silenciou-se. A guitarra, e a minha voz interior...

 

17
Set18

Onde nos podemos sempre encontrar...

gaivotazul

Ontem sonhei contigo. Com as tuas palavras. As mesmas palavras que li pela primeira vez faz tempo. Dez anos volvidos tornei a rele-las...

 

Ontem sonhei contigo. Connosco. Tu não eras tu e eu não era eu mas éramos nós. Ali. Transpostos da página de um livro, de uma história ficcional para a realidade do meu sonho.

Na realidade do meu sonho, como nas páginas do teu livro, conversámos noite fora sob um céu estrelado. 

No aconchego de um abraço, o nosso, desfiámos sonhos em palavras soltas 

Não olhámos ao tempo que passou por nós sem dele darmos conta.

Estávamos num deserto povoado pelos nossos sonhos. Tínhamos-nos um ao outro. Tínhamos tudo. De deserto só mesmo a paisagem que de resto nos pertencia.

 

Ontem sonhei contigo. Com as tuas palavras.

Hoje, vou pegar de novo nelas. Talvez permaneças comigo quando o livro se fechar e a luz se apagar. Nos meus sonhos. Onde nos podemos sempre encontrar...

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Hoje, 

13
Set18

Não escrevo...

gaivotazul

Não escrevo. Não porque não tenha sobre o que escrever, mas precisamente porque tenho. No momento em que tudo o que escrevo sem escrever se materializar, não haverá volta a dar. Não haverá como negar. Os eventos, os pensamentos e os sentimentos a eles associados.

Assim sendo, não escrevo. 

Não escrevo o que escrevo sem escrever. Para que não restem evidências físicas. Para que os meus olhos não vejam tatuado numa folha de papel os pensamentos que tenho e os sentimentos que não tenho.

Estou em fuga. Sigo em frente sem olhar para trás. As emoções logo ali, quase a alcançar-me. Corro. Fujo. Sou fugitiva de mim. Não sei por quanto tempo mais.

Não escrevo, o tanto que tenho em mim por escrever...

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