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Páginas soltas...

Páginas soltas...

31
Ago18

Deixei escapar...

gaivotazul

Deixei escapar. Pensei que a agarrara mas esfumou-se antes que o pudesse fazer. Como a fita de um balão que se desprende da nossa mão. Esticando-nos, quase que lhe tocamos, conseguimos senti-la, mas somos incapazes de a reter.

Foi assim. Como a chama de um fósforo que se apagou antes mesmo de arder. Fugaz. 

Deixei escapar... a frase. Aquela frase que me fez todo o sentido e que num rasgo se transformou em livro.

Uma gota que daria início a um pequeno curso de água. E quem sabe onde nos levaria essa água. Mas...

 

Deixei escapar.

 

30
Ago18

Ainda que não queiras...

gaivotazul

Ainda que não queiras, vou escrever para ti.

Fazer-te escutar o que por vezes não queres ouvir.

 

Ainda que não queiras, vou continuar amparar-te as quedas.

Quando as não poder evitar, ajudar-te-ei a levantar.

 

Ainda que não queiras, vou continuar a olhar por ti.

De longe, quando não me deixas aproximar. Perto onde quero estar.

 

Ainda que não queiras, vou continuar a escutar.

O pouco e o muito que tenhas para contar. O agradável e o nem tanto assim.

 

Ainda que não queiras, vou continuar a discordar.

A contrariar o teu pensar, nunca o teu sentir.

 

Ainda que não queiras, vou continuar Aqui.

Segurar na tua mão, como seguraste a minha desde o teu primeiro dia.

 

Ainda que não queiras... 

Sei que queres, ainda que digas não querer.

IMG_4651.JPG

 

28
Ago18

...

gaivotazul

Por onde começar? Ou devo dizer por onde recomeçar?

Perdi a conta aos textos iniciados que se acumulam nos rascunhos como caixas de cartão com pertences para vermos mais tarde em sótãos e arrecadações. 

Dizia a minha mãe que "dote que não vá com a noiva, tarde ou nunca lá vai parar". Talvez... E nesse caso talvez os textos não vejam nunca a luz do dia e as caixas permaneçam esquecidas.   

 

Por onde começar? Pelo princípio? Por mim? No ponto em que fiquei?  

 

Começo pelo presente. Pelo aqui e agora. 

 

As luzes estão apagadas. Apenas a luz do pequeno ecran em que escrevo estas palavras confere alguma luminosidade. 

As portas e janelas estão fechadas mas de alguma maneira uma aragem parece conseguir entrar. Sinto a sua deslocação. O seu ar frio a tocar-me.

  

Sons... esses são mais difíceis de isolar. A começar pelas inúmeras vozes que em mim procuram habitar. Procuro ordená-las. Para que não se sobreponham. Para que eu me consiga escutar.  

Oiço o cão sem dono, por toda a rua adotado, que ladra a quem nela passe. Oiço o respirar desencontrado de que adormeceu faz pouco. O zumbido dos ouvidos que estranham o súbito silêncio. O som do meu dedo que o ecran pressiona.

Oiço o cansaço que se instala agora que tudo em volta parou. 

 

Sinto. Muito. Pouco. E tantas outras coisas pelo meio. Sinto o que não quero e não sinto o que gostaria. 

 

O meu aqui e agora, será breve.

 

Não consigo isolar por mais tempo as vozes que querem falar. O corpo pede alimento e descanso. Pouco tem visto de ambos.

 

Não sei como recomeçar. Adio a tarefa. Atendo a todas as outras que me esperam. Talvez amanhã volte a tentar. 

 

 

14
Ago18

Aqui onde estou...

gaivotazul

Aqui onde estou, há ainda muito por fazer mas tenho para onde ir.

Divido atenções, olho o relógio, esqueço o que ia dizer, lembro o que tenho de fazer.

 

Aqui onde estou, requerem a minha presença. Para onde tenho de ir, reclamam a minha ausência.

Olho o relógio, concentro atenções. Digo o que tenho a dizer, adio o que ia fazer.

 

Já não estou. Nem aqui nem lá. Em ambos os lados há que fazer. Estou temporariamente ausente. E tudo se faz. Mesmo sem mim. 

 

Chego.

Aqui onde estou, há ainda muito por fazer. Já não tenho para onde ir. 

Estou presente e se alguém reclama a minha ausência, esse alguém sou eu. Mas, aqui onde estou, há ainda muito por fazer...

 

 

 

14
Ago18

Vislumbre de um miúdo...

gaivotazul

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Qual miúdo a quem é dada a oportunidade, corres solto e descalço pelos campos de grama, areia ou terra batida.

No teu rosto escorrem gotas de suor que te refrescam mas que não refreiam o teu entusiasmo.

Destacas-te dos demais pelo teu tamanho mas principalmente pelo miúdo que no teu corpo de adulto habita. 

Quando corres, quando na bola chutas, quando gritas e esbracejas, és o miúdo que em tempos foste e a quem não foi dada a oportunidade.

Agárras-la agora. Com unhas, dentes, esfoladelas e arranhões. Com tudo a que tens direito.

És de novo o miúdo a quem é dada a oportunidade. E ninguém te pára. 

 

 

13
Ago18

...

gaivotazul

Não tenho escrito. Pelo menos não em suporte papel ou informático.

Escasseia o tempo. Tempo esse em que me desdobro para a todos chegar. Tento... Não chego. E então sobejam-me os textos que não chego a escrever. 

 

Não tenho escrito e ainda assim todos os dias escrevo. Escrevo em sonhos e em pensamentos. Escrevo a dormir o que não escrevo acordada. 

Escrevo sobre tudo e sobre nada. 

 

Escasseia a lucidez, sobeja-me o cansaço.

 

Apago a luz, fecho os olhos e (re)começo a escrever...

 

 

01
Ago18

Tu, eu e todo o tempo do mundo...

gaivotazul

 

Esta semana comecei a ler um novo livro. Um livro escolhido por ti. Um livro que provavelmente acabarei de ler ainda antes da semana chegar ao fim.       

 

Também tu já sabes e gostas de ler. Em voz alta. Conferindo realidade ao imaginário do autor enquanto lês.

Leste a crítica da contra capa segundo a qual esta era uma história que fazia rir e chorar em cada página, e de algum modo sentiste que era apropriada para mim. 

 

Quando finalmente concluí o livro que me acompanhava havia algum tempo, acercaste-te de mim com entusiasmo e não sossegaste enquanto não abri o "teu" livro. 

Ainda não concluíra a primeira página já tu perguntavas numa alegre inquietude difícil de conter "Escolhi bem?"; " Já estás a rir?".

Não te podia dar a informação que não tinha mas não te queria desencorajar. Prossegui a leitura prometendo que depois te responderia.  

 

Durante alguns minutos ainda lutaste contra o cansaço. Derrotada por ele adormeceste encostada a mim.

   

Ainda é cedo para analisar as emoções que em mim o livro desperta. Não chorei, mas também ainda  não ri. Apenas dobrei os cantos das folhas nas quais me demorei em determinada reflexão. Quero a elas voltar mais tarde. Gosto de o fazer. 

Uma coisa é certa. Este livro foi-me por ti oferecido.  Só por isso, suscetível de causar a lágrima presa, não de tristeza mas de alegria, e de me fazer sorrir. E enquanto o estiver a ler, contigo deitada a meu lado, serei só "Tu, Eu e Todo o Tempo do Mundo".

   

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