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Páginas soltas...

Páginas soltas...

30
Mai18

A menina que em mim há...

gaivotazul

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Há uma menina em mim que ainda Acredita. 

Que ainda acredita que as estrelas do Mar viveram um dia no Céu.

Que ainda acredita que nas Estrelas do Céu alguém olha por nós.

 

Há uma menina em mim que ainda Espera.

Que ainda espera pelas respostas às suas perguntas.

Que ainda espera pelas perguntas às quais responder.

 

Há uma menina em mim que ainda Sonha.

Que ainda sonha com o dia que há-de vir.

Que ainda sonha com a noite que passou.

 

Há uma menina em mim que ainda Sente.

Que ainda sente que tudo acontece por uma razão.

Que ainda sente que nem sempre está certa a razão.

 

Há uma menina em mim que ainda se questiona.

Que ainda se questiona com  "Comos e Porquês"

Que ainda se questiona com "Quandos e Para Quês"

 

Há uma menina em mim que ainda Acredita, Espera, Sonha, Sente e se Questiona.

 

Essa menina que há em mim ainda usa dois totós.

Essa menina que há em mim ainda se veste de vermelho.

Essa menina que há em mim ainda calça nos pés as gastas sapatilhas.

Essa menina que há em mim ainda segura nas mãos a estrela da manhã.

Essa menina que há em mim ainda sorri.

 

Sorri porque se Questiona, Sente, Sonha, Espera e Acredita.

 

29
Mai18

Mais que uma Feira de Livros, uma Feira de Emoções!

gaivotazul

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Já subíramos e desceramos as improvisadas ruas ladeadas de livros que por estes dias compõem o Parque Eduardo VII, parando junto de uma ou outra Editora para nos inteirarmos das novidades ou revisitarmos os clássicos intemporais. Da literatura infantil a livros técnicos, de autores nacionais e estrangeiros, houve tempo e espaço para lhes dedicarmos a nossa atenção.  

Observámos a azáfama do vai e vem de visitantes e deles fizémos parte. Ouvimos vozes familiares e vimos rostos conhecidos. Trocámos cumprimentos. Démos dois dedos de conversa.           

Quando a necessidade de uma pausa imperou, sentámos-nos na relva sob a sombra de uma árvore desfrutando da calma envolvente que se conseguia fazer sentir num mar de gente. Lambuzámos a cara e as mãos e deliciámos-nos com os waffles que partilhámos.

Já refeitos, preparámo-nos para subir e descer uma vez mais as ruelas de livros na certeza de que muito mais haveria a descobrir.

Não o fizémos. Algo estava prestes a começar no stand da BLX presente na Feira do Livro.

Sem um puff onde nos sentarmos, fizémos do chão o nosso banco. 

Não sabíamos o que esperar. Estávamos desprovidos de qualquer expectativa. Positiva ou negativa. Estávamos, pois, de coração aberto e mente desperta.   

Há nossa frente, um grupo heterógeneo na sua constituição, homens e mulheres, novos e menos novos, ocupavam as suas posições e preparavam-se para cantar.       

Coloridas eram as suas vozes, como coloridas as roupas que envergavam.

Uma após outra, as suas interpretações foram enchendo de sorrisos o rosto de quem os escutava. Foram arrancando aplausos e derrubando preconceitos. Uma após outra, as suas interpretações foram enchendo a rua e os corações que na tenda não cabiam mais.

 

Admiração. Profunda admiração por quem dá o rosto e empresta a voz para cantar pelo que acredita. Por uma causa. Seja ela qual for. 

Por quem, nos seus "sapatos" se consegue afirmar. Fazer a diferença. Na sua vida e na de tantos outros.

Por quem a cantar apela à aceitação, à diferença, ao amor. 

Se pude constatar algo nos minutos em que durou a sua atuação, é que a música tem de facto a capacidade de unir. De derrubar barreiras.  

 

Caso se estejam a interrogar sobre qual o grupo que me encantou ouvir cantar, apelidam-se de CoLeGaS. São o Coro Lésbico, Gay e Simpatizante da ILGA Portugal. 

 

Pergunto-me se teria entrado se soubesse quem iria atuar? Quero acreditar que sim. Pela música, pela aceitação da diversidade, pelo Amor.

 

 

28
Mai18

Se o escrevo, é porque o sinto!

gaivotazul

Se o escrevo é porque o sinto.

Na maioria dos dias, é a música que me escolhe a mim e não o contrário. Já o escrevi em mais do que uma ocasião. 

Esta manhã não foi excepção. Acordei com uma melodia na cabeça e o verso "You only see what your eyes want to see". Reconheço a música mas não o seu autor. 

Há medida que as tarefas matinais são executadas, vou trauteando a música e adicionando mais versos que de modo automático vou recordando... "If I could have your heart"... 

Continuo sem identificar a cantora. Quando surge a oportunidade faço uma pesquisa rápida e a intérprete é revelada. Frozen de Madonna. Estava longe de adivinhar.

Durante todo o dia esta mesma música fez-me companhia.

Embora sujeita a diferentes interpretações, quando é a música que me escolhe gosto de lhe dedicar uma atenção especial. Como se trouxesse com ela uma mensagem que por alguma razão eu precisasse de escutar. Então, escuto atentamente a sua letra e interiorizo a sua mensagem.

"You only see what your eyes want to see
How can life be what you want it to be?
You're frozen
When your heart's not open

(...)

Love is a bird, she needs to fly
Let all the hurt inside of you die
You're frozen
When your heart's not open"

 

Como Gaivota que sou preciso de voar. De me libertar. De abrir o coração. De enxergar o que os olhos não veem.

Se era esta a mensagem? Não sei. Mas se o escrevo, é porque o sinto.

 

 

 

28
Mai18

Como se agradece?

gaivotazul

Como se agradece?

Como se agradece a quem desse lado dispensa o seu tempo para ler o que deste lado alguém escreve?

Como se agradece a quem desse lado disponibiliza a sua atenção a quem deste lado escreve com o coração?

Como se agradece a quem não conhecemos mas que nos vai conhecendo?

Não há um rosto a quem dizer "obrigado".

Não há um olhar para o qual sorrir.

Como se agradece então? 

 

Jamais pensei que desse lado alguém achasse o que escrevo merecedor de destaque.  

Foi com surpresa que constatei que havia sido feito um link de um dos meus pequenos textos para os destaques.

O meu sorriso foi rasgado perante a alegria sentida.

Não pelo destaque em si, mas porque alguém gostou do que escrevi.

Um só alguém que pode fazer a diferença.

Como faz a diferença um só alguém em particular (espero que o saiba e que o sinta) que me acompanha desde o primeiro dia que entrei nesta "casa" que é de todos nós.

Nesta casa onde, como diria Zeca Afonso, é bem vindo "quem vier por bem".

 

Sei como se agradece.

Continuando a escrever com o coração. 

Sorrindo para cada um de vocês mesmo que o meu sorriso não vejam.

Dizendo "obrigada" a cada um de vocês mesmo que os vossos rostos não vislumbre. 

"Ver" torna-se desnecessário quando conseguimos Sentir.  

 

E como para mim a escrita e a música estão intimamente ligadas, partilho convosco uma música que expressa o reconhecimento da importância que o instrumento pelo qual expressamos o nosso Ser, seja ele uma Guitarra ou uma caneta, assume na nossa Vida.

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25
Mai18

"Sou feito de Histórias... mas de Histórias que não se repetem!"

gaivotazul

A sua vida tinha chegado a um ponto em que estagnara. As rotinas, a previsibilidade dos eventos, haviam-na esvaziado de qualquer vestígio de esperança e expectativa pelo dia de amanhã. Tanpouco pelo dia de hoje. Sentia-se esgotada. Atirada ao chão. Vencida por um cansaço tão físico quanto emocional. Cumpria com todas as suas tarefas e obrigações sem qualquer paixão. Simplesmente porque sim. Porque era o que dela se esperava.

Por tudo isto, o seu passado parecia-lhe bem mais desejável do que o seu futuro. Do que o seu presente.

Era com ele que sonhava, era nele que se refugiava. No seu passado. Nas suas Histórias...

 

Estava perdida nas suas recordações. Absorta. Nada via em volta senão as imagens vívidas das suas memórias evocadas.

Algo a arrancou do seu estado de torpor. Uma voz. Uma voz quente, doce, algo rouca (ou assim lhe pareceu) que lhe cantou ao ouvido "Sou feito de Histórias, mas de Histórias que não se repetem".

"Que não se repetem"... A frase ressoou dentro de si, surpreendendo-a  pela intensidade do significado atribuído.

"Que não se repetem"...

Sentiu-se despertar de um sono profundo que não desejava para si. Sentiu a vida que se desenrolava à sua volta e à qual ela pertencia por direito. À qual constatou ser seu dever agarrar-se. Para construir novas Histórias. Para as vivenciar. Para preencher com elas as páginas ainda em branco do seu caderno. Nunca para as repetir.

Constatou ser ela própria "feita de Histórias... mas de Histórias que não se repetem".

Sorriu. Uma voz que lhe cantara ao ouvido fizera regressar a paixão. 

Então, continuou o seu caminho cantando para outros o que haviam cantado para ela... 

.

 

 

24
Mai18

Quando a Luz se Apaga...

gaivotazul

Percorro em passo acelerado os corredores de livros perfeitamente alinhados. Demasiado alinhados. Não me posso deter pois foi outro o motivo que me trouxe até aqui. Não consigo no entanto evitar que o meu olhar sobre eles recaia.

Antes mesmo de saber qual o seu conteúdo, já o seu nome me prendera a atenção, aguçando os sentidos.

"Quando a Luz se Apaga"... Não resisti a repeti-lo em voz alta. Uma e outra vez. Acendeu-se algo em mim. A vontade de escrever a partir desta pequena frase - "Quando a Luz se Apaga". 

 

Quando a luz se apaga, o escuro vem ao nosso encontro. Com ele o infinito. Nele cabem os medos e os sonhos. O preto e todas as cores. O silêncio e todos os sons. A solidão e o aconchego. A dor e o Amor. O vazio e a plenitude. A ansiedade e a coragem. O desespero e a esperança.

Quando a luz se apaga, algo em nós se acende. Despertamos os nossos sentidos, abrimos a porta às possibilidades, ao imaginário. Tateamos o caminho e descobrimos outras formas de ver. 

Quando a luz se apaga, descobrimos que até então estivéramos às escuras. 

 

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22
Mai18

Antes de adormecer...

gaivotazul

 

 

  

IMG_3325.JPGQuando eu era pequenina, antes de adormecer, ouvi muitas vezes aminha mãe contar-me esta história. 

Escutava cada palavra. Procurava entender o que eu não compreendia. Que pudesse haver dois lados do Mundo.   

Sonhava com um Zé Pimpão. Com uma Maria-dos-olhos-grandes. Com um Mundo com um só lado. 

 

Hoje sou eu que lê esta mesma história aos meus filhos. Acalentando que, como eu, sonhem com um só lado do Mundo. Com uma Maria-dos-olhos-grandes. Com um Zé Pimpão.

Desejando que na Vida tenham sempre quem lhes dê a mão e os ajude a fazer do sonho... Realidade. 

 

Conhecem a história?

Gostaria de aqui a deixar para vocês.

Não o podendo fazer escrevo aqui não a forma como termina, porque essa cabe a cada um de nós, mas o modo como o autor a conclui. 

 

"Zé pimpão vamos fazer 

que haja um só lado do mundo

ou só o lado de cá 

ou só o lado de lá

Zé pimpão eu queria o mundo

com todos do mesmo lado 

Se não há jardins para todos 

vou dividir os canteiros  

se os canteiros não chegarem

uma flor para cada um

e se as flores forem poucas 

há pétalas 

enfim há cheiro

mas todos terão igual."

                                           Canuto Jorge Glória  

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22
Mai18

A Gift...

gaivotazul

Quando a música começa, regresso aquele cine-teatro.

Um espaço pequeno, uma sala repleta.

Cadeiras de estofos verdes rasgados ou remendados. Teias de aranha que pendem dos projetores por todo o teto. Pó. Pó que a luz ilumina ao incidir em tão ínfimas partículas fazendo-as brilhar. E no palco? No palco uma pequena e inexperiente banda acompanhada por uma orquestra que anos mais tarde se consagraria no panorama musical português. 

Nunca antes tinha visto ou ouvido algo assim. Para mim eram inovadores e irreverentes em tudo o que compunham. Não eram pequenos. Não eram inexperientes. Eram tudo o que eu jamais ouvira. 

A sala daquele cine-teatro foi pequena perante tamanha grandiosidade. Os aplausos, de pé, ecoaram por largo minutos. 

Eu, eu pude presenciar tudo isso. Um verdadeiro privilégio. Que recordo e evoco sempre que ponho esse mesmo álbum a tocar. E regresso instantaneamente aquele cine-teatro. Onde voz, teclas, cordas, sopro, caixas e corações se uniram para criar e vivenciar algo único - Música! Verdadeiramente, a Gift...

 

 

21
Mai18

As Minhas Sapatilhas Amarelas!

gaivotazul

Este não é um texto sobre sapatilhas. É um texto sobre uma das minhas memórias de infância. Daquelas que colocam um sorriso no rosto e aquecem a alma.

Este não é um texto sobre sapatilhas. É um texto sobre "As Minhas Sapatilhas".

 

Não sei ao certo que idade tenho. Seis, sete anos talvez. São horas da ginástica. Ginástica à séria. Não da que se faz na escola. Mas num ginásio. Se bem que é um ginásio pequeno e polivalente. Diria que nunca fui praticante de Ginástica enquanto modalidade desportiva. Talvez tenha sido sem que nunca o tenha percebido. Seja como for, são horas da ginástica e cumpre-se o ritual. Coloco o meu maiô azul celeste e calço as minhas sapatilhas Amarelas.

Sou outra pessoa quando as trago calçadas. Tenho o sol nos meus pés. Sinto-me leve, ágil... feliz. Como se pudesse voar e tocar o céu.

Pouco recordo dos exercícios. Do trampolim ou das cambalhotas. Apenas a sensação de leveza de cada salto alto. Apenas e tão somente a imagem das sapatilhas amarelas nos meus pés. Posso dançar e correr com elas. Posso ser o que quiser com elas. Trago o Sol nos meus pés. Posso ser quem quiser. E o que quero ser, é aquela criança que calça o Sol e sorri porque se sente feliz.

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18
Mai18

Fragmentos...

gaivotazul

Percorro as páginas deste meu caderno, onde textos soltos aguardam a sua vez de ver a luz do dia. Alguns completos outros por completar.

Noutros tantos deparo-me com excertos de poemas ou textos que li faz tempo, mas que de algum modo me tocaram e ficaram gravados em mim. De tempos a tempos afloram, talvez quando deles preciso sem saber.

Livros da minha adolescência, poemas de artistas que viveram antes do meu tempo, que vivem na eternidade do mesmo.

Pequenos excertos que provocam grandes mudanças. No sentir e no pensar. 

 

São só fragmentos, mas dizem-me tanto... 

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