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Páginas soltas...

Páginas soltas...

29
Abr18

Onde estão os teus netos?

gaivotazul

Caminhas com passos lentos. O teu olhar cravado no chão, só ocasionalmente se ergue para perscrutar em redor voltando a fixar-se no chão. Nos teus pés. Nos teus passos. Passos lentos e cansados de quem acusa a passagem do tempo. Passos solitarios de quem tem por companhia uma multidão de pensamentos. Pensamentos que não calam um passado que não volta. Que falam de um futuro de incerteza. As mãos atrás das costas impelem-te a avançar. Seguram-se uma à outra na ausência de quem nelas segure e contigo caminhe. Ao ver-te, não posso deixar de pensar: "- Onde estão os teus filhos? Onde estão os teus netos? Onde está quem na tua mente te segura na mão e segue a teu lado?"

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(Foto da minha autoria)

 

27
Abr18

Dar a volta, Rumar a Casa...

gaivotazul

A música não desapareceu, o Sol não deixou de brilhar em mi(m).

Apenas senti que me estava a fragmentar quando o objetivo é ser tudo o que posso ser, por inteiro. 

Não quero vários blogs compartimentados. Música, imagem, palavra escrita... são todas elas formas de arte e de expressão de um único Ser. De um único Sentir. O meu Sentir. No meu blog. (Espero que  vosso blog também.)

Ainda estou a aprender a navegar nestas águas, por isso que me perdoem os que me acompanham nesta "Viagem sem fim". Não estranhem a mudança no rumo. Às vezes é preciso dar a volta para encontrar o caminho. É isso que me proponho a fazer. Dar a volta. Rumar a Casa. Encontrar o meu caminho.

Enquanto o faço, continuarei seguramente a ter a música por companhia e a partilhá-la com quem a desejar escutar...

Boa noite...

Que encontrem sempre a vossa Casa!

 

 

 

 

27
Abr18

Contra mim falo...

gaivotazul

Cada um no seu passo, uns mais certos outros em atropelo, seguem na mesma direção ou em sentido contrário. Os olhares não se cruzam, os lábios não sorriem, nenhum som deles é emitido. Nem acenos de cabeça em jeito de cumprimento ou votos de bom dia. Nada.

No Mundo mas Dele isolados, seguem ligados às tecnologias enquanto a bateria lhes permitir.

Quase todos sem excepção caminham de olhos postos num ecrã. Na mão um equipamento como extensão do próprio corpo e nos ouvidos os auriculares.

Enquanto escutam ou fingem escutar músicas tão diversificadas quanto cada um deles, não escutam não veem, não falam do que os rodeia, com quem os rodeia.

Passa-lhes ao lado o riso da criança que corre de mão dada com a mãe para a travessar a estrada antes da mudança do sinal, como se de um jogo se tratasse. Passa-lhes ao lado o "Bom Dia" apressado da Dª Luísa que todas as manhãs os netos à escola leva. O "Bom dia" do polícia destacado e estacado no meio da estrada enquanto trabalhos de manutenção decorrem no subsolo. Escapa-lhes o debate aceso dos motoristas de carreira que aguardam o inicio do turno. Perdem o olhar e o sorriso da distribuidora de jornais que diariamente - ao sol, à chuva, ao vento e ao frio - nos presenteia com a sua presença e que, ainda que não a olhem, nos olha e nos sorri.

É certo porém, que enquanto ligados através de um fio, se alheiam do ruído do trânsito, das caras fechadas, das linguagens menos próprias, dos problemas e desabafos de quem os rodeia. 

Passa-lhes todo um Mundo ao lado. Um Mundo de dor com um lado sujo e frio, mas também um Mundo de cor, quente e alegre.

Estão no seu próprio Mundo. Esquecendo-se de aproveitar Este em que vivem.

Contra mim falo...

 

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23
Abr18

Quando estás demasiado próximo do teu limite...

gaivotazul

Tenho um trabalho à minha espera. Um trabalho que não me apetece fazer. Que me irrita pensar em concluir.

Porquê? Porque não reflete as minhas ideias. Porque é uma imposição desnecessária. Um trabalho em vão que não dará frutos. Só porque sim. Só porque alguém se lembrou que era melhor fazer. Porque passa da minha hora de trabalho. Porque deveria ter direito a desligar do trabalho. Porque lá fora brilha o sol mas dentro de mim as nuvens adensam-se.

Porque me apetece mandar tudo para outro lado. Porque tenho que sorrir e acenar afirmativamente mesmo face a um disparate. Porque a paciência é curta e a capacidade de compreensão diminuta. Porque um mais um são dois e não deveria ser preciso explicar porquê. Porque já não me apetece explicar. Nem tentar fazer compreender. O que deveria ser do entendimento de todos. Que algumas regras se aplicam a todos quer concordemos quer não. E que somos nós que temos que nos saber adaptar a elas ou contorná-las. Ao invés de esperar que as mesmas abram  excepções só porque sim. O mundo precisa de sonhadores. A ingenuidade tem um lado doce. Mas tudo tem limites. 

E o meu limite? Está próximo. Muito próximo...

 

23
Abr18

Livros...

gaivotazul

Cresci numa casa de rodeada de livros.

Livros na sala, livros na despensa/ biblioteca, livros na cozinha e nos quartos, livros no quarto de banho e porque não.

Livros amarelecidos pela passagem do tempo, com capas e folhas cosidas à mão. De cantos dobrados e margens escrevinhadas.

Clássicos da literatura, compêndios do saber, livros de ciência e de ficção. Livros para miúdos e graúdos. Que passam de geração em geração.

Cresci numa casa de livros. Onde os meus crescem também. Com livros no coração.

Livros...

19
Abr18

Times's up!

gaivotazul

Estou no carro. Estacionei em segunda fila. Não há lugares mas não tenho para onde ir. Vou ficar aqui mesmo. Dentro do meu casulo. Vendo a vida desenrolar-se lá fora. Os outros correm. Têm para onde ir. Eu não.

 

Ligo o rádio. Identifico de imediato a banda que toca na rádio. Memória auditiva. Sempre me disseram ter “ouvido para a música” Talvez…

 

Simply Red. Enquanto a música passa, todo o meu mundo abranda. Abranda até conseguir voltar a ouvir os meus pensamentos. Reencontro um equilíbrio frágil que sei em breve se perderá.

Sinto-me bem aqui. Um carro e um rádio.

 

Quantas horas passei dentro de um carro. A sós mas sempre tão acompanhada. Um carro sujo, desarrumado, com cheiros característicos que não se identificam. Onde embalagens vazias, restos de alimentos, papéis diversos, clips, moedas, elásticos e outros tantos objetos se podem encontrar. Com pó, pólen e lama. Uma camuflagem perfeita que me isola do exterior. O meu mundo.

 

Percorro as estações. Saltando de rádio sempre que a música não me toca. Aumentando o volume, aproveitando a sonoridade e a insonorização do carro para cantar. Viajando em pensamento enquanto canto. Sonhando com tudo o que gostaria de realizar. Com tudo o que vou realizar.

 

A luminosidade vai diminuindo. A noite já não tarda. O meu tempo a sós está a esgotar-se. Inspiro fundo. Tenho de abrandar. Não antecipar o que virá. Com o cansaço a levar-me a melhor.

 

Time’s up…

17
Abr18

Não sabia que a tinha em mim...

gaivotazul

Estava distraída. Segurava a guitarra e dedilhava alguns acordes ao acaso. De repente os meus dedos, as minhas mãos, começaram a tocar uma melodia que me era familiar, mas cuja partitura nunca havia estudado. “Conheço esta música. Como é que a sei tocar?”.

Surpreendida. Pesquisei rapidamente pelos seus acordes. “Sim, está certo. É esta a melodia que estou a tocar. Como é isso possível?”.

Há um ano atrás, mal conseguia segurar na guitarra. Não acreditava que as minhas mãos a pudessem tocar. Desconhecia que os acordes e travessões que tanto me custavam fazer poderiam ser simplificados. Adaptados a mim. Ao meu sentir e ao meu saber. Tive ajuda. Agradeço por isso. Mostrou-me que “há sempre uma maneira”.

Mas hoje, é por mim que faço o caminho, que procuro a direção a seguir sabendo que se me perder posso voltar atrás. Improvisando, experimentando. Não fico há espera. Não posso. Adoraria fazer este caminho acompanhada. Dividindo as frustrações pelos obstáculos encontrados, partilhando as alegrias pela superação dos mesmos. Pelas conquistas dos sonhos que não foram sonhados a sós.

 

Decidida a experimentar, fui-me embrenhando mais na melodia. Incentivada a continuar por cada acorde, por cada som acertado.

 

Estou grata. Triste e feliz ao mesmo tempo. Como triste é a música cuja melodia tocar me alegra.

Não sabia que a tinha em mim… A capacidade de fazer acontecer. Agora sei.

O que mais terei em mim que ainda desconheço? O que mais teremos cada um de nós? Acho que teremos que arriscar. Arriscar fazer, arriscar ser, arriscar sentir. Só assim saberemos. Só assim saberei. E eu vou saber. Vou saber o que mais tenho em mim.

 

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16
Abr18

Em que pensas?

gaivotazul

Em que pensas é a pergunta que atravessa a minha mente. Quando vejo o teu olhar perdido na linha do horizonte, fitando o infinito, vendo algo que não está lá, pergunto-me, em que pensas.

Pareces tão perdido, tão distante... E ao mesmo tempo tão certo. Como se soubesses de algo e visses algo que poucos conseguem.

Quando te olhei pela primeira vez, (não quando te vi mas quando te olhei), contemplavas a linha do horizonte. Tinhas caminhado até à linha de água, alheio a tudo o que te rodeava. A única coisa em que o teu olhar se focava estava em frente a ti, para lá do que a vista alcançava.

Enquanto contemplavas o mar, eu contemplava-te a ti. E perguntava-me, “Em que pensas?”.

Não ficaste muito tempo, mas quase todos os dias, um pouco antes do ocaso, descias o areal e fitavas a imensidão à tua frente.

Podias não prestar atenção ao que te rodeava. Mas captaste a minha atenção.

Passaram-se anos. Ainda hoje te apanho perdido, a vaguear para lá da linha do horizonte. Ainda hoje me pergunto, “Em que pensas?”.

Talvez nunca venha a saber a resposta. Já pouco importa saber. Apraz-me apenas sentir que quando pareces perder-te no horizonte, é o momento em que te encontras.

Que possas perder-te e encontrar-te sempre.

 

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13
Abr18

Desafio-te!

gaivotazul

Sim, ouviste bem. Desafio-te!

Desafio-te porque estou cansada de me esconder. De colocar os olhos no chão e me tentar encolher em vão.

Se é para levar contigo, que seja em grande e de frente.

Por isso, desafio-te.

Não, não vou abrir o chapéu. Tampouco vou colocar o capuz sobre a cabeça. Como já te disse, cansei de me esconder. Ao invés, vou erguer o queixo e o olhar. Vou olhar-te bem de frente. Vou pisar todas as poças no meu caminho. Fazer a àgua saltar com o meu chapinhar. Sentir-te cair sobre mim. O cabelo a pingar, a roupa a colar.

Desafio-te. E sabes que mais? Sabe mesmo bem não lutar contra ti e levar-te a melhor.

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12
Abr18

São as Pessoas que fazem as "Casas"

gaivotazul

Quando irão os patrões dar valor aos seus funcionários?

A pergunta é retórica e não pode ser generalizada.

Existem bons patrões. Eu sei. Conheço pelo menos dois assim. um Patrão que coloca o bem-estar dos seus funcionários à frente do seu e dos seus próprios interesses. Que trabalha mais que qualquer um dos seus funcionários, que dá o exemplo, que é o primeiro a chegar e o último a sair. Que não manda. Pede. E que diz sempre “Obrigado” mesmo quando não fazem mais do que a sua “obrigação”.

A questão no entanto tem de voltar a ser colocada. Quando irão os patrões dar valor aos seus funcionários?

 

Há um pequeno café onde ocasionalmente paro antes de chegar ao trabalho. Para ouvir música, para ler, para escrever, para marcar um compasso de espera e tirar um tempo para mim antes de me dedicar novamente aos outros.

Sou sempre recebida com um sorriso e um caloroso ”Bom dia”.

Não sabem o meu nome. Tratam-me por “menina”. Mas sabem sempre o que a menina vai pedir. Do que gosta e como gosta. Da mesma maneira que sabem do que gosta o Sr. Joaquim ou a Dª Rosalina, o rapaz do escritório por cima ou a menina da farmácia ao lado.

Conhecem os seus clientes e todos os dias lhes desejam “bom dia”. Dão dois dedos de conversa, ouvem, falam… tornam-se parte da nossa rotina.

A Patroa? Vejo-a passar por lá. Cara fechada na maioria dos dias. Não sabe quem somos.

 

Antes da Páscoa, a equipa era composta por três. Sim, Equipa. Porque quando se trabalha no mesmo espaço físico, dia após dia, só funciona se forem uma Equipa.

Agora são só duas. Uma das colegas não aguentou a pressão. Noto que uma outra está prestes a ceder. A colega tenta incentivá-la a relevar os acontecimentos.

Não é fácil. Não é fácil quando damos tudo de nós, quando carregamos os nossos problemas e dilemas mas não os deixamos transparecer. Quando fazemos um esforço e somos tudo menos reconhecidos. Respeitados.

Espero que ela não desista. Compreendo se o fizer. A vida é muito curta para a vivermos com acréscimos de angústias e zangas desnecessárias. Mas espero que persista.

É pelas pessoas que venho aqui. São elas que fazem uma ”casa”.

 

Patrões, se estão a ler isto e são dos bons, mantenham-se assim. Fiéis aos vossos princípios.

Se são dos menos bons, coloquem-se no lugar dos vossos funcionários. Sejam o rosto que recebe os vossos clientes. Deem a cara e o corpo ao manifesto. Sejam melhores.

A todos os outros que leem estas linhas, tenham um bom dia e relativizem o que puder ser relativizado.

Amanhã é outro dia. Quem sabe o que nos trará…

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