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Páginas soltas...

Páginas soltas...

22
Mar18

Hoje não quero palavras...

gaivotazul

Hoje não quero palavras.

Palavras ocas e desgastas de tanto repetidas. Vazias de sentido ou significado.

Hoje não quero palavras. Não quero o que foi dito vezes sem conta. Quero tão somente tudo o que nunca foi dito e o silêncio. Esse silêncio repleto de sentido e significado.

Não, hoje não quero palavras.

De que servem as palavras quando esbarram contra uma parede? Quando as conheces de cor mas não lhes reconheces a cor de tão desbotadas?

Guarda-as para ti até que ganhem novo alento. Dá-me antes o teu ombro onde repousar a minha mente. O teu abraço apertado até dele não me querer soltar. A tua mão na minha para que não me perca quando não souber por onde caminhar.

Dá-me a tua presença. Só não me dês palavras.

Hoje não quero palavras...

 

 

 

21
Mar18

Montanha Russa...

gaivotazul

Não sei por onde começar. O melhor talvez fosse nem sequer tentar começar... Tarde de mais para isso. Já comecei.

Não sei por onde avançar. Talvez fosse melhor parar. Ainda há tempo para isso.

Escolho continuar. Mesmo desconhecendo por onde o caminho me levará.

 

Às vezes avanço a medo, às vezes confiante, outras tropeço no meu próprio passo. Tudo isto num só caminho. Tudo isto num único dia. Uma montanha russa no que deveria ser uma linha reta. 

 

Esta manhã escutei uma música. Ao ouvi-la experimentei um sentimento de felicidade. A mesma música que neste fim de tarde me causa uma certa tristeza. Montanha Russa!

 

Não gosto de montanhas russas. Não gosto do desgaste causado pelas constantes e imprevisíveis mudanças de direção. Da certeza de que a um momento de calmia se sucederá novo sobressalto emocional.

 

Preciso de sair daqui. Alguém sabe como se pára? Esta suposta "diversão" não é para mim. 

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20
Mar18

Uma prova de força...

gaivotazul

Este é o meu canto. O único espaço a que posso verdadeiramente chamar de meu. Pode não parecer muito, mas para mim... é Tudo.

Desde muito cedo conheci a dor da perda. Vivenciei-a demasiadas vezes... Tive a minha quota parte de responsabilidade pela dor que vivi, e da qual fugi. Perdi a conta às batalhas travadas das quais saí derrotada...

Recusei sempre a rendição. Não deixei que me vissem chorar.

Caí. Por mais que uma vez. Mas não deixei que me derrubassem. E da minha fraqueza nasceu a minha força.

 

Este é o meu canto. Criei-o de raiz.

Ao início não passava de um deserto árido onde nada mais havia se não lamentos e desesperança. Nele chorei. Muito. Desesperei.

Precisava de criar algo. De ver algo crescer e não morrer ou desaparecer.

De joelhos no chão, contei à terra, que revolvi com as mãos, os meus segredos. Amaciei-a para que dela nascesse o futuro. Nela enterrei o passado. Com as minhas lágrimas reguei os canteiros sem flor. De joelhos no chão, rezei uma oração silenciosa. Uma e outra vez. Despi-me de tudo o que em mim doía.

 

Este é o meu canto.

Durante muito tempo foi o meu muro das lamentações, o  meu porto de abrigo, o meu refúgio. 

Tempos houve em que nele nada nem ninguém entrava se não a minha dor. 

Hoje exibo-o com orgulho pois de toda a dor nasceu amor, de toda a fealdade a beleza, do meu deserto um jardim. 

 

A guerra está longe de terminar. Ainda não me declarei vencedora. Para lá caminho. Sou uma guerreira.

Prova disso? Este meu canto repleto de Amor.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

14
Mar18

Abranda...

gaivotazul

Porque corres? Para onde corres?

Pareces perdido...

Posso ajudar? Posso fazer-te parar?

Como?

Nao tenhas pressa... Fica aqui.

Senta-te ao meu lado. Só por algum tempo. Ainda temos tempo.

Encosta-te a mim. Entrelaça os teus dedos nos meus. Conta-me o que vai na tua mente. No teu coração. 

Não tenho pressa. Não vou sair a correr. Não tenho para onde ir. Quero ficar aqui. Tenho tempo.

 

Obrigada por abrandares...

 

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12
Mar18

Será que me conheces melhor do que eu?

gaivotazul

Será que me conheces melhor do que eu?

Poderás conhecer-me mais do que eu a mim?

Por vezes acho que sim...

Ligo a música. Pouco ciente do que quero ouvir. Deixo que escolhas. Deixo fluir. Apraz-me o ritmo escolhido. A sonoridade. A mensagem e as sensações que evoca.

No entanto, uma voz interior sobrepõe-se e questiona-me. Estarei a confiar demais? Estarei a controlar de menos?

É só uma musica - digo para mim. Mas e se não for só uma música? E se for toda uma forma de estar na vida?

Dizem que dançamos consoante a música. Se deixar que escolhas a música estarei a abdicar de escolher como quero dançar? De como quero estar na Vida?

Quererei ser conduzida ou conduzir? Poderemos ir alternando? Diz que podemos ir alternando. Pelo menos por agora...

Um dia, talvez amanhã, serei eu a conduzir, a liderar, a escolher a música que quero dançar. Mas hoje, por agora, tu conduzes, tu escolhes. Afinal, podes não me conhecer melhor do que eu mas talvez conheças um lado que eu mesma ainda desconheço.

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07
Mar18

Quando o "Natal" chega sem avisar...

gaivotazul

Chove. Há tanto por fazer. Falta no entanto a motivação.

Sofá, manta, televisão. Digo a mim mesma que é só uma pausa pequenina. Uma pausa pequenina que se estende pela tarde.

"Angel of Christmas". Uma comédia romântica (ou assim a catalogaram). Uma história que, sem mesmo nos darmos conta, nos leva a refletir sobre o que realmente importa na Vida e nos faz feliz. De que há "coisas" que estão destinadas a ser mesmo que não compreendamos o seu porquê no Presente. A seu tempo compreenderemos.

Que por vezes só podemos confiar e seguir o coração, acreditando que tudo dará certo e de que, seja qual o caminho escolhido, estamos no caminho certo.

Um filme que nos brinda com complexas frases carregadas de verdades simples. Frases como "If  you want to belive you have to take a leap. But look too close and the magic's gone.".

Parece um filme superficial, sem grande profundidade de conteúdos. Talvez seja. Mas é nos mais profundo de nós que toca e é à superfície que num sorriso se manifesta.

Um filme de Natal fora de época, perfeito para uma tarde de chuva como a de hoje.

A motivação não chegou. Há ainda muito por fazer. A chuva continua.

Arrumo a manta e desligo a televisão.

Sorrio. É Natal! Se não no calendário, é Natal em mim. 

02
Mar18

"Cinco minutos..."

gaivotazul

Procurava um tempo e espaço para mim. Acabei por me encontrar com o Mundo.

 

É domingo. Amanheceu um dia de sol apesar da ameaça iminente de chuva. Há um local especial onde há muito quero ir. É hoje!

Não disponho de muito tempo, razão pela qual levo o carro e estaciono nas proximidades do meu destino. O resto do caminho far-se-á a pé.

 

Do outro lado da estrada um carro apita. Padrinho, madrinha e afilhada. Invertem a marcha e estacionam junto a mim.

Preparam-se para uma caminhada em família, mas não sem antes a habitual pausa para um café.

Cinco minutos. Só cinco minutos. Consulto as horas e acompanho-os por algum tempo. A conversa flui. Maioritariamente conversa circunstancial que o tempo não permite abordar temas mais profundos. É bom desfrutar da sua companhia. Não estamos juntos muitas vezes. Talvez por isso mesmo sejam agradáveis estes breves e raros momentos.

Despedimos-nos e seguimos direções opostas. Consulto as horas uma vez mais. Tenho de me despachar mas o caminho quer-se feito devagar, observando tudo o que a vista alcança e inalando este doce sabor a mar.

 

Tento capturar o teu voo. Desisto e limito-me a contemplar o teu planar.

 

Novo rosto conhecido que me acena.Um amigo que conclui o seu treino matinal. Sorrisos, algumas palavras trocadas, cinco minutos, beijinhos para casa.

Dois, três passos. Não avanço mais do que isso. Desta vez um vizinho e a família. Não nos vemos há alguns meses. Digo vizinhos por força do hábito. Porque me viram crescer, porque em tempos vivemos na mesma rua.

Cumprimentos sentidos, genuína vontade de saber como estão todos. Não posso virar costas. Sinto o tempo esgotar-se. Cinco minutos que se transformam em dez. Mudança de planos. O meu destino terá de esperar.

 

Queria um tempo e espaço para mim. Acabei por me encontrar com o Mundo. Cinco minutos de cada vez.

Se era o que tinha idealizado? Não! Se foi bom? Foi! E é este nunca saber o que a vida nos reserva, este constatar que os planos que a vida tem para nós podem ser diferentes, por vezes melhores do que os que traçámos para nós, que nos traz a tranquilidade. Que me dá o tempo e espaço para mim. Com os outros. Em cinco minutos.

 

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