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Páginas soltas...

Páginas soltas...

28
Fev18

"... Com Orgulho!"

gaivotazul

Chove. Pesadas gotas de chuva deitadas pelo vento embatem com violência no cimento do chão. Fazem-se ouvir. Fazem-se sentir.

Chove. Fecha o teu chapéu e abraça esta chuva que cai. Aumenta o volume da música que no teu rádio toca e vai.

Abraça está chuva e caminha confiante. Faz-te ouvir, faz-te sentir. Sê a chuva que cai embalada pelo vento. Embate se tiveres de embater, derruba obstáculos, entranha-te, funde-te...

Sê a chuva... com orgulho.

27
Fev18

Sinto o teu olhar cravado em mim...

gaivotazul

Sei que estás aí. Não preciso de olhar para trás para confirmar o que já sei.

Sei que estás aí. Sinto o teu olhar cravado em mim. Sei que no teu silêncio chamas por mim.

Faço um esforço para concentrar o meu olhar em frente. Não me posso virar. Não enquanto a "celebração" não terminar.

Quanto tempo faz que ninguém te toca? Quanto tempo passou desde que te condenaram ao silêncio?

Sei que não aceitaste a sentença, e que por essa razão gritas por mim no teu silêncio.

Pudesse eu subir as estreitas escadas que a ti conduzem e o som da tua alma encheria novamente toda esta catedral.

Aguenta firme. Vais voltar a tocar!

Ainda não sei quando nem como, mas vais voltar a tocar!

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26
Fev18

Cheiro a Café é cheiro a Ti!...

gaivotazul

Ainda não desci as escadas que me conduzem a esse exíguo espaço mas já ouço o barulho que anuncia a tua árdua tarefa.

Não sei se pelos meus pés pequenos se pelos íngremes degraus, chegar a esse teu recanto sempre me pareceu um exercício de equilibrismo ou contorcionismo, como se só os mais ousados tivessem permissão para a ele chegar.

Uma pequena cortina enegrecida oculta a magia que nele ocorre.

A luz, improvisada, ilumina a tua pequena área de trabalho. 

Corro a cortina e aí estás tu!

Da mesma solta-se uma névoa de pó  castanho  que exala um doce odor. Sorrio. Afinal todo tu estás envolto na mesma névoa. Das tuas mãos ao teu cabelo, todo o teu ser coberto desse pó que da magia resulta. É todo um processo de transformação, desempenhado com muita paixão, que pelas tuas mãos ocorre.

Num grande e pesado saco, (seria de sarapilheira?), no chão pousado, grãos de café aguardam pacientemente a sua vez. Uma espécie de copo medidor metálico recolhe-os e deposita-os num funil de uma grande e velha máquina na tua frente. Não consigo ler as letras que ela estão gravadas. Há muito que perderam a nitidez. O azul da sua maquinaria, desbotado, deu lugar a um cinzento. Talvez seja somente o resultado do pó e da fuligem que a cobrem...

Musica. Oiço música quando os grãos de café caiem um a um no reservatório, embatendo com alegria uns nos outros. É uma espécie de chuva musical.

Enterro as minhas mãos no saco, encho-as o mais que posso e faço chover grãos de café. Música.

nao me recordo se era um processo manual ou semi automatizado. Sei que de um outro extremo da máquina jorrava um lindo, fino e solto pó castanho com o mais envolvente dos aromas.

Pequenos sacos acomodavam esse tão delicado pó castanho.

Lá em cima, no piso superior onde a luz do sol entrava, clientes aguardavam pelo privilégio de levar o resultado do teu labor, que mais tarde lhes proporcionaria momentos de prazer a sós ou em família, enquanto numa cafeteira repousava o "café da avó" ou na chávena que lentamente  sorviam enquanto tão precioso líquido lhes aquecia as mãos, a alma e o coração.

Guardo em mim todos estes pequenos grandes momentos. São eles que me aquecem a alma e o coração. Quanto às minhas mãos, aquece-as o café que entre elas seguro.

Sorrio. Inalo o seu aroma e sorrio...

Sabes..., cheiro a café é cheiro a Ti!

 

19
Fev18

Abismo...

gaivotazul

Já lá estive. Mais do que uma vez.

Tenue é a linha que nos separa do vazio. Vincada é a fronteira que une os dois espaços. Chão firme que parece fugir. Ar que não se agarra mas que nos parece querer.

Abismo...

O que estará do outro lado? Será loucura ou sanidade interrogar-me?

Como seria por vezes tão fácil descobrir. Dar o passo em frente. Não travar quando ele surge diante de nós e nos convida. À loucura ou à (in)sanidade.

Se abismo e loucura andam de mãos dadas. Se loucura e libertação podem ser sinônimos. Então, abismo e libertação podem ser um só.

Não posso condenar quem encontrando-se na fronteira deu o salto por sentir já nada o prender. Quem perante o abismo se deixou ir procurando não a liberdade mas a libertação de tudo o que o consumia. Quem finalmente gritou o que não podia mais calar. Quem bateu na mesa e nela mostrou as cartas.

Abismo... 

Bem mais do que um espaço físico.

Abismo...

Um lugar bem dentro de nós.

O meu abismo?

Perder finalmente o controlo das minhas emoções. A elas me entregar para, quem sabe, ganhar o controlo sobre a minha vida.

16
Fev18

Pedras da calçada...

gaivotazul

Acordo decidida a despir-me das vestes pesadas e sombrias que me têm coberto nos últimos dias.

Posso e devo fazer mais do que tenho feito. Sou e posso ser mais do que o que me tenho permitido.

Nao serei constante, é certo! Como não são constantes as marés. Mas posso tentar ir ao sabor da corrente, tentar contorna-lá se assim me aprover.

Para o início da viagem de hoje escolho um álbum antigo por companhia. Pedras da Calçada de Paulo Gonzo, (1992).

Mistério este que não pretendo desvendar. Apenas apreciar. Que logo a primeira música do álbum transporte a mensagem que preciso escutar. "É nas pedras da calçada que a canção nos sai melhor. É nas pedras da calçada que o desejo abafa a dor".

Pedras da calçada. Chão que pisamos, caminho que percorremos traçando a rota à medida que avançamos. Que o caminho faz-se caminhando. Ou assim dizem. 

Vou percorre-lo. E tu vens comigo!

 

15
Fev18

Sabia que chegarias...

gaivotazul

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Embrenhada nos afazeres, perdida em pensamentos, sou subitamente arrancada do turpor pelo toque do teu raio que inrompeu pela janela iluminando o meu rosto e aquecendo a minha alma. Sabia que chegarias, não sabia quando o farias.

Antes do dia findar, antes que a noite se instalasse, na linha do horizonte, fizeste-te notar.

Algo em mim se acendeu. Fizeste-me acreditar.

Trouxeste-me um pouco de esperança, de energia a este meu "cansar".

Tive vontade de cantar e por isso cantei. Dizia a canção que "é preciso morrer e nascer de novo (...), (que) a Vida não é dia sim dia não, (que) é feita em cada entrega alucinada pra receber daquilo que aumenta o coração".

O refrão cantado com renovada convicção no "encore", acreditando, sentindo, que nesta minha entrega ao cantar me liberto e encontro o que aumenta o meu coração.

Foi fugaz o teu aparecer, mas duradouro o teu poder.

Sabia que chegarias... 

 

15
Fev18

Mas até lá...

gaivotazul

Dia cinzento, corpo cansado, a alma por arrasto cansada e cinzenta. Dói por razões que não devia. Dói porque não me liberto das recordações ainda tão marcadas. Preciso de as deixar ir...

O meu refúgio, a música. O piano e a guitarra e duas vozes sentidas que cantam o meu sentir. Aumento o volume e deixo que a batida me transporte e proporcione conforto momentâneo.

Dia cinzento. Posso chorar? Talvez se me revoltar... Posso gritar?

Reprimo o grito, contenho as lágrimas, canto e escondo o sentimento. O sol irá brilhar mas até lá (...)

10
Fev18

...

gaivotazul

Hei-de regressar! Devagarinho, mas Hei-de regressar... como regressam os primeiros raios da manhã após uma longa e escura noite.

Gradualmente essa luz que nos surge no horizonte instalar-se-á e sem darmos por ela será manhã.

Assim irei eu regressar e será como se nunca me tivesse ausentado...

A noite não existiu, e se existiu foi apenas para que nela se fizessem notar as estrelas. 

De igual modo a ausência não existiu. E se se fez notar foi tão somente para que a saudade tomasse o seu lugar.

Sossega coração, tranquiliza o teu bater. Repousa a tua mente pois todas as respostas podem esperar.

Importa apenas reter que hei-de regressar.

 

 

 

01
Fev18

A muralha ruiu...

gaivotazul

Foram dois dias de angústia contida, de expectativas, de ansiedade (mal) disfarçada perante a antecipação do que poderia vir. Rezando aos antepassados, apelando a uma entidade superior para que interviesse e para que fossem infundados os meus receios. Impedindo outros de pronunciar em voz alta os seus pensamentos para que os mesmos não se concretizassem. Parecia estar a resultar...

A tua vivacidade, a tua vontade de brincar... E do nada, começaste a tremer. Dizias ter frio e por mais que te esfregasse e tentasse aquecer, parecia lutar em vão contra o tempo que passava.

Não sei se a luz ou o pavor no meu olhar toldavam o discernimento, mas as cores do teu rosto, do teu lábio pareciam mudar.

"Não posso perder o controlo. Pensa! Tu sabes o que fazer." - dizia para mim...

Por momentos pensei que o pior já passara. Paraste de tremer mas fechaste os olhos e adormeceste. Algo não estava bem.

Senti a tua pele nos meus lábios. Queimava. Há medida que os números cresciam, a minha pulsação aumentava.

A viagem de carro que se seguiu parecia interminável. O desejo de que todo o tráfego desaparecesse.

Mantive o controlo aparente até que me senti a sós contigo naquela sala de espera onde cada segundo dura uma eternidade.

Sabia que daí a nada estaria tudo bem, que não passaria só um susto, de mais um episódio para contar ou esquecer. Mas uma vez naquela sala, revivendo momentos de angústia passados mas não ultrapassados, cedendo ao cansaço que tolda a razão, a muralha ruiu. Ruiu e com ela veio a enxurrada que turvou a visão pelo sal das lágrimas já não contidas. A libertação das mesmas trouxe paz, alívio, uma suave tristeza de quem rodeada de estranhos se sente só e impotente ao envolver-te num abraço. 

 

A muralha ruiu. Ainda não voltei a erguê-la. Não houve tempo. A torrente de água de sal foi interrompida porque uma vez mais a necessidade de auto-controlo se impôs. Havia que contar e recontar a sucessão de eventos por ordem cronológica, tentando não deixar de lado nenhuma informação importante, tentando reter na memória as indicações que me eram passadas.

 

Hoje, ainda que não o queira enunciar em voz alta pois o receio do que pode ou poderia vir ainda permanece, pergunto-me como se passou do 8 ao 80 e novamente ao 8 com tamanha aparente facilidade. terá sido tudo um sonho? Sonho ou pesadelo não sei mas resquícios das emoções causadas ainda permanecem em mim.

Levará algum tempo até que sejam só um vestígio do passado pois esse passado tornou-se novamente presente muito recentemente.

É que, sabes... a muralha ruiu...

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