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Páginas soltas...

Páginas soltas...

25
Jan18

Segundas oportunidades...

gaivotazul

Segundas oportunidades... Fará sentido dar segundas oportunidades quando as pessoas nos desiludem, desapontam, magoam, erram? Fará sentido permitir que um mesmo evento possa ocorrer? E se ao fazê-lo o desfecho for outro? Se for melhor? Surpreendente até? Sim, já me desiludiram, desapontaram, magoaram... E sim, também eu desiludi, desapontei, provavelmente magoei e errei. Muito! Não sendo possível desfazer o passado, se me fosse permitido ao menos diminuir a desilusão, o desapontamento, a mágoa... tentaria por todos os meios fazê-lo. É que, na vida, há coisas que não acontecem duas vezes. No entanto, ocasionalmente a segunda oportunidade é oferecida. Se nos deparamos com ela é nossa obrigação agarrá-la e fazer mais e melhor. Ou pelo menos tentar. Por isso, não posso nem devo deixar de dar segundas oportunidades. Mesmo correndo o risco. Afinal, "se deixarmos de dar segundas oportunidades, as pessoas deixam de tê-las". Nós incluídos.

22
Jan18

"A pele que há em mim"

gaivotazul

É cedo. Ainda disponho de cerca de dez minutos até chegar ao emprego. O semáforo para peões ficou vermelho. Tanto melhor. Enquanto aguardo a mudança de sinal, dá-me tempo para olhar o céu e nele ver cruzar uma gaivota que plana ao sabor do vento. Desço o olhar e observo de modo fugaz outros transeuntes que rasgam estas avenidas em todas as direções. As nuvens encobrem o sol tornando o vento de norte mais gélido. Levo ao mão ao bolso. Retiro os auscultadores e desenrolo os fios que se emaranharam em nós de contorcionistas. No telemovel, percorro a lista de sugestões e detenho-me nas baladas. Não reconheço o título. Peço em surdina "Surpreende-me por favor". Hoje quero ouvir cantar em português. Quero sentir as emoções na nossa língua expressadas. Primo o play e a viagem começa... Rendida. Assim me encontro eu. Rendida a uma "palavra" dura, pelas cordas de uma guitarra amaciada. Doce melodia em que o dedilhar alternado de dois acordes dita a suave cadência. Dois acordes, duas vozes, um só sentimento.

O sinal há muito ficou verde. Os dez minutos que restavam esgotaram-se. O local de trabalho diante de mim. Desligo a aplicação do telemovel, arrumo os fios que na certa se tornarão a emaranhar, e entro resignada. Estranhamente (ou talvez não), a música não se desligou e continua a tocar...

"Dá-me o mar, o meu rio, a minha estrada. O meu barco vazio na madrugada Vou deixar-te no frio da tua fala. Na vertigem da voz Quando enfim se cala."

18
Jan18

Lembras-te? Sei que sim...

gaivotazul

Van gogh.png

 

 

Olho o quadro na parede. O empregado de mesa nele retratado devolve-me o olhar. Parece interrogar-me sobre o porquê de o olhar deste lado, ao invés de me sentar naquela esplanada, em plena "piazzenza", parando para contemplar o céu estrelado que ilumina e aquece aquela fria noite de Novembro. 

Ali ninguém tem pressa. Ninguém conta o tempo. Ali o tempo não passa. Ali o tempo vive-se. Vive-se ao sabor das conversas pausadas que fluem como as águas de um rio, entrecortadas pontualmente pela gargalhada cristalina da jovem sentada na mesa do canto. De onde me encontro, não consigo perceber o quê ou quem a faz (sor)rir assim, mas parece-me feliz e isso deixa-me feliz.

Convida-me a sentar. Acedo e agradeço a oportunidade de poder voltar a pisar aquela praça e de nela me poder sentar. Pergunta-me se vou desejar alguma coisa. Não hesito. - Um creme catalão, por favor!, (digo de modo quase impulsivo).

Fecho os olhos e saboreio cada colher de tão doce sobremesa. Mantém o mesmo sabor. Não se alterou desde que o comi pela primeira e última vez. Lembras-te? Sei que sim...

Preparam-se para fechar. As luzes já diminutas, as cadeiras em cima das mesas, a vassoura na mão. Olha para mim e sorri. Diz, - Não precisa de se levantar... e pode sempre voltar.

Voltarei seguramente. Disso podem estar certos. Mas por agora, volto ao presente, viro costas ao quadro, não sem antes acenar ao empregado de mesa que continua de pé sem de mim desviar o olhar e sorri. 

 

 

17
Jan18

A inquietude que antecede a tempestade

gaivotazul

Passei o dia inquieta. Incapaz de encontrar a música em mim. Como a instabilidade que se sente no ar antes da tempestade desabar.

A música chegou e com ela a notícia da tua morte. Uma profunda tristeza abateu-se sobre mim. Sinto a tua partida. Ainda que não o saibas nem nunca venhas a saber a tua obra significou, significa muito para mim...

Adormeci, dormi e acordei muitas vezes ao som das tuas músicas. Revi-me em muitas das tuas letras. Ensaiei os seus acordes transmitidos de forma simplificada para que os meus dedos os pudessem tocar. Cantei os teus versos sentindo-os como meus.

Não importa porque partiste nem para onde partiste. Sei que não me deixaste só. Deixaste-me a tua música e as memórias de todos os momentos ao som dela vividos.

Passei o dia inquieta.Não estou mais... A tempestade já desabou.

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12
Jan18

Por vezes, nem sempre...

gaivotazul

"(...) viera à procura de paz, de sossego, de solidão. E acabou com uma casa cheia de pessoas e de ruído. (...)" Nora Roberts, A Obsessão Nem sempre se encontra o que se procura. Nem sempre o que julgamos ser melhor para nós o é. Por diversas vezes também eu procurei a paz, o sossego num qualquer recanto de um jardim ou num extenso areal deserto. Por um motivo qualquer por mim desconhecido, nesses momentos em que buscava o silêncio algo ou alguém surgia. E o que pensei que seria não foi, e o que pensei que teria não tive. Não, nem sempre se encontra o que se procura. Por vezes, por vezes encontramos o que (nem nós sabíamos que) precisávamos...

12
Jan18

"Eu nunca..."

gaivotazul

Eu nunca... Eu nunca... (repito para mim mesma). Eu nunca... (e a frase morre aqui). Cedo ouvi dizer "nunca digas nunca". E no entanto, cedo comecei a dizer "eu nunca" fiz ou disse, farei ou direi. Poderia enunciar a lista quase infindável do que não fiz e do que não farei, do que não disse e que não direi. E desse exercício resultaria apenas factos do passado que são irrevogáveis ou expectativas futuras incontroláveis. Regresso então ao presente, ao aqui e agora e à frase "eu nunca..."

Fecho os olhos, inspiro e expiro lentamente. A letra surge tímida, algo receosa de não corresponder à verdade, mas ainda assim verdadeira. "Nunca me esqueci de ti. Não nunca me esqueci de ti". Sei que assim foi e que assim será... Eu nunca me esqueci de ti e sempre me lembrarei de ti. Mesmo que tentasse deliberadamente esquecer-te, fracassaria porque a tua presença faz-se notar quando menos se espera. Pudesse eu arrancar-te de mim e mesmo assim não o faria. Eu sei, ainda que não o saibas, que (eu) nunca (não, nunca) me esqueci de ti...

09
Jan18

Fascinas-me...

gaivotazul

Fascinas-me...

Sempre que transponho os degraus e passo a barreira do exterior, delimitada pela tua pesada porta que se abre de par em par, sinto que entro num espaço privilegiado carregado de história e que nos sussurra estórias passadas, reais ou imaginadas, encenadas e no teu palco representadas.

O som pesado do silêncio é interrompido pelo burburinho de excitação dos que te visitam. Em ti cabem todas as emoções. A lágrima, o riso, a raiva, a esperança e o desespero. Todas elas aplaudidas de pé numa última ovação com o foco de luz a incidir nas tuas tábuas negras.

Partes de ti transfiguram-se, adaptam-se ajustam-se a cada nova encenação. Outras, outras permanecem imutáveis ao longo dos anos, décadas, quase um século.

Olho as tuas cadeiras forradas a verde. As tábuas corridas que cobrem o teu chão, os degraus de pedra que nos levam ao primeiro balcão e ao último anel. Aí, quase podemos tocar o céu pintado com frescos antigos mas tão vividos. E lá em baixo, o teu palco negro ligeiramente descendente escondendo os camarins onde a transformação se inicia. As tuas cornijas esculpidas, as tuas pesadas cortinas, as grossas cordas em roldanas que as sustêm. 

Diria que já estive em cada recanto dos teus espaços, e ainda assim, sinto que de todas as vezes que nele entro algo mais há a descobrir. Que algo mais queres contar.

Já pisei o teu negro palco, já incidi nele o foco de luz e já fui quem sabe o foco em cima dele ao cantar e representar.

A assistência presente poderia pensar que para eles  atuava. Tu e eu sabemos melhor. Sabemos que apenas o foco de luz que em nós incidia testemunhava que nada mais existia para além de Tu e Eu.

Talvez por isso me fascines... 

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06
Jan18

Gosto...

gaivotazul

De uma história que me envolve e me faz refém de um tempo que não vejo passar. Gosto... De rir e de chorar com as personagens que me convidam a entrar nas suas vidas narradas em paginas que se sucedem. Gosto... De dobrar os cantos das páginas do livro que me pertence para a elas mais tarde regressar. Gosto... Que a noite chegue para, e se o sono tardar, à história regressar.

05
Jan18

"Coisas que me fazem ficar feliz"

gaivotazul

Coisas que me fazem ficar feliz?

 

Um dia cinzento como o de hoje, em que a chuva bate na vidraça e as suas gotas desenham caminhos imaginários.

Em que o sofá se torna convidativo e a manta nos envolve num quente abraço.

Onde um chocolate quente nos aconchega a alma e a comédia romântica que passa na televisão nos faz sorrir de lágrimas nos olhos.

Um dia cinzento como o de hoje no qual as cores se intensificam e os sentimentos se clarificam.

 

Tantas e tão pequenas coisas me fazem ficar feliz...

Mas hoje, aqui e agora, fiquemo-nos somente com um dia cinzento como o de hoje.

A seu tempo, amanhã e em qualquer lugar, quem sabe o que me fará ficar feliz?!(...)

 

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