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Páginas soltas...

Páginas soltas...

31
Dez17

Só uma fase? Talvez...

gaivotazul

Dia após dia esquecemos quem fomos. Escondemos quem somos. Mascaramos sentimentos, erguemos muralhas, tentamos em vão proteger-nos do que nos magoa. É difícil tentar guardar em nós os sentimentos que não calam e que sussurram por entre pequenas brechas que se vão abrindo. Esta noite, enquanto adormecias ao meu lado, uma melodia começou a ressoar em mim. A princípio não a conseguia descortinar. Era como se de uma mensagem encriptada se tratasse. Fui juntando as palavras e consegui evocar uma música que há muito não escutava. O porquê esta, o prquê esta noite?! Se é a música que espelha como me sinto ou se sou eu que nela deposito as minhas emoções, não sei dizer. Tão pouco me importa neste momento. Em qualquer dos casos, seria bom poder sentir diferente. Talvez seja mesmo "Just a silly phase I'm going through"...

28
Dez17

Pergunto-me...

gaivotazul

Pergunto-me se alguma vez darei os passos necessários.

No meu intimo sei o que gostaria de fazer.

Visualizo cada segundo da cena que na minha mente se desenrola.

Imagino e sinto. A certeza de pertencer àquele lugar naquele momento. O sentimento de concretização pessoal. De que somos o que fazemos e de que faço o que sou. De corpo e alma.

 

Pergunto-me se alguma vez ousarei arriscar.

Deixar de temer os juízos de valor de quem me possa ouvir. Desvalorizar as opiniões de quem me possa ver.

Fazer, ser e estar apenas por mim e para mim.

Egocentrismo? Talvez! Mas em algum momento da minha vida terei de fazer o que cedo escutei dentro de mim.

 

Pergunto-me se alguma vez, só por uma vez, sentirei bater no meu peito o riso rasgado de quem fez e deu de si e por si.

Se ouvirei o aplauso quente inundar-me os sentidos como quem grita "Agora sim, estás aqui.", "És tu!", "Porque esperaste tanto tempo?"...

Se terei tempo para continuar à espera enquanto a lua e o sol se cruzam no horizonte e a vida acontece nos outros.

 

Pergunto-me.

E enquanto me pergunto fecho os olhos, adormeço e sonho com todas as coisas que gostaria de fazer na esperança de ao acordar ousar arriscar dar os passos que sei serem necessários.

Pergunto-me...

Quem sabe, amanhã...

 

 

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27
Dez17

Memórias de um teclado...

gaivotazul

Pouso as mãos sobre o teclado e deixo que os dedos encontrem o seu caminho. Que sintam o frio das teclas na ponta dos dedos enquanto procuram o seu calor.

O som das teclas evoca a máquina de escrever com que brinquei e ensaiei o meu primeiro conto. Era criança ainda, mas as tardes livres, muitas delas passadas a sós em casa com a máquina ali pousada na minha frente e este algo que trago cá dentro e que pede para sair, ensaiaram ali os primeiros passos. Apenas um esboço de duas ou três páginas. Um romance adolescente que se cria ser eterno. Não sei para onde foi o esboço mas conservo ainda na memória parte das linhas que o compunham.

Dessas tardes recordo também as horas incontáveis em que explorava os LPs e entoava as letras, memorizando-as, sentido as suas palavras, explorando as suas diferentes sonoridades enquanto via o meu reflexo parcial num vidro baço.

E que escolhas musicais... Dir-se-ia que uma alma mais antiga as escutaria. Não aquela criança refletida no fosco do vidro.

 

Pouso as mãos sobre o teclado. Incapaz de soltar as amarras de vez. Presa a um passado que ainda precisa de ser entendido e quem sabe então, só então...

 

Pouso as mãos sobre o teclado. O cursor a piscar na ânsia de saber o que se seguirá. A espera... a eterna espera... e a memória de tudo o que ficou por dizer...

 

 

 

 

 

22
Dez17

Mostrei-te as minhas...

gaivotazul

Não tenhas medo! Aceitar-te-ei como és. Respeitarei o teu passado, compreenderei o teu presente, abraçarei o teu futuro. Descalça as tuas luvas de renda e deixa que veja as tuas mãos (im)perfeitas. As tuas calosidades, as tuas cicatrizes, as tuas manchas. Deixa que te toque e te sinta como és. Sim, são bonitas as tuas luvas. Protegem-te, talvez até te aqueçam. Mas também te impedem de tocar e de sentir. Criam uma barreira, ainda que por vezes imperceptível, e distanciam-te de quem te quer próximo. Não tenhas medo. Revela os teus sentimentos, dá a conhecer os teus pensamentos. Podem-te parecer negros. Mas também negra é a noite antes dos primeiros raios da manhã. E que importa? Saberei escuta-los ainda que não os compreenda. Também as minhas "mãos" têm cicatrizes, também os meus sentimentos me parecem (im)puros. E que importa? A mim já não me importa... Quero voltar a tocar e a sentir. Quero despir estas "luvas de renda" que encobrem quem sou. Tirei as minhas. Deixei-as cair no chão. Estou exposta. Tenho receios. Mas estou como sou - imperfeita, e sou como estou - desprovida de agasalhos que me protegem mas que me escondem. Mostrei-te as minhas mãos. Será que me mostras as tuas?

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21
Dez17

Porque a Magia do Natal começa no teu coração e perdura nas tuas memórias...

gaivotazul

Porque a Magia do Natal começa no teu coração e perdura nas tuas memórias, o Natal precisa de tempo para se instalar; precisa de tempo para ser vivido.

 

Natal não são as horas em contagem decrescente num rasgar desenfreado de papéis de embrulho, mal reparando no seu conteúdo produzido em série e adquirido sem grande ponderação numa qualquer superfície comercial só para despachar o assunto.

 

Este ano ainda não tive tempo para deixar entrar o Natal. Ainda não o convidei a instalar-se e ainda não lhe pedi para ficar. 

Em todo o lado antecipam-se os votos de Boas Festas, adotando um termo inespecifico por receio de desejar Feliz Natal a quem possa não o viver.

 

Também eu quero desejar Bom Natal, mas quero mais ainda Sentir o Natal. Abrir-lhe a porta do meu coração, convidá-lo a entrar e deixá-lo instalar-se. Só uma vez dentro do coração a Magia do Natal acontece e sem darmos conta construimos memórias que o tornarão eterno.

 

Se me fosse concedido um desejo, seria o de que a Magia do Natal pudesse acontecer no coração de todos e em cada um.

 

Porque para mim...

Natal é uma maratona de filmes na companhia dos primos mais velhos.

Natal é o pijama fofo e quente que não dispo.

Natal é a família reunida entre conversas e gargalhadas à volta de uma mesa (nem sempre) farta.

Natal é não ter hora de "recolher" e ficar acordado até tarde.

É o cheiro das filhoses acabadas de fazer e a colher de pau de arroz doce para comer.

São as fantasias de chocolate penduradas na árvore, as agulhotas do pinheiro que me picam os dedos.

São dois embrulhos iguais sabendo que um é meu e outro é teu.

São as memórias dos abraços, beijos e frases ditas e sentidas de Natais passados.

Natal é visitar todos os presépios da vila e arredores.

É sair à rua apesar do frio só para ver as luzes que se acendem e aquecem corações.

Natal é passar a tarde a fazer bolos na cozinha na tua companhia.

É escrever uma palavra de agradecimento a quem amamos e enviar um postal a quem está longe.

É não sair de casa no dia 25. É ficar aninhado no sofá a ver filmes de animação da Disney.

É brincar com o mano porque pelo menos nesse dia não nos desentendemos.

É desejar que o dia não termine porque com ele findará a Magia do Natal. Porque da noite para o dia todos se parecem esquecer do seu significado e voltam a fechar os corações e a viver numa azáfama onde nada nem ninguém é convidado a entrar e a ficar.

 

Porque a Magia do Natal começa no teu coração e perdura nas tuas memórias, dá-lhe tempo para se instalar, convida-o a ficar, vive-o.

 

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20
Dez17

São tantas e sem...

gaivotazul

 

São tantas as interrogações que aguardam resposta...

Mas estas tardam e a esperança dá lugar à inquietude que a custo empurro para um canto na esperança de que elas permaneçam na penumbra do tempo.

Mera ilusão ou ingenuidade de criança achar que consigo ludibriar o tempo e abrandar o seu ritmo.

 

As interrogações acumulam-se e ganham expressão enquanto se atropelam na procura das respostas.

Como acalmá-las? Como lhes dar o que não tenho?

Para onde foram todas as respostas e certezas que em tempos foram minhas?...

 

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18
Dez17

Não quero ir...

gaivotazul

Atravesso o parque. Não quero ir para onde os meus pés me levam... O sol aquece-me o rosto encorajando-me a seguir. A música... katie Melua... calma... triste... linda... "In Winter" o nome do álbum. Não quero ir para onde os meus pés me levam. Caminho devagar na esperança de fazer a viagem durar para pelo menos a música apreciar. O sol aquece-me o rosto. Inspiro o ar fresco e avanço... devagar...

18
Dez17

Black Swan...

gaivotazul

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Outros nadavam naquele lago de água escura refletindo um céu de chuva iminente. 

Embora iluminassem as sombras envolventes, não era neles que o meu olhar recaía.

Nadavas só, indiferente a quem te observava tentando decifrar o que vias refletido nas águas.

Será que olhavas o teu reflexo, ou observavas mais fundo a tua essência?

Será que te escudavas de todo a olhar para dentro de ti?...

 

Quem apenas olha, de barreiras erguidas, desconhece a verdadeira luz que dentro de ti encerras.

És muito mais do que aparentas. Não te dás a conhecer por medo de sofrer. Como já sofreste em tempos...

Rótulos colocados por terceiros que exerceram o seu poder sobre quem procurava viver sem barreiras erguidas.

 

A chuva começou a cair. Outros nadavam naquele lago. Eu apenas te vi a ti. E ao ver-te, vi o meu reflexo naquela água escura...

 

 

 

 

 

18
Dez17

Azul...

gaivotazul

"Por que é que gostas da cor azul?" Perguntaste.

Por que é que gosto da cor azul? Repeti para mim...

Porque sim não é resposta. 

Porque é que gostas da cor azul? Questionei uma vez mais.

Gosto da cor azul porque azul é o mar em que nasci.

Gosto de azul porque azul é o céu que me abraça.

Gosto de azul porque azuis são os sonhos que me desejas.

Gosto de azul porque me confere tranquilidade.

Gosto de azul porque me lembra de Ti.

Gosto de azul porque ele não é estanque e sendo azul pode ser claro ou escuro e todas as tonalidades no seu intervalo.

Por que é que gosto da cor azul?

Como poderia não gostar?

 

Corazon_Azul_by_HypnoOoLoOove.jpg

 

13
Dez17

Há em ti tanto por desvendar...

gaivotazul

No teu corpo, marcado a tinta permanente, jaz parte da tua história.

Cada traço, cada linha cuidadosamente delineada contam quem foste, quem és, quem gostarias de ser.

Algumas das suas linhas começam a desvanecer acusando a passagem do tempo. Mas em ti, na tua alma tatuada, permanecem com a mesma nitidez de sempre. Inalteradas.

 

Olho a tua história no teu corpo marcada. Perco-me nas suas linhas. Interrogo-me sobre a sua origem e sobre o seu desfecho.

Redelinearia cada uma delas vezes e vezes sem conta até que a tua história fosse a minha história, a nossa história.

 

No teu olhar, tal como no teu corpo, jazem outras tantas histórias que não contas. Fechaste-te em ti. Que segredos guardas?... Sei que lutas por contê-los. O peso do segredo sobre os ombros. Deixaste de olhar o Mundo de frente... 

 

Estou aqui. Não julgarei o teu passado contado na tinta permanente que marca o teu corpo. Não questionarei o teu presente divulgado pelo teu olhar que procuras esconder.

Estou aqui. Se quiseres...

Há em ti tanto por desvendar... 

 

 

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