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Páginas soltas...

Páginas soltas...

28
Set17

O que sei eu sobre ti?...

gaivotazul

O que sei eu sobre ti?

Nada. Muito pouco para dizer a verdade... 

Sei que por vezes pareces escrever sobre mim, outras simplesmente para mim.

Sei que me revejo em pequenas frases, que me encontro em meras palavras.

Sei que a tua aprovação me importa e sei que nada disto devia importar...

O que sei eu sobre ti?

Muito pouco. Nada para dizer a verdade...

Sei que vou construindo uma imagem porventura irreal e desconstruindo outras tantas previamente esboçadas.

Sei que me apraz saber que algures existe alguém que aprecia quem somos, o que somos, pelo que somos.

Sei que me conforta saber que ainda há quem ouse expor os seus sentimentos e revelar os seus pensamentos.

O que sei eu sobre ti?

Sei que muito, pouco ou nada... não é relevante.

Sei que o que sei é o suficiente e que por agora basta.

28
Set17

Quando a música nos escolhe e não o contrário...

gaivotazul

Pausa no trabalho, invade-me a frase e a melodia e começo a cantar "I bought a ticket to the world...".

Talvez reflexo da minha necessidade de evasão por breves instantes mas... "now I've come back again".

Retomo o "batente" mas a musica, essa vai permanecer a ecoar por mais algum tempo.

Que assim seja.

É o que acontece quando a musica nos escolhe e não o contrário...

 

 

 

21
Set17

Última noite de(ste) Verão...

gaivotazul

Esta é a ultima noite de Verão.

Por querer senti-la, fui até à varanda e inspirei o ar frio da noite que já se faz sentir.

Curiosamente ouvi grilos ou cigarras cantar. Tirando esse som, nada lá fora me fez lembrar o Verão.

Talvez seja a confirmação do que venho sentindo nos últimos tempos.

Não que queira antecipar eventos ou apressar ainda mais a vida que por norma já passa por nós a correr. Pelo contrário. É por querer abrandá-la que o meu coração já há algum tempo dá indícios de querer acolher o Outono.

De resto, o Outono é para mim a melhor estação do ano. Sinónimo de reunião familiar. Sinónimo de retorno a "casa". Sinónimo de reencontro comigo mesma e com os outros. De um retorno à calma, de um maior equilíbrio sem os excessos do Verão.

Ainda assim, amanhã quero sorrir à última manhã de Verão e demonstrar a minha gratidão; quero agarrar a ultima tarde de Verão e dedicar-lhe uma canção.

Amanhã, quero abraçar a primeira noite de Outono e dizer que tão cedo não o abandono.

 

Por agora, quero apenas desejar "Boa Noite!"... (a última) de(ste) Verão...

 

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20
Set17

Tão simples!...

gaivotazul

Fecho os olhos apenas por breves instantes, para que o meu passo não se perca do caminho nem saia do trilho traçado.

 

Inalo o cheiro da terra ainda húmida da madrugada que se findou, mas que exala o seu calor.

 

Ergo o meu rosto para o sol e sinto os raios do sol ainda tímido que me tocam.

 

Abro os olhos e contemplo uma das mais belas telas alguma vez pintadas, onde a cor azul predomina na sua imensidão, recortada somente por pequenos apontamentos de branco que a evidenciam.

 

Seleciono a música e deixo que esta me conduza e determine o ritmo da passada e toda a energia envolvente.

 

Todos os sentidos despertam e contribuem para esta sensação de bem estar... é um novo dia que vai começar...

 

Vejo, Ouço, Cheiro, Toco, Saboreio, SINTO.

 

Sou parte integrante deste nosso pequeno mundo e pelo menos por breves instantes tudo parece estar onde devia estar, tudo parece ser como devia ser...

 

Tão simples!...

 

 

18
Set17

Sem pressas...

gaivotazul

Sentada no banco de um pequeno parque contemplo o ritmo da cidade que acordou faz tempo mas que agora se intensifica.

Neste pequeno canto, são tantos os sons que se misturam numa amalgama que desperta os sentidos à medida que os tentamos dissecar...

O som dos aviões que em intervalos de tempo certos rasgam os céus na descolagem, a carruagem apressada do metro que trava ao chegar à estação, o sistema de rega ativado minutos antes e que dá de beber a este pequeno jardim que me rodeia, o chilrear de um pássaro que salta de ramo em ramo, os passos de quem passa, mais ou menos apressado (sem tempo para contemplações, perdido em pensamentos ou ocupado com sentimentos), a buzina de um carro para o condutor da frente que não avançou na mudança de sinal, a conversa indistinta dos vizinhos que se cumprimentam enquanto passeiam os cães, o latido destes últimos, entre tantos outros sons dispersos e difusos.

 

Durante estes minutos que antecedem o inicio de mais um dia de trabalho, ergo o meu olhar e contemplo o céu.

O dia amanheceu um pouco nublado. O vento mal se faz sentir. A calma aparente parece antecipar uma chuva miudinha. Sem pressas...É segunda feira e uma nova semana vai começar...

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12
Set17

(Am)arte...

gaivotazul

Tempo houve em que olhei de lado e com preconceito para o que designava de grafite. Hoje sei que não era de grafites que se tratava mas de meros rabiscos sem sentido deixados em paredes, muros, sinais... rabiscos que aos meus olhos constituíam uma forma de poluição visual de um espaço comum que também me pertencia.

 

Foi a cidade de Barcelona que me deu a conhecer o grafite enquanto forma de Arte e de expressão. Decorria o ano de 2007. A primeira vez a "sós" num outro País, em contacto com uma nova cultura e organização social patente desde logo na paisagem urbana e no seu ordenamento. Ao deambular pelas ruas, na primeira manhã, deparei-me com uma sequência de murais que pela sua dimensão e realismo me prenderam a atenção... Nunca antes vira uma obra de arte (que não um monumento arquitetónico) a céu aberto, disponível a qualquer transeunte, onde a contemplação demorada se impunha, num convite à reflexão.

Nos dias que se seguiram, muitas outras obras me surpreenderam, surgindo nos locais mais inusitados e inesperados. Fachadas inteiras de prédios ou pequenos apontamentos em portas e umbrais...

 

A semente de um amor por uma forma de arte diferente fora plantada naquele momento... Regressada ao nosso País, deixei-a florescer à medida em que a descobria em novas aldeias, vilas e cidades. Onde não esperava encontrar, era surpreendida com a sua presença. 

 

Quando o meu olhar se cruza com uma nova "tela", algo dentro de mim se acende e ... bem... suponho que a palavra que melhor define o sentimento seja felicidade...

 

Mas não são todas as obras nem todos os artistas que despertam este sentimento... Nem tal seria de esperar que acontecesse... uma mesma imagem  desperta em cada um de nós diferentes reações. Afinal, não somos todos iguais, não pensamos todos o mesmo e como tal não sentimos do mesmo modo ou com a mesma intensidade.

 

Gosto de uma imagem que me fale ao coração, que me faça pensar, que me faça rir ou chorar, que me faça sentir...

 

Não sigo o trabalho de um artista específico ou de renome. Um artista anónimo hoje, será amanhã reconhecido...

Contemplo o trabalho de todos e de qualquer um que cruze o meu olhar...

 

Numa rua da cidade encontrei um mural que me fez sentir a dor da solidão e o consolo de uma mão na mão...

uma imagem que despertou tristeza e gratidão...

 

Porque sentir a arte é uma forma de (Am)arte... 

11
Set17

Porque iliteracia, não é igual a ignorância

gaivotazul

Criança sem mãe, filha de pai feirante. Escolas e escolhas errantes, foi deixada para trás. Não aprendeu a ler ou a escrever...

Cresceu solta no mundo. Observando e apreendendo o que a rodeava.

O que a literacia não lhe trouxe, o coração proporcionou-lhe.

 

Aprender a ler, é hoje uma ferramenta acessível à maioria. Saber fazer bom uso dessa capacidade é mais relativo...

No meu caso, essa competência, hoje, possibilitou-me ver um filme, ler as suas legendas e entender a mensagem sublimada nas entrelinhas. Falo de "Stanley & Iris", ou se preferirem, de "Por amor a Iris". Um filme de 1990 que conta com Jane Fonda e Robert de Niro como protagonistas.

A história de um homem simples que por circunstancias da vida chegou à idade adulta sem saber ler ou escrever...

Ficção?!? Talvez seja ficção para uns. Para outros... uma dura realidade.

 

A história de um Homem que por vezes pensou desistir. Demasiado cansado para lutar, sentiu-se tentado a baixar os braços e parar. 

A história de um Homem que na sua prisão - na prisão do seu silêncio, no seu sofrimento pessoal carregado de medo e vergonha por não saber ler, na culpa que suportava mas que não lhe pertencia - revelou toda a sua mestria. 

A história de um Homem que nada devia à sua inteligência e capacidade intuitiva e que ao encontrar quem nele acreditasse desabrochou e tudo conquistou.

 

Esta é também a história de uma Mulher. De uma Mulher com M maiúsculo.

A história de uma mulher que colocou sempre o bem estar dos outros à sua frente, pois deles dependia o seu próprio bem estar. 

A história de uma mulher que aparentemente se resignou a trabalhos menores pela estabilidade da sua família, mas que se revelou incansável mesmo quando se sentia derrotada pela Vida.

Momentos havia, por mais pequenos que fossem, em que olhava à sua volta e sentia felicidade. Sabia então que valia a pena continuar...

A história de uma Mulher calma, paciente, perseverante, meiga, firme... que fez toda a diferença na vida de um Homem.

 

A história de duas pessoas distintas mas que juntas, venceram o medo, a vergonha e se superaram a si mesmas. 

É que, tal como na vida real... por vezes nós somos os nossos maiores entraves. 

 

O que retirei do filme?

Que em qualquer idade podemos e devemos fazer a diferença na nossa vida e na vida dos que nos rodeiam.

Que a Vida e os projetos que para ela traçamos não devem depender da idade constante num pedaço de papel ou documento.

Que a idade da alma é bem maior e mais ávida de crescer e ser alimentada.

Que é grande o que sabe pedir ajuda e aceitá-la.

Que para seguir em frente, por vezes é preciso largar o passado.

Que existem finais felizes, pelo menos para alguns...

 

Nas palavras de Stanley (a personagem),

"Iris, tudo é possível!..."

 

 

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11
Set17

Libélula...

gaivotazul

Não olhei ao tempo.

Sentei-me, esperei... e então pousaste sem receio e ficaste!

 

A luz incidiu sobre ti e captou o meu olhar.

A tua força, a tua agilidade, a tua delicada beleza... esse teu lado intenso e efémero, a tua cor...

Nada sabia sobre ti, mas ao fazeres de mim refém do teu ser, procurei saber o que dentro de ti encerravas.

 

Tu, que tudo enxergas em teu redor; tu que te deixas levar ao sabor do vento; tu que vives como se não houvesse amanhã; tu que sentes mais do que pensas; tu...

Tu que me fizeste sentar, esperar, não recear ... e ficar!

 

Que a visão de Ti possa ser em mim tudo o que representas: esperança, força, coragem, renovação, harmonia e muita luz... 

 Tu...Libélula!...

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04
Set17

Blackbird

gaivotazul

Duas musicas martelam incessantemente dentro de mim. Curiosamente ambas falam de um "pássaro preto" ... prefiro chamar-lhe "melro". O porquê destas duas musicas, não sei... as suas melodias não podiam ser mais díspares, embora nas suas letras encontre um desejo comum... Talvez eu também seja um Blackbird que precisa desesperadamente de voar mas que ainda não aprendeu como...

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(A ouvir simultaneamente em mim Blackbird dos Alter Brigde e Blackbird dos Beatles)

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