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Páginas soltas...

Páginas soltas...

23
Abr18

Quando estás demasiado próximo do teu limite...

gaivotazul

Tenho um trabalho à minha espera. Um trabalho que não me apetece fazer. Que me irrita pensar em concluir.

Porquê? Porque não reflete as minhas ideias. Porque é uma imposição desnecessária. Um trabalho em vão que não dará frutos. Só porque sim. Só porque alguém se lembrou que era melhor fazer. Porque passa da minha hora de trabalho. Porque deveria ter direito a desligar do trabalho. Porque lá fora brilha o sol mas dentro de mim as nuvens adensam-se.

Porque me apetece mandar tudo para outro lado. Porque tenho que sorrir e acenar afirmativamente mesmo face a um disparate. Porque a paciência é curta e a capacidade de compreensão diminuta. Porque um mais um são dois e não deveria ser preciso explicar porquê. Porque já não me apetece explicar. Nem tentar fazer compreender. O que deveria ser do entendimento de todos. Que algumas regras se aplicam a todos quer concordemos quer não. E que somos nós que temos que nos saber adaptar a elas ou contorná-las. Ao invés de esperar que as mesmas abram  excepções só porque sim. O mundo precisa de sonhadores. A ingenuidade tem um lado doce. Mas tudo tem limites. 

E o meu limite? Está próximo. Muito próximo...

 

23
Abr18

Livros...

gaivotazul

Cresci numa casa de rodeada de livros.

Livros na sala, livros na despensa/ biblioteca, livros na cozinha e nos quartos, livros no quarto de banho e porque não.

Livros amarelecidos pela passagem do tempo, com capas e folhas cosidas à mão. De cantos dobrados e margens escrevinhadas.

Clássicos da literatura, compêndios do saber, livros de ciência e de ficção. Livros para miúdos e graúdos. Que passam de geração em geração.

Cresci numa casa de livros. Onde os meus crescem também. Com livros no coração.

Livros...

19
Abr18

Times's up!

gaivotazul

Estou no carro. Estacionei em segunda fila. Não há lugares mas não tenho para onde ir. Vou ficar aqui mesmo. Dentro do meu casulo. Vendo a vida desenrolar-se lá fora. Os outros correm. Têm para onde ir. Eu não.

 

Ligo o rádio. Identifico de imediato a banda que toca na rádio. Memória auditiva. Sempre me disseram ter “ouvido para a música” Talvez…

 

Simply Red. Enquanto a música passa, todo o meu mundo abranda. Abranda até conseguir voltar a ouvir os meus pensamentos. Reencontro um equilíbrio frágil que sei em breve se perderá.

Sinto-me bem aqui. Um carro e um rádio.

 

Quantas horas passei dentro de um carro. A sós mas sempre tão acompanhada. Um carro sujo, desarrumado, com cheiros característicos que não se identificam. Onde embalagens vazias, restos de alimentos, papéis diversos, clips, moedas, elásticos e outros tantos objetos se podem encontrar. Com pó, pólen e lama. Uma camuflagem perfeita que me isola do exterior. O meu mundo.

 

Percorro as estações. Saltando de rádio sempre que a música não me toca. Aumentando o volume, aproveitando a sonoridade e a insonorização do carro para cantar. Viajando em pensamento enquanto canto. Sonhando com tudo o que gostaria de realizar. Com tudo o que vou realizar.

 

A luminosidade vai diminuindo. A noite já não tarda. O meu tempo a sós está a esgotar-se. Inspiro fundo. Tenho de abrandar. Não antecipar o que virá. Com o cansaço a levar-me a melhor.

 

Time’s up…

17
Abr18

Não sabia que a tinha em mim...

gaivotazul

Estava distraída. Segurava a guitarra e dedilhava alguns acordes ao acaso. De repente os meus dedos, as minhas mãos, começaram a tocar uma melodia que me era familiar, mas cuja partitura nunca havia estudado. “Conheço esta música. Como é que a sei tocar?”.

Surpreendida. Pesquisei rapidamente pelos seus acordes. “Sim, está certo. É esta a melodia que estou a tocar. Como é isso possível?”.

Há um ano atrás, mal conseguia segurar na guitarra. Não acreditava que as minhas mãos a pudessem tocar. Desconhecia que os acordes e travessões que tanto me custavam fazer poderiam ser simplificados. Adaptados a mim. Ao meu sentir e ao meu saber. Tive ajuda. Agradeço por isso. Mostrou-me que “há sempre uma maneira”.

Mas hoje, é por mim que faço o caminho, que procuro a direção a seguir sabendo que se me perder posso voltar atrás. Improvisando, experimentando. Não fico há espera. Não posso. Adoraria fazer este caminho acompanhada. Dividindo as frustrações pelos obstáculos encontrados, partilhando as alegrias pela superação dos mesmos. Pelas conquistas dos sonhos que não foram sonhados a sós.

 

Decidida a experimentar, fui-me embrenhando mais na melodia. Incentivada a continuar por cada acorde, por cada som acertado.

 

Estou grata. Triste e feliz ao mesmo tempo. Como triste é a música cuja melodia tocar me alegra.

Não sabia que a tinha em mim… A capacidade de fazer acontecer. Agora sei.

O que mais terei em mim que ainda desconheço? O que mais teremos cada um de nós? Acho que teremos que arriscar. Arriscar fazer, arriscar ser, arriscar sentir. Só assim saberemos. Só assim saberei. E eu vou saber. Vou saber o que mais tenho em mim.

 

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16
Abr18

Em que pensas?

gaivotazul

Em que pensas é a pergunta que atravessa a minha mente. Quando vejo o teu olhar perdido na linha do horizonte, fitando o infinito, vendo algo que não está lá, pergunto-me, em que pensas.

Pareces tão perdido, tão distante... E ao mesmo tempo tão certo. Como se soubesses de algo e visses algo que poucos conseguem.

Quando te olhei pela primeira vez, (não quando te vi mas quando te olhei), contemplavas a linha do horizonte. Tinhas caminhado até à linha de água, alheio a tudo o que te rodeava. A única coisa em que o teu olhar se focava estava em frente a ti, para lá do que a vista alcançava.

Enquanto contemplavas o mar, eu contemplava-te a ti. E perguntava-me, “Em que pensas?”.

Não ficaste muito tempo, mas quase todos os dias, um pouco antes do ocaso, descias o areal e fitavas a imensidão à tua frente.

Podias não prestar atenção ao que te rodeava. Mas captaste a minha atenção.

Passaram-se anos. Ainda hoje te apanho perdido, a vaguear para lá da linha do horizonte. Ainda hoje me pergunto, “Em que pensas?”.

Talvez nunca venha a saber a resposta. Já pouco importa saber. Apraz-me apenas sentir que quando pareces perder-te no horizonte, é o momento em que te encontras.

Que possas perder-te e encontrar-te sempre.

 

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13
Abr18

Desafio-te!

gaivotazul

Sim, ouviste bem. Desafio-te!

Desafio-te porque estou cansada de me esconder. De colocar os olhos no chão e me tentar encolher em vão.

Se é para levar contigo, que seja em grande e de frente.

Por isso, desafio-te.

Não, não vou abrir o chapéu. Tampouco vou colocar o capuz sobre a cabeça. Como já te disse, cansei de me esconder. Ao invés, vou erguer o queixo e o olhar. Vou olhar-te bem de frente. Vou pisar todas as poças no meu caminho. Fazer a àgua saltar com o meu chapinhar. Sentir-te cair sobre mim. O cabelo a pingar, a roupa a colar.

Desafio-te. E sabes que mais? Sabe mesmo bem não lutar contra ti e levar-te a melhor.

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12
Abr18

São as Pessoas que fazem as "Casas"

gaivotazul

Quando irão os patrões dar valor aos seus funcionários?

A pergunta é retórica e não pode ser generalizada.

Existem bons patrões. Eu sei. Conheço pelo menos dois assim. um Patrão que coloca o bem-estar dos seus funcionários à frente do seu e dos seus próprios interesses. Que trabalha mais que qualquer um dos seus funcionários, que dá o exemplo, que é o primeiro a chegar e o último a sair. Que não manda. Pede. E que diz sempre “Obrigado” mesmo quando não fazem mais do que a sua “obrigação”.

A questão no entanto tem de voltar a ser colocada. Quando irão os patrões dar valor aos seus funcionários?

 

Há um pequeno café onde ocasionalmente paro antes de chegar ao trabalho. Para ouvir música, para ler, para escrever, para marcar um compasso de espera e tirar um tempo para mim antes de me dedicar novamente aos outros.

Sou sempre recebida com um sorriso e um caloroso ”Bom dia”.

Não sabem o meu nome. Tratam-me por “menina”. Mas sabem sempre o que a menina vai pedir. Do que gosta e como gosta. Da mesma maneira que sabem do que gosta o Sr. Joaquim ou a Dª Rosalina, o rapaz do escritório por cima ou a menina da farmácia ao lado.

Conhecem os seus clientes e todos os dias lhes desejam “bom dia”. Dão dois dedos de conversa, ouvem, falam… tornam-se parte da nossa rotina.

A Patroa? Vejo-a passar por lá. Cara fechada na maioria dos dias. Não sabe quem somos.

 

Antes da Páscoa, a equipa era composta por três. Sim, Equipa. Porque quando se trabalha no mesmo espaço físico, dia após dia, só funciona se forem uma Equipa.

Agora são só duas. Uma das colegas não aguentou a pressão. Noto que uma outra está prestes a ceder. A colega tenta incentivá-la a relevar os acontecimentos.

Não é fácil. Não é fácil quando damos tudo de nós, quando carregamos os nossos problemas e dilemas mas não os deixamos transparecer. Quando fazemos um esforço e somos tudo menos reconhecidos. Respeitados.

Espero que ela não desista. Compreendo se o fizer. A vida é muito curta para a vivermos com acréscimos de angústias e zangas desnecessárias. Mas espero que persista.

É pelas pessoas que venho aqui. São elas que fazem uma ”casa”.

 

Patrões, se estão a ler isto e são dos bons, mantenham-se assim. Fiéis aos vossos princípios.

Se são dos menos bons, coloquem-se no lugar dos vossos funcionários. Sejam o rosto que recebe os vossos clientes. Deem a cara e o corpo ao manifesto. Sejam melhores.

A todos os outros que leem estas linhas, tenham um bom dia e relativizem o que puder ser relativizado.

Amanhã é outro dia. Quem sabe o que nos trará…

11
Abr18

A música e eu, Eu e "You"

gaivotazul

E começou. Nada a fazer a não ser deixar-me ir. Pelo menos sigo feliz. Acompanhada pelas minhas lembranças. Pelas minhas lembranças e pela música.

 

Estou entre destinos. Caminho apressada ainda que não tenha pressa pois o vento corta e o frio faz-se sentir. Constato que deveria ter vestido algo mais quente. Paciência. Cantar esta música que veio ao meu encontro terá de me bastar para manter a mente ocupada e não pensar no frio. 

 

Teria dez, onze anos aquando o seu lançamento. Talvez a única pela qual ficaram conhecidos no panorama musical. Não que seja preciso mais. Como em tudo na vida, podemos fazer muitas coisas erradas. Mas se fizermos pelo menos uma bem, já terá valido a pena. (Diria que, a avaliar pela alegria com que canto a sua letra e escuto a melodia, principalmente o Piano, valeu a pena. Por certo não serei a única a sentir assim. Espero bem que não seja.)

 

A música integrava a coletânea Romantic Rock. Fora-me oferecida por um casal de alemães que todos os anos vinham de férias ao nosso País e visitavam a localidade onde nasci. Viram-me crescer. Afeiçoaram-se. A nós e ao nosso País. Ainda hoje regressam, ainda que com alguns anos de intervalo entre visitas.

A edição portuguesa ainda não havia saído. Senti que tinha na minha posse algo especial que ainda hoje conservo. Memorizei todas as suas músicas. Umas marcaram mais do que outras. E não era por perceber o significado das palavras. Mas por lhes atribuir um significado só meu. Quantas horas passadas no meu quarto a sonhar com um futuro, sem me aperceber que construia memórias que perdurariam no tempo. Acontecimentos passados mas que sempre que se escutam as músicas se fazem novamente presentes. 

 

Enquanto escrevo estas linhas, não estou na sala em frente a um computador a carregar em teclas dispostas de forma aleatória. Tão pouco estou entre destinos porque já fui e já vim. Estou no meu quarto. No meu quarto em tons de rosa com uma aguarela de um castelo exposta na parede. No meu quarto onde de porta fechada mas aberta para quem queira entrar aumento o volume da pequena aparelhagem e, sentada no chão, canto como sei e posso as suas músicas. Por instantes volto a ser criança...

 

Desculpem. Distraí-me. Estou aqui mas não estou. Continuo a ouvir a música. Qual? You dos Ten Sharp.

 

 

 

09
Abr18

"Se Deus quiser!"

gaivotazul

Amanhã seria o teu dia. Um dia ao qual não quererias dar grande relevância, e pelo qual não quererias grandes gestos.

Nunca gostaste de demonstrar as tuas emoções, e gestos de afeto sempre foram encobertos sobre outras formas de cuidar. Uma bela refeição com a família em torno da mesa, sem nunca revelares quantas horas demoraste na confeção da mesma. Procurando receitas diferentes para que nos pudesses surpreender com uma novidade, com algo diferente. Uma ajuda para o nosso mealheiro para que nada nos faltasse. Uma oração em nome de todos. E sempre, sempre, "Um até amanhã se Deus quiser".

Nunca disseste "Gosto muito de ti!" com palavras. Pelo menos não me recordo de alguma vez as ter ouvido. Mas sei bem o que sentias por cada um de nós. Os telefonemas para saber se melhor quando adoecíamos. Os ditados populares na hora certa em jeito de cuidado, procurando passar uma mensagem que nos serviria seguramente num futuro por vir. 

Estejas onde estiveres, espero que saibas e sintas que a mensagem passou. Que vivemos um dia de cada vez sem dar por garantido o dia de amanhã. Procurando fazer o melhor no presente, mas acreditando que amanhã será outro dia e poderemos fazer melhor. Se Deus quiser!

09
Abr18

Conheço as tuas palavras!

gaivotazul

Será possível que já tenha lido as tuas palavras, mesmo antes de as escreveres?

Por vezes tenho a sensação de já as ter lido nos meus sonhos. De saber exatamente a frase que se vai seguir à primeira que agora leio. Mas como? Será isso possível? Ou não passará de uma ilusão decorrente de começar a conhecer a tua forma de pensar, de sentir e por conseguinte de escrever?

Sei que há “coisas” que não se explicam. Sentem-se. (Se te permitires sentir.) Muito mais há para lá do que a vista alcança. Para lá do nosso entendimento. Se acreditares. Se te permitires fazê-lo.

Conheço as tuas palavras. Sinto-as. Se as sonhei? Tanto melhor. O que ontem foi sonho, amanhã realidade. E que bom que é poder (re)ler as tuas palavras a cada manhã…

 

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 (Imagem retirada da internet) 

 

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