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Páginas soltas...

Páginas soltas...

01
Dez19

Memórias de (e em) Dezembro

gaivotazul

Achamos que todos os eventos em que participamos ou que pelo menos presenciamos serão recordados, mas depois.... depois crescemos e as memórias desvanecem-se ou são substituídas e tudo o que sobra são fragmentos que não conseguimos encaixar.

Nao sei que idade teria. Seguramente mais de  cinco e menos de dez. 

 

Estamos num pinhal?! Pelo menos existem pinheiros... Será no teu pinhal, na tua aldeia?! E quem mais está connosco?!

Não recordo um único rosto mas deduzo que toda a família estivesse presente: pai, mãe, avô e irmão.

Há uma mão que segura uma serra. Não sei se a tua, se a dele...

Deabulamos por entre pinheiros e pinheirinhos. "- Esse é muito novo, aquele muito aberto. O topo daquele seria perfeito".

 

Fazemos a viagem de regresso. Onde encaixámos os ramos?! Detalhes que não recordo. Viajamos sem cinto e sem limite de passageiros no nosso carro encarnado. Cheira a pinhal e a resina. 

 

Novo salto no tempo. O nosso Pinheiro repousa agora num balde que iremos com papel de embrulho forrar. Na tentativa de o manter direito, terra e pedras.

Não é fácil decorá-lo. Pica os dedos e é frustrante enfiar as agulhas nas bolas que teimam em cair.

Mas pela casa cheira a Natal. Cheira verdadeiramente a Natal!

Hoje já não cheira a terra e resina. Já não cheira a pinhal e a Natal. Cheira a algo empoeirado...

IMG_8339.JPG

 

 

 

28
Nov19

"Encerro o capítulo de mais um dia"

gaivotazul

Enquanto te aninhas no meu peito, traço o retrato do meu dia.

Há uma certa previsibilidade desconcertante no mesmo. Como se os revivesse num loop  ininterrupto. Vivo (n)um presente  entrecortado por flashes de um passado que talvez não tenha ainda vivido.

Reajustas a tua posição. O sono faz-se sentir mas o sonho tarda. Murmuras qualquer coisa que não consigo decifrar, enquanto dás mais uma volta sobre ti.

Regresso ao visionamento do meu dia. Procuro o que de bom nele subsistiu. Houve um local em que entrei por breves instantes. Não me pude deter pois tinha pressa de partir. Respirava-se uma atmosfera diferente. Deu para notar. O tempo ali corria devagar. Quero lá voltar e demorar-me. Perder-me no tempo que voa sem bater asas.

 

Estás agitada. O meu corpo é o teu ancoradouro mas esta noite    não parece capaz de te tranquilizar.

Brincas com o espaço entre os meus dedos. Num movimento repetitivo que em tempos me tirou de mim. Neste momento sou uma extensão de ti. Tal como tu serás sempre parte de mim.

Cedes por fim ao cansaço. Permaneço imóvel por mais algum tempo. Enquanto escuto a tua respiração que se torna mais e mais profunda à medida que te embrenhas nos sonhos, encerro o capítulo de mais um dia.

 

 

23
Nov19

"Deve ser difícil ser-se tu!"

gaivotazul

A primeira vez que te vi, era manhã! Corríamos apressados, ziguezagueando por entre cruzamentos apertados. Todos corríamos excepto tu. Procuravas alguém que abrandasse o ritmo. Em quem te pudesses apoiar. Em quem confiar.

 

A tua imagem acompanhou-me todo o dia. Tive um vislumbre da tua voz ainda jovem. Parecias meio perdido. No entretanto alguém abrandara o suficiente para te dar as orientações que precisavas. Haviam-te trocado as voltas. Nesse momento pensei "Deve ser difícil ser-se tu"...

 

O dia foi-se desenrolando em tarefas concluídas e por concluir. Acreditamos que haverá sempre O Amanhã e o tempo nunca chega.

 

Não pensei que te tornaria a ver e no entanto ali estavas tu. Caminhavas um pouco mais atrás. Pensei se deveria abrandar o passo. Voltar atrás, abordar-te...

O teu passo era inseguro. Como se desbravasses caminho pela primeira vez. Avançavas cautelosamente, degrau a degrau. 

Tudo o que vi foi a tua bravura e não a cautela. Admirei a tua coragem de quem a cada passo enfrenta a escuridão e o vazio. A coragem de quem diariamente se confia a desconhecidos sabendo que se pode magoar.

Aos meus olhos parecias frágil. No entanto a tua visão mostrou-me o quão forte és.

Os teus medos estão sempre presentes, e ainda assim a todo o instante os enfrentas.

Deve ser difícil ser-se tu! 

Mas cegos somos nós...

 

 

 

 

03
Nov19

"Já não estava Só..."

gaivotazul

Acordou. Olhou pela janela. Estava escuro. Silencioso. O dia ainda nem principiava nascer.
Percorreu o longo e estreito corredor, tateando as paredes. Como gostaria de ter uma luz que lhe alumiasse o caminho...
Uma porta fechada. Rodou a maçaneta e abriu-a.
Sentiu o chão frio sob os pés nus. Estavam nus! Conseguia senti-lo, mas também o via agora. Segurava na mão uma lanterna. A sua luz iluminava o caminho.
Outro corredor. Longo e estreito.
Percorreu-o desejando ter um xaile que a cobrisse e aquecesse...
A meio do corredor uma janela. Não! Apenas o seu próprio reflexo num espelho baço que lhe devolvia o olhar.
Seguiu caminho. Uma porta entreaberta. Empurrou-a e entrou.
Um chão de madeira aquecida pelo lume da magistral lareira mármore. Paredes nuas, sala despida, a quem a chama emprestava cor e movimento enquanto as suas sombras dançavam soltas.
Sentou-de em frente do lume. Adormeceu. Um xaile envolvendo o corpo num abraço. E sonhou.
Sonhou que não mais haveriam corredores longos, estreitos e escuros.
Sonhou com lanternas que lhe iluminavam o caminho e conferiam calor à sua vida. Em cada lanterna o bater de um coração.

Já não estava Só...

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(Ilustração de Caras Ionut, http://carasdesign.com/)

 

01
Nov19

"(...) prontos para colorir"

gaivotazul

Não o tenho em mim, mas gostava de o ter. De em traços largos e soltos retratar os sonhos. Os meus e os de outros.

Talvez seja algo que se trabalhe. Talvez seja algo que nunca se aprenda.

Durante algum tempo tentei. Era sempre insuficiente. Para mim.

Ainda assim, numa lata, criteriosamente pousada num canto da secretária, mantive os lápis de cor afiados e prontos a colorir as páginas em branco. Preenchi-as com uma intecionalidade arbitrária. Enquanto o fazia, preenchia-me a mim.

 

Gostava de o ter, mas não o tenho em mim.

Talvez seja por isso que goste de apreciar quem, com pulso firme e traçado leve, eterniza a Vida segundo o seu olhar interior.

São cores apaziguadoras ou um turbilhão de emoções. São contrastes marcados ou suaves transições. São ritmos frenéticos ou momentos em que o tempo parou.

São Arte pelas mãos de Artistas. Algo que não tenho em mim.

Mas sobre a secretária, num canto criteriosamente sentido, permanecem os lápis de cor, de bicos afiados, prontos para colorir as páginas que me preencherão. 

 

13
Out19

...

gaivotazul

IMG_3677.JPG

Hoje pensei criar um novo blog. Um blog no qual te pudesse escrever e no qual me pudesses ler. Acreditei que mesmo sob outro nome me conseguirias encontrar. Que pelos sentidos que nas palavras deposito simplesmente saberias.

Hoje pensei criar um outro blog. Trocar as asas por raízes.

Aterrar num qualquer canto seguro e por aí permanecer até a vontade de voar despontar de novo. 

E sobre o que escreveria eu? 

Sobre nada e sobre tudo. Sobre a primeira associação livre de palavras que emergisse.

Sobre o que não escrevo sabendo que me lês. 

Trocaria o anonimato por um nome. Talvez o meu.

E, quem sabe o que se seguiria?...

 

 

 

 

 

 

22
Set19

Serás sempre tu, será sempre nosso!

gaivotazul

Volto a ter 5 anos. Talvez um pouco mais, talvez um pouco menos.

Volto a caber no teu colo, a ter um lugar no teu abraço.

Volto a sentir a mais simples forma de amar. A que nada cobra e a que em tudo se dá.

Chegas a casa. Nas mãos uma tosca caixa de papel improvisada.

No olhar um brilho, nos lábios um sorriso e uns braços abertos para os quais correr.

Dentro da caixa... Amor!

 

Nao tenho mais 5 anos. Nem o teu colo,  nem o teu abraço.

Tenho o teu amor. Um amor que se faz presente quando vejo uma simples bolacha que de simples pouco tem. Quantas memórias. Quantos sentimentos. Ou apenas um imenso.

Vertiginosamente recua o tempo e volto a ter 5 anos.

Serás sempre tu, será sempre nosso. 

IMG_7702.JPG

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

22
Ago19

E assim fez...

gaivotazul

Contrariamente à maioria, escolhera um lugar sentado de costas para a porta. Dali, não conseguia vislumbrar quem na rua passava, nem a multidão em seu redor.

Do seu canto, apenas via e observava quem ali trabalhava. Em particular, observava-a.

Desde o primeiro momento encantara-o a maneira com ela deambulava pela sala distribuindo sorrisos e se entregava.

Cansado de guiar, deixou-se por ela conduzir, acolhendo todas as suas sugestões.

As suas expectativas confirmadas deram-lhe conforto e alento. Estava longe de casa... Experimentou, como há muito não experimentava, a sensação de satisfação.

Demonstrou-o da melhor forma que sabia e podia...

Através da música!

Entre palavras de apreço e gratidão, disse-lhe:

- Esta é para ti, porque é isto que me fazes sentir. 

E ela, que mais não fez do que o seu trabalho, agradeceu as palavras e o gesto, assegurando que ouviria a música nessa mesma noite no regresso a casa.

 

E assim fez...

https://m.youtube.com/watch?v=wlDmslyGmGI

 

 

 

08
Ago19

Preciso ser chuva...

gaivotazul

Preciso ser chuva. 

De ontem para hoje escureci. Algures pelo caminho acumulei um peso que não quero transportar.

Como uma nuvem negra e carregada que na linha do horizonte aguarda a sua vez.

Um misto de tristeza e zanga que nunca soube isolar ocupam um espaço outrora vago.

Lá fora sopra o vento. Ocasionalmente uma rajada mais forte mas incapaz de as arrancar de mim.

Olho em frente. Como se do outro lado da linha imaginária que tracei me pudesses ver. Fecho os olhos e numa prece silenciosa formulo um desejo.

Quero deixar cair este peso que não me pertence. Elevar-me acima da linha do horizonte. Deixar cair, o que for para cair.

Preciso ser chuva...

nuvens-escuras-do-oceano_19-122154[1].jpg

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

29
Jul19

E tudo recomeça...

gaivotazul

Meia noite certa. Aquela hora em que o ontem ainda não acabou e o amanhã ainda não começou.

Nos segundos que medeiam o que foi do que será, esfumam-se esperanças, confirmam-se antecipações.

Bate aquele aperto no peito, a necessidade de respirar fundo. Reprime-se a lágrima. Guarda- se o sorriso. 

Tudo em suspenso até que o ponteiro dos minutos descai. O ontem termina e o amanhã torna-se no hoje e tudo recomeça. 

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