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Páginas soltas...

Páginas soltas...

19
Mai20

Mas por enquanto... volto ao mundo dos Sonhos!

gaivotazul

Lembro-me de em criança, dares voltas e mais voltas na cama antes de conseguires adormecer. Lutavas contra o sono por receares o que ele encerrava. Desconhecias então o mundo dos Sonhos. Dormir era perderes o controlo. Deixares de ver, ouvir e saber o que em volta se passava.

Lembro-me de em criança, dares voltas e mais voltas na cama antes de conseguires adormecer. Voltavas-te para mim, espicaçávamos-nos para ver quem aguentava mais tempo acordado e ríamos até que, por fim, vinham pôr cobro à algazarra. Não eram horas, diziam.

Quando finamente o cansaço nos vencia, entrelaçávamos pés, pernas e braços como se de uma âncora se tratasse. Um elo de ligação ao mundo dos vivos que não dormiam. Cedíamos embalados pelo bater dos corações e respirações síncronas.

Uns tempos depois, descobriste o que por trás da porta do sono se escondia. A entrada para todas as possibilidades, a capacidade de sonhar. Sonhos que não querias que fossem importunados por quem vigilante te visse dormir. Poderiam conseguir espreitar por detrás das cortinas, e como um desejo de aniversário revelado ao soprar a vela, o sonho esfumar-se.

Lembro-me de em criança, dares voltas e mais voltas na cama antes de conseguires adormecer...

Ou seria eu a criança que lutava, e ainda luta, por adormecer? Talvez ao despertar obtenha a resposta, mas por enquanto... volto ao mundo dos Sonhos!

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17
Mai20

Tornei-as minhas

gaivotazul

Estava a tentar escrever. Mas a minha mente tem vontade própria. Mais do que escrever quer cantar as palavras de outros como se fossem suas.

Fica difícil mas é libertador. Não pensar no que escrever e simplesmente apropriar-me das palavras que alguém escreveu atribuindo-lhes todo um novo significado. O meu!

Sim, o meu! Porque as palavras não nos pertencem. São de quem as lê e as interpreta e reinventa. São de quem as sente.

E eu sinto as palavras que alguém escreveu e que agora a mim pertencem.

Canto-as de lábios fechados. Danço-as à medida que pressiono estes caracteres transformado-os em palavras de que também outros se irão apropriar. Assim espero.

 

Gosto destas palavras que me ajudam a exteriorizar tudo o que no peito guardo. Por norma não me atreveria a gritá-las. Mas sendo tuas as minhas palavras, posso. Posso gritá-las, cantá-las, dançá-las. 

Sim, as palavras também dançam. São capazes do mais gracioso dos movimentos com a maior das desenvolturas. Fazem acrobacias e arabesques. Colocam-nos em pontas. Deitam-nos ao chão. Esgotam-nos as energias, as boas e as não tão boas.

Obrigada pelas tuas palavras. Tornei-as minhas. 

 

 

 

16
Mai20

Vou deixar-me conduzir...

gaivotazul

Vou deixar que seja a música a conduzir-me. Que me diga por onde ir e com que intensidade. Que me mostre quando abrandar o passo, dar meia volta ou fincar o pé no chão.

 

Vou deixar que seja a música a conduzir-me. Que me diga quando gritar, segredar palavras ou calar. Cantar a uma só voz ou em coro numa desafinação sincronizada.

 

A música, sempre a música. Feita de notas e compassos. Com espaço para os baixos e graves da minha vida, com tempo para os silêncios, em que se cala para que me consiga ouvir.

 

A música, sempre a música. Minha cúmplice e confidente, companheira de aventuras e desventuras. Meu alíbi e minha testemunha, que me encobre e denuncia. Que me entrega, e a quem me entrego.

 

Vou deixar que seja a música a conduzir-me. Que me mostre que o improviso é por vezes a melhor coreografia a seguir. Que o coração sabe ver melhor do que os olhos. Que quando a seguimos não há como errar. Todos os passos são certos.

 

Vou deixar que seja a música a conduzir-me. Que me mostre quando correr, saltar ou estancar o passo. Que me aconselhe e desencaminhe. Perder-me por entre partituras para me encontrar entre um Si e um Sol.

 

Vou deixar-me conduzir...

 

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15
Mai20

Encontro-te na próxima tempestade.

gaivotazul

Conseguiste ouvi-la? Daí onde te encontras, conseguiste ouvi-la? Á trovoada?

Fez-se ouvir forte. Chamou pelo meu nome.

 

Conseguiste vê-lo? Daí onde te encontras, conseguiste vê-lo? Ao raio?

Rasgou o céu de alto a baixo. Recortou a paisagem em zigue-zague. 

 

Conseguiste? Espero que sim. Que tal como eu te tenhas detido a escutá-la. Sentindo a distância que nos une.  O toque de um raio. 

 

Se aqui estivesses irias provocar-me. Obrigar-me a pensar no propósito da trovoada. A concluir que o raio é feito de ouro. Que tudo nesta vida é de ouro.

E eu, eu não me iria deter. Iria pesquisar, iria refutar e contrargumentar com o único propósito de estender a nossa conversa até acabar por te dar razão. 

 

Mas a trovoada é breve, o raio mais efémero do que ela. E as nossas conversas não têm mais lugar excepto quando a tempestade estala abafando os sons da distância.

 

Conseguiste ouvi-la? Á trovoada? 

Conseguiste vê-lo? Ao raio?

Espero que sim. Encontro-te na próxima tempestade.

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14
Mai20

Viro-me para ti, volto-me para mim e para nós...

gaivotazul

Quando a noite cai e tudo em volta se aquieta, viro-me para ti.

Mesmo sem falar, conversamos noite fora. Olhos nos olhos, mão na mão.

Contigo o meu sorriso é uma constante. Quanto mais a noite avança, mais ele ilumina a escuridão, como as estrelas que lá em cima olham por nós.

 

Quando a noite cai e tudo em volta se aquieta, volto-me para mim.

Alimento os meus sonhos. Dou-lhes asas, céus por rasgar. Dou-lhes pés e estradas por desbravar.

Não há impossíveis. Tudo se torna presente. Uma realidade sentida no corpo, e na alma.

 

Quando a noite cai e tudo em volta se aquieta, viro-me para nós.

E então, é um turbilhão de emoções que preenche a noite e só se finda com a luz da manhã.

Sonhos e ilusões, esperanças e deceções, egos que se defrontam.

 

Mas o sonho sempre vence. A esperança reclama o seu lugar. Os egos encontram justificação para as ilusões e deceções. Voltam a acreditar com renovada intensidade a cada nova manhã. E assim, quando a noite cai e tudo em volta se aquieta, viro-me para ti, volto-me para mim e para nós...

13
Mai20

Arrefeceu!

gaivotazul

Arrefeceu!

Procuro por entre as camisolas algo que possa servir. Não há muito por onde escolher por isso, ou talvez não, a  escolha recai invariavelmente na malha aveludada, em tons de azul, que me aconchega num abraço terno. 

Dentro de instantes começará a chover. Na linha do horizonte o mar começa a dar-se à chuva. Os cinzentos com que hoje trajam vão-se tornando indistintos e em breve fundir-se-ão, como dois amantes, num abraço apertado.

Arrefeceu!

Duas gaivotas, vigilantes, olham o mar e o areal deserto. Elegeram como posto de vigia o telhado de uma habitação. Uma moeda pelos seus pensamentos...

Já pinga. São gotas que beijam o chão e os campos ao abandono. Um passarinho percorre a caleira em busca de essenciais. Um inseto, uma semente, uma folha perdida que suavize o seu ninho. Construiu-o numa chaminé em desuso. Como farei para a voltar a usar...

Os gatos, que por norma se regojizam da liberdade de que gozam enquanto passeiam por quintais alheios, recolheram-se. Por onde andarão, será a água fria que temem...

Arrefeceu! 

Pouco e pouco sinto o calor voltar a mim, grata pela camisola que envergo. É azul! Gosto da cor azul. Não é fria. É serena. Como o céu que na última noite observei. Sereno e silencioso.

Certas coisas só no silêncio se podem escutar.

No tempo que mediou estas linhas... as gaivotas permaneceram no seu posto, o passarinho continuou na sua demanda e dos gatos... nem vê-los. 

Quanto ao mar e à chuva, continuam entregues um ao outro, desfrutando de um reencontro tão aguardado, alheios aos olhares dos que os contemplam. 

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26
Mar20

"Sonhos de todas as cores!"

gaivotazul

Quando à noite em teu peito me aninhava ou entre lençois me aconchegavas, sonhos azuis me desejavas.

E eu, menina a quem o mar segredava as mais belas histórias por ele guardadas, em tons de azul sonhava.

Foram-se os anos passando, um Inverno após o outro. E a cada nova Primavera, em tons de azul continuei a sonhar.

Por tanto te amar, quis contigo partilhar a cor com que os meus sonhos pintava.

Disseste-me em tom de desafio que em tons de dourado querias teus sonhos pintar.

Como se de oiro se cobrissem e a escuridão viessem iluminar.

Pus-me então a pensar se a cor dos sonhos se pode determinar...

Nova lição me ensinaste quando numa outra noite anunciaste, enquanto em meu peito te aninhei, e nos lençois te aconheguei,  "Sonhos de todas as cores!" 

Nessa noite, um novo firmamento foi desenhado. Ao azul do céu e do mar, juntaram-se o verde da fresca erva e das copas das árvores a perder de vista. O branco da espuma na rebentação iluminou-se e farrapos de nuvens desfiados pontuaram o céu. Nos campos, brotaram papoilas, malmequeres, lilases que ondulavam com as cores do vento.

 Ainda que os meus sonhos permaneçam azuis, a ti segredo todas as noites "Sonhos de todas as cores"...

25
Mar20

De hoje em diante, "Amor" passarias a ser...

gaivotazul

"Coragem!"

Pediste que te definisse numa palavra. A primeira que instantaneamente brota neste jardim que são os pensamentos é "Coragem".

"Coragem",porque ousaste reinventar-te quanto todas as páginas da tua vida pareciam já ter sido escritas. "Coragem", porque de cada vez que um obstáculo te foi apresentado, o transpuseste ou contornaste. "Coragem", porque te reergueste mesmo quando o corpo e alma te doíam. Porque sorriste quando em ti rios de lágrimas corriam. "Coragem", porque nunca deixaste que outros te definissem.

Uma outra surge de mãos dadas: "Dedicação!"

"Dedicação" porque cada gesto teu, por mim presenciado, assim o demonstrou. Não viraste costas quando as silvas ameaçaram cobrir todo o teu jardim. Não baixaste os braços quando quase todas as portas e portadas se fecharam à tua passagem. Mantiveste os teus olhos bem abertos - janelas da tua alma, entrada direta para o teu coração. Recusaste ser diferente. E quando as trevas e o abismo se apresentaram diante de ti, olhaste-os de frente, desafiando-os. Dissiparam-se ante a tua "Dedicação".

Se numa palavra o teu nome quisesse reescrever,  de hoje em diante "Amor" passarias a ser...

 

 

 

29
Jan20

Sobre a mesa, a agenda...

gaivotazul

Na agenda aberta sobre a mesa, anotações de tudo o que há para fazer. Fora os apontamentos que nela não constam porque, entre a lembrança e o anotar, esfumaram-se.
Para onde foi a capacidade de armazenamento de informação? Estou cansada, é certo! Cansada por excesso de afazeres, cansada por noites em que pouco se dorme, cansada por não fazer o que quero e gosto. Mas o cansaço só por si não justifica esta progressiva incapacidade de reter informação.
Quando dou por mim, nada esqueci da canção que reti. A capacidade está lá. Tornou-se foi mais seletiva. E então, estou no meio da rua, numa paragem de autocarro, num dia carregado de nuvens cinzentas e luminosas, a cantar as palavras que escreveste como se fossem minhas. Antecipo cada nota, cada subida e descida de tom, alheia aos olhares e ouvidos de quem me rodeia.
E mesmo agora, esqueci por instantes a agenda aberta ignorando os seus apelos. Não quero voltar a ela. Prefiro ficar aqui. Aqui onde posso brincar com as palavras que o tempo, ou falta dele, aprisiona.
Há em mim uma certa inquietação. Uma predisposição para fazer mais. Para fazer diferente.
Assim eu vença o cansaço por vezes mascarado de “preguicite”.
Sou capaz! Sei que sou. Pena que ultimamente precise de outros fatores ou condicionantes para mo relembrar…
Vou regressar, um pouco contrafeita, à agenda aberta sobre a mesa. Até ao final do dia pode ser que nela trace mais um risco em sinal de “missão cumprida”.

26
Jan20

Estilhaços de um Vazio

gaivotazul

 

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Há em mim um vazio que a noite não preenche. Uma ausência do que em tempos ocupou um lugar agora deixado vago.

Há em mim um vazio que o tempo não atenua. Uma saudade que na noite desperta preenchendo todos os pensamentos.

Há em mim este imenso vazio que preenche cada recanto de um coração, outrora repleto de amor, agora somente de recordações.

Um vazio que me esgota mas que não se esgota e que na noite se faz sentir com redobrada intensidade.

Pudesse o teu riso estilhaçar o vazio e o teu abraço desfazer-se dos seus resquícios.

Pudessem as tuas palavras reescrever o passado e ditar o presente. O futuro, Esse podia esperar.

 

 

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