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Páginas soltas...

Páginas soltas...

16
Fev19

Por favor, encontra-me...

gaivotazul

Hoje preciso que sejas tu a imprimir o ritmo. Preciso que me impulsiones a avançar e a arrancar de mim este humor, nem bom nem mau, que me puxa e arrasta. Hoje preciso que sejas tu a marcar o passo. Preciso que a tua batida adormeça os sentimentos e desperte os sentidos. Preciso de rasgar a raiva em mil pedaços de papel e deixar que os leve o vento. Preciso de ver diluir nas ondas do mar o cansaço que se instalou. Preciso de sentir em cada raio de sol o abraço apertado que me conforta e segreda "está tudo bem". Hoje preciso de ti. Se eu não te souber procurar, por favor encontra-me.

14
Fev19

Uma resposta possível...

gaivotazul

Chegar a casa a entoar uma canção onde uma mesma questão se coloca repetidamente. Chegar a casa e supervisionar a realização de uma mesma tarefa que de simples pouco tem. Encontrar nas páginas de um livro infantil a resposta que tantos procuram. Na partilha. Na partilha é uma resposta possível. Entre tantas outras respostas possíveis. E por isso aqui partilho este pequeno vídeo e vos convido a ler a história. Porque é disso que é feito este espaço que diariamente todos nós visitamos. Para dar e receber. De partilha...

14
Fev19

364 dias por ano...

gaivotazul

Se estivesses aqui, dirias que as datas têm a importância que lhes quisermos atribuir. O significado que lhes quisermos dar. A de hoje? A de hoje importa, ou importou. Foi num dia como o de hoje, em que se celebra o Amor, que o nosso foi posto à prova. Foi num dia como o de hoje, em que muitos partilham sorrisos e sonhos, que enfrentámos o desmoronar do nosso e nos sobraram as lágrimas. Foi num dia como o de hoje que separados por quilómetros nos unimos e nos refizemos. Se estivesses aqui, dirias que as datas têm a importância que lhes quisermos dar. Jamais quererei que esta data represente a cada ano um reviver da dor. Do que foi e se perdeu. Sendo certo que nos reerguemos, que lutámos e que o nosso sonho viríamos a realizar, jamais será uma celebração do Amor. Essa teremos de saber realizar 364 dias por ano!

06
Fev19

Náufragos...

gaivotazul

Não o vi chegar. Quando dei por ele, procurava um lugar onde se sentar. Ali de pé, parecia meio perdido. Como um objeto que na rebentação se aproxima e se afasta, incapaz de alcançar a orla marítima onde finalmente repousar.

Esbocei um ténue sorriso com o olhar, como quem dá permissão e convida a sentar. 

Tempo e espaço. Cada um tinha o seu. Não queria perturbar mas algo perturbava. A sensação de que algo nele continuava perdido.

E eis que sem se anunciar surge o pedido de ajuda sob a forma de uma imagem. Uma fotografia demasiado horrenda para se registar e um relato entrecortado por silêncios que as palavras custam a falar.

Desprevenida, desprotegida, fixo o olhar e formulo a mais pequena das frases. Um "estás aqui". Como se não mais importasse o que se passou e pelo que se passou... "(Ainda) Estás aqui".

Talvez só um náufrago possa reconhecer outro náufrago...

 

19
Jan19

Estou em casa!

gaivotazul

Não fechei os estores do quarto de banho. Bolas... devia tê-los corrido... Porque carga de água não o fiz?!

 

De olhos fechados, no meio de cobertores, debato-me entre o sair do quente da cama para os fechar correndo o risco de despertar ou simplesmente ignorar a luz que pela janela entra, escondendo dela o rosto, para que a noite que se finda se delongue por mais alguns minutos.

Neste acordar sem despertar, oiço a chuva que com intensidade lá fora cai. Bate com força nas persianas corridas da casa e na laje do quintal. Desafia-me. Convida-me a contemplar o cinzento do céu que se fechou para que a mesma pudesse cair e beijar a terra. 

 

Uma gaivota. Não preciso de a ver para saber que uma gaivota cruza o espaço aberto em frente à janela do meu quarto. Oiço o seu canto. Também ela me chama.

 

Vencida, pela luz, pela chuva, pela natureza, atiro para trás os cobertores e abro por fim os olhos. Corro os estores e contemplo a ausência de um horizonte.

No seu lugar, um mar e céu indissociáveis e indistinguíveis. Um perfeito cinzento que não se sabe onde começa ou termina. Uma imensidão em que nesta manhã me perco.

 

Estou em casa!

 

18
Jan19

...para o bem, e para o mal

gaivotazul

Continuo a deixar-me afetar por ti. Mais do que admito, muito mais do que gostaria.

Haverá seguramente uma razão plausível para que simples afirmações desencadeiem tamanho turbilhão de emoções.

Pior. Não sei esconder. Tudo em mim se altera. A postura corporal, a entoação na voz, o rubor nas faces e o olhar. O olhar, esse é o primeiro a denunciar-me, qual traidor.

Como gostaria de encobrir o que  dentro de mim vai nesses momentos. Mais. Como gostaria que nem tu nem nada dito ou feito por alguém como tu me afetasse. 

Mas não seria eu se assim fosse. Eu sou aquela que não  esconde, de olhar mais transparente do que gostaria, mas um olhar que ainda que me atraiçoe não me trai. Acaba sempre por revelar a minha essência... para o bem, e para o mal.

 

18
Jan19

...

gaivotazul

Executo o gesto como tantos anos antes te vi fazer. Como cedo me ensinaste.

Repito o movimento uma e outra vez e recuo à infância de outrora.

Tanto mudou e todavia tanto permanece igual... A mesma sensação, o mesmo cheiro, a mesma leveza e a tua presença materializada no gesto realizado.

De alma repousada, repousa agora o corpo e a mente.

Minto. A mente, essa, dificilmente repousará. Salta de uma memória para outra e agita-se a cada velho ou novo pensamento que a assola, viaja ao sabor das sensações causadas pelo gesto repetido até que nem um vinco ou ruga se faça notar e que me envolve num doce e fresco aroma no qual agora me aconchego. 

Presa a ele, a este aconchego, sou agora livre de partir...

 

13
Jan19

As palavras que escreveste...

gaivotazul

As palavras que escreveste são tuas, não me pertencem. E no entanto sinto por elas uma ligação como se por mim tivessem sido proferidas. Como se as emoções nelas retratadas fossem minhas e não tuas. Talvez sejam nossas ou a ninguém pertençam.

Nas linhas por ti traçadas dou comigo a viajar por lembranças do que não vivi mas que com precisão recordo. Impossível, dirás? Não há impossíveis, responderei. Apenas possibilidades que não chegámos a considerar e que se revelariam como certezas absolutas.

As palavras que escreveste não me pertencem. São tuas. Mas são minhas as lágrimas por entre os sorrisos por elas causadas.

 

 

 

13
Jan19

...

gaivotazul

Todas as noites te escrevo. Contigo partilho, por vezes a medo, o que durante o dia na alma guardo. Sentimentos que não podem ser revelados, pensamentos que não devem ser verbalizados, partes de mim que no escuro habitam. Mas quando a noite cai, quando o escuro se torna um escudo protetor e a chave dos sonhos se roda, eu saio para a luz e os meus pensamentos são audíveis e os meus sentimentos explorados.

Nada fica por dizer quanto te escrevo tudo o que não digo.

Ao acordar resta em mim a exaustão de mais uma noite em que te escrevi. Em que revisitei a história e em vão a reescrevi. Certas coisas não podem ser alteradas, mas com o tempo, quem sabe?... talvez possam ter uma outra leitura...

 

05
Dez18

A única palavra que precisava ser dita!

gaivotazul

A tua voz! A primeira coisa que notei foi a tua voz. Trémula, entre-cortada, baixa, como se formar as palavras te exigisse um esforço suplementar, como se estas fossem pronunciadas a ... Medo?!?

Não! Não era o medo que guiava a tua voz. Percebi-o em seguida quando reparei na tua postura e olhei no teu olhar.

Todo o teu corpo refletia a emoção de um encontro há muito aguardado.

Os teus olhos marejados olhavam com ternura quem na tua frente se sentava. As tuas mãos moldadas pela passagem do tempo procuravam afagar as que nelas seguravas. Desejando que tão cedo não se voltassem a apartar... Passou muito tempo. Tempo de mais.

Sem jeito, procuravas formular as perguntas de quem quer saber mais, de quem quer saber tudo, de quem não se importa propriamente com a resposta mas apenas com quem as emite. Perguntas atabalhoadas. Como atabalhoados deviam ser os pensamentos. 

E então, ternamente, proferiste a única palavra que verdadeiramente precisavas dizer... "Filha!"

 

E eu fiquei ali, no meu canto. Testemunha do reencontro entre um pai e uma filha. Desejando que o encanto do momento não fosse por mim quebrado. Sentindo-me grata por não ter de reencontrar quem assim me chama. Filha!

 

 

 

 

 

 

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