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Páginas soltas...

Páginas soltas...

22
Ago19

E assim fez...

gaivotazul

Contrariamente à maioria, escolhera um lugar sentado de costas para a porta. Dali, não conseguia vislumbrar quem na rua passava, nem a multidão em seu redor.

Do seu canto, apenas via e observava quem ali trabalhava. Em particular, observava-a.

Desde o primeiro momento encantara-o a maneira com ela deambulava pela sala distribuindo sorrisos e se entregava.

Cansado de guiar, deixou-se por ela conduzir, acolhendo todas as suas sugestões.

As suas expectativas confirmadas deram-lhe conforto e alento. Estava longe de casa... Experimentou, como há muito não experimentava, a sensação de satisfação.

Demonstrou-o da melhor forma que sabia e podia...

Através da música!

Entre palavras de apreço e gratidão, disse-lhe:

- Esta é para ti, porque é isto que me fazes sentir. 

E ela, que mais não fez do que o seu trabalho, agradeceu as palavras e o gesto, assegurando que ouviria a música nessa mesma noite no regresso a casa.

 

E assim fez...

https://m.youtube.com/watch?v=wlDmslyGmGI

 

 

 

08
Ago19

Preciso ser chuva...

gaivotazul

Preciso ser chuva. 

De ontem para hoje escureci. Algures pelo caminho acumulei um peso que não quero transportar.

Como uma nuvem negra e carregada que na linha do horizonte aguarda a sua vez.

Um misto de tristeza e zanga que nunca soube isolar ocupam um espaço outrora vago.

Lá fora sopra o vento. Ocasionalmente uma rajada mais forte mas incapaz de as arrancar de mim.

Olho em frente. Como se do outro lado da linha imaginária que tracei me pudesses ver. Fecho os olhos e numa prece silenciosa formulo um desejo.

Quero deixar cair este peso que não me pertence. Elevar-me acima da linha do horizonte. Deixar cair, o que for para cair.

Preciso ser chuva...

nuvens-escuras-do-oceano_19-122154[1].jpg

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

29
Jul19

E tudo recomeça...

gaivotazul

Meia noite certa. Aquela hora em que o ontem ainda não acabou e o amanhã ainda não começou.

Nos segundos que medeiam o que foi do que será, esfumam-se esperanças, confirmam-se antecipações.

Bate aquele aperto no peito, a necessidade de respirar fundo. Reprime-se a lágrima. Guarda- se o sorriso. 

Tudo em suspenso até que o ponteiro dos minutos descai. O ontem termina e o amanhã torna-se no hoje e tudo recomeça. 

27
Jul19

Uma Voz...

gaivotazul

Tenho saudades de ouvir uma voz que nunca escutei.

IMG_3701.JPG

 

Sem nunca a ter escutado, sei de cor o seu timbre e as suas variações.

Sei quando ri num tom desafinado, sei quando se arrasta, enrola e atropela. 

Conheço os seus humores e as suas flutuações. Os altos e baixos, os graves.

A voz arrastada, irada, doce, solene. 

Tenho saudades da voz que tarda em se fazer ouvir. Que se esconde na noite a coberto dos sonhos. Que apenas neles me visita. 

Espero pelo dia em que a saudade de uma voz não tenha mais lugar. 

 

 

 

 

29
Jun19

Pela porta fora...

gaivotazul

IMG_7175.JPG

 

Se entrasses por essa porta agora, verias no meu rosto um sorriso rasgado. Daqueles que diriam ser de orelha a orelha. 

Se entrasses por essa porta agora, verias nos meus olhos dançarem lágrimas de bem estar. 

Se entrasses por essa porta agora, verias que a minha mente viajara para bem longe do Sofá onde repousa o meu corpo.

Se entrasses por essa porta agora, verias a menina que habita a mulher. A eterna sonhadora, romântica, crente. 

Mas tu não vais entrar por essa porta agora, pois não?

O sorriso vai-se desvanecer, a lágrima vai secar, do sonho vou despertar.

Ergo-me contrafeita e saio porta fora...

 

 

 

 

11
Jun19

Sobrevivente...

gaivotazul

IMG_7002.JPG

 

Eras somente uma menina carregada de esperanças e sonhos. Que sabias tu da vida e  do que esta te reservava.

Cedo as tuas esperanças deram lugar a preces, e os sonhos a ilusões.

As preces tardaram em ser ouvidas. As ilusões em desespero se tornaram.

A vida passou por ti. Pouco restou da menina de outrora. Foi pelo medo devastada. 

E hoje mulher, és revisitada pelos mesmos fantasmas tão presentes.

 

Sobrevivente!

Não baixes o teu olhar quando na rua caminhas.

Nada deves, nada temas.

És mais forte do que quem te julga. És mais forte do que te julgas.

Nao te julgues! Sobreviveste. Agora vive!

 

 

06
Jun19

...

gaivotazul

No chão da cozinha vi a lua refletida.
A sua luz lembrou-me que a noite já caiu e que no céu estrelas pontuam os sonhos.
Os sonhos dos crescidos e os de quem se recusa a crescer. Porque quando sonhamos todos nós somos crianças. Crianças como tu. Com sonhos guardados na palma da mão. Nessa mão que te acaricia o rosto enquanto dormes. E de quem vê no chão da cozinha a lua refletida.

31
Mai19

...

gaivotazul

Uma janela de portadas brancas de madeira, com lascas de tinta que a maresia reclamou para si.

Janelas abertas de par em par com cortinas brancas que esvoaçam e deixam entrar o cheiro a sal e sabor a mar.

Um trilho que conduz os pés descalços por entre dunas de areia e caniçais. Areia fina e branca pontuada por agulhas de pinheiros, caruma.

Um areal a perder de vista que contemplo partindo da mesa azul recuperada. Uma mesa que alguém deitou fora e não soube valorizar.

Em torno da qual nos reunimos agora  e damos as mãos. Sentados em velhos bancos que o tempo afagou.

Contemplando toda uma vida que não chegámos a reclamar para nós.

E agora, agora a música parou.

 

 

23
Mai19

...

gaivotazul

Quebrar o silêncio...

Quebrar o silêncio seria porventura correr o risco de me quebrar novamente quando a cola com que toscamente colei os meus cacos ainda não secou.

 

Quebrar o silêncio seria voltar a correr riscos quando ainda estou a aprender a andar lado a lado com eles.

 

Por vezes esqueço-me. Esqueço-me que não estou inteira e que talvez nunca mais venha a estar.

Esqueço-me do medo e do vazio e por instantes volto a ser eu. Flutuo, danço, canto, sorrio.

Por instantes, quase quebro o silêncio.

Pudesse eu gritar ao mundo quem sou... mas o medo... e como poderia eu voltar a ficar a coberto da noite, na segurança que só o silêncio me pode dar...

 

 

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