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Páginas soltas...

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18
Jan18

Lembras-te? Sei que sim...

gaivotazul

Van gogh.png

 

 

Olho o quadro na parede. O empregado de mesa nele retratado devolve-me o olhar. Parece interrogar-me sobre o porquê de o olhar deste lado, ao invés de me sentar naquela esplanada, em plena "piazzenza", parando para contemplar o céu estrelado que ilumina e aquece aquela fria noite de Novembro. 

Ali ninguém tem pressa. Ninguém conta o tempo. Ali o tempo não passa. Ali o tempo vive-se. Vive-se ao sabor das conversas pausadas que fluem como as águas de um rio, entrecortadas pontualmente pela gargalhada cristalina da jovem sentada na mesa do canto. De onde me encontro, não consigo perceber o quê ou quem a faz (sor)rir assim, mas parece-me feliz e isso deixa-me feliz.

Convida-me a sentar. Acedo e agradeço a oportunidade de poder voltar a pisar aquela praça e de nela me poder sentar. Pergunta-me se vou desejar alguma coisa. Não hesito. - Um creme catalão, por favor!, (digo de modo quase impulsivo).

Fecho os olhos e saboreio cada colher de tão doce sobremesa. Mantém o mesmo sabor. Não se alterou desde que o comi pela primeira e última vez. Lembras-te? Sei que sim...

Preparam-se para fechar. As luzes já diminutas, as cadeiras em cima das mesas, a vassoura na mão. Olha para mim e sorri. Diz, - Não precisa de se levantar... e pode sempre voltar.

Voltarei seguramente. Disso podem estar certos. Mas por agora, volto ao presente, viro costas ao quadro, não sem antes acenar ao empregado de mesa que continua de pé sem de mim desviar o olhar e sorri. 

 

 

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