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Páginas soltas...

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12
Set17

(Am)arte...

gaivotazul

Tempo houve em que olhei de lado e com preconceito para o que designava de grafite. Hoje sei que não era de grafites que se tratava mas de meros rabiscos sem sentido deixados em paredes, muros, sinais... rabiscos que aos meus olhos constituíam uma forma de poluição visual de um espaço comum que também me pertencia.

 

Foi a cidade de Barcelona que me deu a conhecer o grafite enquanto forma de Arte e de expressão. Decorria o ano de 2007. A primeira vez a "sós" num outro País, em contacto com uma nova cultura e organização social patente desde logo na paisagem urbana e no seu ordenamento. Ao deambular pelas ruas, na primeira manhã, deparei-me com uma sequência de murais que pela sua dimensão e realismo me prenderam a atenção... Nunca antes vira uma obra de arte (que não um monumento arquitetónico) a céu aberto, disponível a qualquer transeunte, onde a contemplação demorada se impunha, num convite à reflexão.

Nos dias que se seguiram, muitas outras obras me surpreenderam, surgindo nos locais mais inusitados e inesperados. Fachadas inteiras de prédios ou pequenos apontamentos em portas e umbrais...

 

A semente de um amor por uma forma de arte diferente fora plantada naquele momento... Regressada ao nosso País, deixei-a florescer à medida em que a descobria em novas aldeias, vilas e cidades. Onde não esperava encontrar, era surpreendida com a sua presença. 

 

Quando o meu olhar se cruza com uma nova "tela", algo dentro de mim se acende e ... bem... suponho que a palavra que melhor define o sentimento seja felicidade...

 

Mas não são todas as obras nem todos os artistas que despertam este sentimento... Nem tal seria de esperar que acontecesse... uma mesma imagem  desperta em cada um de nós diferentes reações. Afinal, não somos todos iguais, não pensamos todos o mesmo e como tal não sentimos do mesmo modo ou com a mesma intensidade.

 

Gosto de uma imagem que me fale ao coração, que me faça pensar, que me faça rir ou chorar, que me faça sentir...

 

Não sigo o trabalho de um artista específico ou de renome. Um artista anónimo hoje, será amanhã reconhecido...

Contemplo o trabalho de todos e de qualquer um que cruze o meu olhar...

 

Numa rua da cidade encontrei um mural que me fez sentir a dor da solidão e o consolo de uma mão na mão...

uma imagem que despertou tristeza e gratidão...

 

Porque sentir a arte é uma forma de (Am)arte... 

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