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Páginas soltas...

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22
Jan18

"A pele que há em mim"

gaivotazul

É cedo. Ainda disponho de cerca de dez minutos até chegar ao emprego. O semáforo para peões ficou vermelho. Tanto melhor. Enquanto aguardo a mudança de sinal, dá-me tempo para olhar o céu e nele ver cruzar uma gaivota que plana ao sabor do vento. Desço o olhar e observo de modo fugaz outros transeuntes que rasgam estas avenidas em todas as direções. As nuvens encobrem o sol tornando o vento de norte mais gélido. Levo ao mão ao bolso. Retiro os auscultadores e desenrolo os fios que se emaranharam em nós de contorcionistas. No telemovel, percorro a lista de sugestões e detenho-me nas baladas. Não reconheço o título. Peço em surdina "Surpreende-me por favor". Hoje quero ouvir cantar em português. Quero sentir as emoções na nossa língua expressadas. Primo o play e a viagem começa... Rendida. Assim me encontro eu. Rendida a uma "palavra" dura, pelas cordas de uma guitarra amaciada. Doce melodia em que o dedilhar alternado de dois acordes dita a suave cadência. Dois acordes, duas vozes, um só sentimento.

O sinal há muito ficou verde. Os dez minutos que restavam esgotaram-se. O local de trabalho diante de mim. Desligo a aplicação do telemovel, arrumo os fios que na certa se tornarão a emaranhar, e entro resignada. Estranhamente (ou talvez não), a música não se desligou e continua a tocar...

"Dá-me o mar, o meu rio, a minha estrada. O meu barco vazio na madrugada Vou deixar-te no frio da tua fala. Na vertigem da voz Quando enfim se cala."

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