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Páginas soltas...

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01
Fev18

A muralha ruiu...

gaivotazul

Foram dois dias de angústia contida, de expectativas, de ansiedade (mal) disfarçada perante a antecipação do que poderia vir. Rezando aos antepassados, apelando a uma entidade superior para que interviesse e para que fossem infundados os meus receios. Impedindo outros de pronunciar em voz alta os seus pensamentos para que os mesmos não se concretizassem. Parecia estar a resultar...

A tua vivacidade, a tua vontade de brincar... E do nada, começaste a tremer. Dizias ter frio e por mais que te esfregasse e tentasse aquecer, parecia lutar em vão contra o tempo que passava.

Não sei se a luz ou o pavor no meu olhar toldavam o discernimento, mas as cores do teu rosto, do teu lábio pareciam mudar.

"Não posso perder o controlo. Pensa! Tu sabes o que fazer." - dizia para mim...

Por momentos pensei que o pior já passara. Paraste de tremer mas fechaste os olhos e adormeceste. Algo não estava bem.

Senti a tua pele nos meus lábios. Queimava. Há medida que os números cresciam, a minha pulsação aumentava.

A viagem de carro que se seguiu parecia interminável. O desejo de que todo o tráfego desaparecesse.

Mantive o controlo aparente até que me senti a sós contigo naquela sala de espera onde cada segundo dura uma eternidade.

Sabia que daí a nada estaria tudo bem, que não passaria só um susto, de mais um episódio para contar ou esquecer. Mas uma vez naquela sala, revivendo momentos de angústia passados mas não ultrapassados, cedendo ao cansaço que tolda a razão, a muralha ruiu. Ruiu e com ela veio a enxurrada que turvou a visão pelo sal das lágrimas já não contidas. A libertação das mesmas trouxe paz, alívio, uma suave tristeza de quem rodeada de estranhos se sente só e impotente ao envolver-te num abraço. 

 

A muralha ruiu. Ainda não voltei a erguê-la. Não houve tempo. A torrente de água de sal foi interrompida porque uma vez mais a necessidade de auto-controlo se impôs. Havia que contar e recontar a sucessão de eventos por ordem cronológica, tentando não deixar de lado nenhuma informação importante, tentando reter na memória as indicações que me eram passadas.

 

Hoje, ainda que não o queira enunciar em voz alta pois o receio do que pode ou poderia vir ainda permanece, pergunto-me como se passou do 8 ao 80 e novamente ao 8 com tamanha aparente facilidade. terá sido tudo um sonho? Sonho ou pesadelo não sei mas resquícios das emoções causadas ainda permanecem em mim.

Levará algum tempo até que sejam só um vestígio do passado pois esse passado tornou-se novamente presente muito recentemente.

É que, sabes... a muralha ruiu...

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