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Páginas soltas...

Páginas soltas...

29
Nov17

"Home"...

gaivotazul

Desde esta manhã que oiço em mim a tua música sem cessar. Uma música que me transmite serenidade e determinação ao mesmo tempo. Uma música que me evoca a "nossa casa". Sim, porque casa não é o espaço físico que habitamos. Casa é o espaço interior que nos acolhe. Casa é qualquer espaço ou tempo em que o nosso coração permaneça.  

A manhã vai a meio. A tua música ainda persiste.

Isolo-me do ruído que me rodeia, do burburinho de dezenas de vozes que falam em simultâneo. Deixo que o meu silêncio se sobreponha e que apenas a minha voz interior se faça ouvir. Uma voz que sente cada uma das tuas palavras.

No meu silêncio, escuto-as repetidas vezes sem conta. Fecho os olhos e interiorizo-as em mim. Não os quero abrir. Não quero deixar de me sentir assim. Revejo-me demoradamente em cada uma das tuas palavras que espelham o meu sentimento. 

É tarde. Em passo apressado dirijo-me para o meu próximo objetivo. A tua música insiste. Desta vez não a oiço só dentro de mim. O tempo corre mas a música corre lado a lado com ele enquanto a ponho a tocar no telemóvel. Como que por magia tudo pára. O semáforo fica vermelho. Os condutores esperam pela sua vez. Eu avanço no meu passo por ti marcado.

 

É tarde, é muito tarde. A noite caiu faz tempo. Tanto há ainda por fazer... Terá de esperar.

Quero apenas uma ultima coisa fazer. A tua música perdura. Vou fechar os olhos e deixar que ela me transporte no tempo e no espaço e me leve até... Casa.

 

 

 

 

27
Nov17

Divagações ao Ocaso

gaivotazul

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O sol desce sobre o horizonte anunciando o fim de mais um dia.

O frio instala-se mas o ocaso convida a ficar.

No extenso areal poucos permanecem. Apenas o pescador aposentado que observa a maré, o nadador salvador que espera o términos do seu turno, o casal enamorado que não se quer apartar, um outro menos apaixonado que conserva a distância, e nós... Nós...

 

É nesta hora em que quase todos partem que as gaivotas reclamam o seu espaço.

Um espaço que dias e noites a fio connosco partilharam. 

A areia maleável foi o nosso chão firme. A maré inconstante a nossa confidente fiável. As estrelas no céu o nosso manto de noite. As gaivotas, as gaivotas as testemunhas da nossa história...

 

O sol desce no horizonte anunciando o fim de mais um dia.

Transpomos a marginal que nos separa e pisamos a areia, traçando o nosso caminho num piso instável mas em passo certo.

Queremos contemplar o ocaso. Queremos fazer parte do momento em que numa fração de segundos dia e noite se tornam indistintos. Queremos fazer parte da infinitude que nasce e  se finda no horizonte.

Queremos voltar a sentir como nosso o espaço outrora partilhado com as gaivotas. 

Queremos voltar a estar e a sentir e a ser... "Nós".

O frio instala-se... 

 

 

27
Nov17

Uma manta e tanto a dizer...

gaivotazul

Estás sentada no sofá. Sento-me no chão, de frente para ti, pernas cruzadas. Sei a tarefa que nos aguarda e interiormente sorrio. Há algo de prazeroso nesta tarefa repetitiva mas não monótona. Ergo os meus braços, palmas das mãos viradas uma para a outra, ligeiramente afastadas à largura dos ombros. Ao teu lado tens um pequeno cesto de verga onde dezenas de novelos de lã aguardam a sua vez. Ao lado destes outros tantos já devidamente organizados e enrolados em perfeitas bolas coloridas. Ao nosso ritmo começamos a desmanchar o novelo que se vai desenrolando das minhas para as tuas mãos. Primeiro devagar e depois num automatismo crescente. É quase uma dança de mãos sincronizada. A tarefa prolonga-se no tempo até que uma outra se imponha ou que as nossas mãos cansadas o impeçam. No pequeno cesto o resultado do nosso trabalho exposto como troféu. Desta nossa partilha nasceria mais tarde um dos melhores presentes que me poderias ter dado e que me recordam de ti Sempre. Ontem o frio apertou e a saudade fez-se sentir. No aconchego da tua manta colorida, de pequenos retalhos construída, onde cada pedacinho de lã conta uma história, encontrei o calor e diminuí a saudade. Na tua manta combati o cinzento do dia que em mim se instalava. Encontrei o conforto que procurava. Toco a tua manta numa lembrança de que nunca estaremos sós pois temos alguém que olha por nós. Somos o nosso presente e o nosso passado.

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23
Nov17

"Parar o Tempo"

gaivotazul

Se pudesse colocar o Mundo em pausa fá-lo-ia.

Se pudesse impedi-lo de avançar fá-lo-ia.

Não indefinidamente. Apenas pelo tempo extritamente necessário para que pudesses recuperar o fôlego. Para que pudesses acompanhar o seu passo apressado. Para que ele (Mundo) também repensasse a sua passada apressada.

 

Sinto o teu cansaço na tua voz. No teu olhar que não vejo. No teu abraço que se entrega.

Sinto a tua angustia por quereres dar mais (ou menos) de ti mas não teres qualquer controlo sobre a situação.
Partilho da tua eterna luta interna de quem sempre colocou o bem estar dos outros à frente do seu próprio bem estar. 
Testemunho a tua dúvida perante tamanho esforço inglório. Muito embora nunca tenhas procurado a glória ou o reconhecimento, agindo sempre por convicção pessoal e altruísmo, magoa e dói verificar que todos os "castelos" que tentaste erguer (e que a custo ergueste para que neles outros morassem) correm o risco de ruir.
 
Se pudesse colocar o Mundo em pausa fá-lo-ia.
Se com um abraço te pudesse aliviar da carga que em ti carregas fá-lo-ia.
Não posso. Não que não queira mas não posso.
Ainda assim...
É teu o meu tempo. É tua a minha voz. É teu o meu abraço.
É teu...
 

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18
Nov17

Há qualquer coisa...

gaivotazul

Há qualquer coisa nas tuas palavras, no modo como as expões, que me prende a atenção e me fala ao coração ou à razão. Às vezes pareces escrever para mim, como se adivinhasses como me sinto ou como me preciso sentir. Como se soubesses exatamente o que preciso escutar. Outras vezes pareces escrever sobre mim. Como se de um qualquer canto do mundo me observasses e conseguisses ler o que outros tão perto parecem incapazes de fazer. Porque há qualquer coisa nas tuas palavras e no modo como as expões, eu sento-me e leio e releio as tuas palavras. Encurto a distância que nos separa e oiço o que tens para me dizer. Ainda que nem sempre as compreenda ou com elas concorde, há nelas qualquer coisa...

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15
Nov17

Acorda-me quando chegarmos...

gaivotazul

Posso-te pedir que conduzas para parte incerta? Posso-te pedir que segures o volante e sigas sem direção? Posso sentar-me ao teu lado, encostar a cabeça no vidro e ver a paisagem fugir? Posso fechar os olhos e adormecer? Posso pedir-te que sintonizes o rádio numa estação que me embale? Posso pedir-te que o ronco do motor e o atrito dos pneus na estrada sejam as únicas conversas audíveis? Posso ficar aqui e deixar que a noite caia? Pode este carro e esta viagem ser o meu refúgio? Posso voltar atrás no tempo? Posso ao menos parar o tempo? Preciso parar... só por um bocadinho... Acorda-me quando chegarmos.

15
Nov17

O que tu me dizes fica entre Nós

gaivotazul

Ligo a música. O som quente e doce do saxofone envolve-me como se de uma suave manta se tratasse deixando o frio lá fora. Faz-me sorrir. Brinca com as minhas emoções. Não precisa de palavras para se fazer entender e faz-se ouvir como ninguém. Escuto a sua mensagem e sorrio. Quem por mim passar interrogar-se-á sobre os motivos. Guardo segredo. Ninguém precisa de saber. O que tu me dizes fica entre nós, num entendimento só nosso. (Ao som de Steve Cole - Reverence)

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13
Nov17

Ontem, Hoje e Sempre!

gaivotazul

Ontem perguntaram-me por ti. E eu falei-lhes de ti. E ao fazê-lo, a tua figura surgiu diante de mim e encaminhou-se para o seu lugar de sempre. As mãos pousadas na bancada, o olhar atento e o sorriso nos lábios sempre presente. Disseram-me que estarias a sorrir. E eu espero que sim... Hoje tornaram a perguntar-me por ti. E eu de ti lhes falei. E ao fazê-lo o passado tornou-se presente e tu presente te tornaste. Espero que amanhã me perguntem por ti. De ti lhes falarei...ontem, hoje e sempre!

09
Nov17

Entre a noite e a manhã...

gaivotazul

Os dias e as noites sucedem-se a um ritmo alucinante.
Adormeço a pensar na manhã que me espera, acordo a desejar a noite que tarda.
O cansaço acumula-se e faz-se sentir no olhar. As palavras atropelam-se e o discurso tropeça na gramática. Frases sem sentido, palavras fora de contexto, sinais evidentes que não passam despercebidos mesmo aos mais distraídos.
No meio de tudo isto, a motivação para prosseguir, a expectativa pelos resultados alcançados ou por alcançar,  o despertar de quem "É o que Faz" e o humor sempre presente e contagiante que surge de modo inesperado no seio dos colegas e me impele a não desistir.
Com toda esta correria, algumas coisas têm ficado para trás. Eu tenho ficado para trás (ou pelo menos parte de mim).
Quem disse que "correr por gosto não cansa", não disse a verdade. Cansa. E muito. Mas vai valer a pena. Tem de valer...
Gostava no entanto que as noites e os dias se revestissem de alguma pacatez.
Que adormecesse sem pensar em nada e acordasse para a manhã com energia renovada.
Quem sabe esta noite, talvez... e amanhã quem sabe?!...
Talvez!

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08
Nov17

Pudesse o tempo parar...

gaivotazul

Sinto falta de escrever. De libertar as minhas emoções e organizar os pensamentos à medida que são transpostos para a folha de papel. Mas o tempo escasseia. Escasseia e escorre por entre os dedos das mãos como pequenos grãos de areia que não consegues conter. Pudesse o tempo parar...

https://m.youtube.com/watch?v=rUTdnbboryI

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