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Páginas soltas...

Páginas soltas...

30
Ago17

O Campo em que brinquei...

gaivotazul

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Ontem à noite lembrei-me do campo onde brincava na minha infância.

 

Não, não era um campo de amplas pastagens, com animais. Bem,..., na realidade até tinha animais,..., porcos nos currais, galinhas nos galinheiros e cobras ocasionais. Mas, a bem da verdade, nem sei porque lhe chamavam "o Campo". Só sei que quando anunciavam "Vamos ao Campo!" a euforia era geral.

 

O Campo mais não era do que um recinto fechado com muros altos, localizado nas traseiras de um grande edificio, ao qual acedíamos por túneis e labirintos secretos (assim me pareciam na altura os atalhos tomados para lá chegar).

 

No Campo havia baloiços. Talvez dos poucos baloiços que existiam na minha pequena Vila. Um escorrega grande, um baloiço, uns cavalinhos de madeira que andavam à roda, um "sobe e desce", um "talin-talão"onde cabíamos muitos e duas estruturas metálicas de barras onde nos empoleirávamos como macacos nas árvores. O meu preferido?!? O Baloiço que me permitia voar cada vez mais alto e ver para lá dos muros que nos continham.

 

No Campo não havia pastagens mas existiam flores selvagens que nasciam e por ali cresciam: margaridas, malmequeres, papoilas, espigas...

Não havia animais de grande porte mas tinha joaninhas, gafanhotos, carochas, louva-a-deus,formigas, bichos de conta e "tesouras" (assim lhes chamávamos).

 

Numa área do Campo existia o que hoje seria considerado uma "caixa de areia" gigante (não obstante os pedaços ocasionais de pedras, telha, tijolo e até pregos ferrugentos - resultantes de obras que se poderiam encontrar). Situado debaixo de um telheiro, aí nos abrigávamos do sol e da chuva e dávamos largas à imaginação enquanto nos dedicávamos à "construção".

 

Ir ao Campo era um privilégio...

Hoje, em qualquer aldeia, vila ou cidade podemos encontrar parques infantis construidos para o efeito. Parques onde os baloiços são adequados às características das crianças e das suas faixas etárias, onde os espaços verdes envolventes são alvo de planeamento paisagístico, onde toda a arquitetura é cuidadosamente pensada. Ainda bem que assim é, mas não sei porquê...às vezes duvido que as crianças tenham pelos seus parques o mesmo apreço que eu tinha pelo "meu Campo", tão único e singular...

 

29
Ago17

Passeio por um canto da cidade...

gaivotazul

Longe do Mar, procuro em cada pequeno canto desta cidade o contacto com a Natureza.

Num pequeno canteiro brotam pequenas flores que emprestam o seu colorido aos tons monótonos dos prédios que o ladeiam.

Mesmo no mais árido dos solos, pequenos rebentos despontam. Flores selvagens por natureza mas de uma delicadeza ímpar.

Olhando em volta, pequenos seres vivos numa constante azáfama contrastam com a quietude de outros que passam despercebidos aos mais desatentos, perdidos em pensamentos ou apenas concentrados em algo mais.

Neste pequeno canto, vestígios do Outono que se aproxima pontuam o solo.

E eis que no meio de odores indiferenciados surge um aroma tão familiar. É apenas um pinheiro, mas a sua intensidade leva-me até "casa" se os olhos fechar. Mas ao abri-los... não é o colorido que esperava encontrar.

Não entendo... Não entendo como num recinto onde o recipiente adequado se encontra a dois passos, pequenos e graúdos poluem assim um espaço que não lhes pertence mas que é deles também.

Levanto novamente os olhos do chão e ergo o olhar para cima. Onde a luz passa por entre as copas das árvores iluminando as suas folhas.

Aspiro a uma outra Liberdade... 

 

 

26
Ago17

Mudanças...

gaivotazul

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No ar são já visíveis os sinais das mudanças que se avizinham.

Fiapos de nuvens pontuam o azul do céu de branco como se de pequenos pedaços de algodão desfiado, arrastados levemente pelo vento, se tratassem.

Folhas coloridas em diversos tons de castanho e amarelo desprendem-se dos galhos das árvores e flutuam devagar, numa dança habilmente coreografada, até tocarem o chão e acumularem-se num canto sujo da estrada esquecido.

A temperatura desce e convida a um leve agasalho.

Numa ânsia de aproveitar os últimos raios de sol, perante a ameaça da (e por mim tão desejada) chuva, cresce a azáfama dos que por mim passam e à minha volta se passeiam. Tão apressados que nem dão conta de que correm atrás de uma ilusão. O tempo não foge. Foi por nós inventado. Pudesse eu fazê-lo parar... Ao invés, corre desenfreado e mundo corre com ele. Descompassados... Assim andamos todos...

Sinais das mudanças que não se avizinham mas que já se instalaram.

23
Ago17

Ninguém é de ninguém...

gaivotazul

 

Corria o ano de 1997 quando a ouvi pela primeira vez...

 

Em pouco tempo muitos cantavam a sua música ainda que não compreendessem na totalidade o sentido das suas palavras...

Como pode ninguém ser de ninguém mesmo quando se ama alguém, se quando apaixonados sentimos pertencer um ao outro?!?

Vinte anos decorreram desde o seu lançamento. O próprio autor reconhece que as suas palavras, com ingenuidade inicialmente escritas, hoje revestir-se-iam de outra dimensão, de outro significado...

É bem provável que assim seja...

Num mundo cada vez mais veloz e onde a superficialidade impera, ninguém é de ninguém... não há tempo e há demasiado medo... medo de se dar a conhecer, medo de se entregar, medo de sofrer...

 

O que sei, é que ontem como hoje, peço-te que me contes histórias porque tenho saudades de momentos...

 

 

 

 

22
Ago17

Em busca de um livro...

gaivotazul

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Percorro com o olhar a estante de livros, na sua maioria romances, alguns históricos outros mera ficção.

Ao longo dos anos têm-se avolumado...

Cedo descobri na leitura um prazer. Há algo de único e indiscritivel quando pegamos num livro e abrimos as suas páginas, intocadas, pela primeira vez. Estabelece-se uma relação só nossa e criam-se laços indeléveis. Embarcamos numa viagem, numa relação que talvez ultrapasse a compreensão de muitos. A frase um livro um amigo não surgiu por acaso...

O toque das suas folhas nos nossos dedos, o cheiro da suas páginas, as palavras que nos segreda pela calada da noite, madrugada fora quando não conseguimos nem queremos parar a conversa estabelecida... 

Poderia simplesmente passar na biblioteca para requisitar um novo livro, mas... Mas não retiraria da sua leitura o mesmo prazer nem obteria a mesma sensação de exclusividade e autenticidade na relação estabelecida.

E assim, vão-se acumulando pelas estantes... uns ordenados por autores, outros por tamanho,outros de forma completamente aleatória e sobrepostos de modo a caber mais um...

São já tantas as histórias em que "entrei"...

Detenho-me por breves instantes num ou outro recordando a sua história. Ainda está demasiado fresca na memória pelo que prossigo a minha busca... O ideal seria encontrar uma história nova, um livro novo por explorar... Mas algumas histórias merecem ser revisitadas de tempos a tempos e por agora tal terá de bastar.

 

As páginas amarelecidas atestam a passagem do tempo...

Várias estações sucederam-se desde que o desfolhei pela primeira, e na verdade pela ultima vez, até hoje.

Sei que assim que começar a lê-lo, irei embarcar numa nova viagem, mas que será como revisitar uma localidade que já conhecemos. Não será necessariamente algo negativo. Poderemos sempre reparar em algo que antes não nos despertara a atenção, ou ver com outros olhos um mesmo acontecimento porque entretanto também as nossas vivências nos alteraram...

Retiro-o cuidadosamente da prateleira. Reparo nas suas "rugas" vincadas na capa e na lombada, no seu cheiro de quem está fechado há demasiado tempo. Procuro um canto sossegado, instalo-me e deixo as suas páginas respirar de novo, uma a uma, enquanto me levam para longe...

 

21
Ago17

Hoje foi um bom dia...

gaivotazul

Hoje foi um bom dia! Um dia simples, sem sobressaltos, sem nada digno de registo mas onde pequenos prazeres do dia a dia se fizeram sentir.

Talvez seja mais fácil escrever sobre o que nos entristece, sobre o que nos magoa, sobre o que dói dentro de cada um de nós... mais fácil ou simplesmente mais necessário...

Mas são estes pequenos nadas do dia a dia que nos fazem sentir bem que quero hoje registar.

Hoje foi um bom dia!

Senti o sol no rosto, a areia quente debaixo dos pés, o som da suave ondulação...

Vislumbrei o voo de gaivotas e ouvi sonoras gargalhadas. Vi olhos brilharem de genuína alegria e braços cruzarem-se em perfeita harmonia.

Tive tempo para ler, para escutar, para conversar, para cantar e até tocar. Tive tempo para ser e para ter...

Estive perto dos que me querem bem e a quem quero também...

Hoje foi um bom dia...

 

20
Ago17

Freedom

gaivotazul

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Open your eyes, open your wings

Make the leap, don't be afraid

You will soon discover what you are made of

 

 

Release all your fears, forget all those years

Your time is now, this is your moment

This is your present, this is your life

 

 

The sky is yours, there are no limits

No bounderies, no chains to restrain you

You are free to go, free to feel,

Free to be whatever you choose to be

 

 

Feel the wind on your feathers

Beneath your wings

Taking you where you need to go

 

 

When you're ready to land, you can land

But don't rush it , you have time

Your journey is just beginning

Experience freedom and hold that feeling in your heart

...forever

19
Ago17

Interrogações a sós...

gaivotazul

A folha permanece intacta onde a deixei...

Deduzo que não a leste e se a leste nada tens a dizer sobre ela...

A minha vontade é tirá-la de onde está. Guardá-la, rasgá-la, amachucá-la simplesmente e colocá-la no lixo. Se não a vais ler...

Não sei como me sentir... não sei como agir...

É difícil tentar abrir o coração quando não se sente aceitação...

É difícil ser forte quando nos sentimos sós...

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18
Ago17

Escrito na água...

gaivotazul

Acabei... finalmente acabei de ler o livro...
Demorei algum tempo a conseguir entrar na história, mas uma vez dentro dela, não demorei mais de quatro dias a concluí-la... precisava de saber...
Não é frequente ler thrillers. Talvez por isso, ou então pela mestria de quem o escreveu, não consegui antecipar os factos... Sempre que pensava que a história se desenrolaria de determinado modo, trocava-me as voltas e seguia numa outra direção. Cheguei perto, mas nunca supus que o desfecho pudesse ser aquele que se veio a verificar.
Agora, com a história concluída, fica o sabor agridoce de quem sabe o que aconteceu e se tornou cúmplice de um evento que desejava fosse diferente...
Capítulo encerrado, fecho a sua capa pela última vez...
(ou será que não?!?...)

Foto de Ana Rita.

16
Ago17

Da varanda da tua avó

gaivotazul

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Da varanda da tua avó observávamos o mundo, convictas de que tudo e todos víamos sem que o contrário acontecesse. Como se camufladas pela altitude dispuséssemos de um poder secreto só nosso. Quantas tardes ali passámos, sentadas no chão, em conversas intermináveis recheadas de gargalhadas e lágrimas pontuais. Aquele pedaço de "chão" pertencia-nos como em tempos pertencera a uma outra geração. Da varanda da tua avó, evocámos o passado, vivemos o presente e projetámos o futuro. Passo diariamente pela varanda da tua avó. A minha vontade é subir os degraus que levam até ela e constatar que na sua pedra ainda se encontram gravados a carvão os nossos desabafos, os nossos pedaços de versos soltos ou letras de canções. Escritos que nem a chuva nem o tempo apagaram porque ficaram gravados para sempre na memória da nossa história...

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